Marcha da Afurada 2012 (Prémio José Guimarães, pela Melhor Letra)











A noite não dura mais
Já chegou a alvorada
A varina está acordada
E o pescador volta ao cais

No coração, um passado
Um rio mesmo à mão
E aquele mar respeitado
Que nos dá a tradição 

E quando chega o Verão
A alegria é o que resta
S. Pedro e S. João
Deixam a Afurada em festa

A sardinha está a assar
É hora de festejar
O S. João nos trouxe a festa
S. Pedro há-de a continuar
E em noites como esta
Para a tradição honrar
Seja bem-vindo à Afurada!
Faça o favor de entrar!

Nas varandas coloridas
O mangerico e seu perfume
E as imensas partidas
Que trazem o peixe ao lume 

A varina e o pescador
Na festa, já de mão dada
Levam consigo o calor
Deste tão belo labor
De uma história bem contada
Todos vivem com fulgor
E todos sentem amor
Por esta nossa Afurada!

A sardinha está a assar
É hora de festejar
O S. João nos trouxe a festa
S. Pedro há-de a continuar
E em noites como esta
Para a tradição honrar
Seja bem-vindo à Afurada!
Faça o favor de entrar!



Fonte fotográfica: http://www.facebook.com/TURISMO.VNGAIA

Enfermagem: a (des)valorização




O Dr. Manuel Pizarro, à data Secretário de Estado da Saúde, caracterizou os enfermeiros, numa mesa de um colóquio que tive oportunidade de presenciar, como a "espinha dorsal do Serviço Nacional de Saúde".
Não se trata de uma valorização excessiva, trata-se da realidade dado o papel do enfermeiro, a sua presença em número nos hospitais e ainda a mediação que pratica entre as várias disciplinas e respectivos técnicos que se cruzam nos cuidados de saúde.
Perante factos tão reveladores da preponderância da Enfermagem, o que levou esta ao descrédito, ao desemprego e ao estatuto social reduzido que hoje, por vezes, lhe conotam? A Lei da Oferta e da Procura.
Tempos houve em que os enfermeiros podiam escolher o local onde queriam iniciar a sua carreira, o número de empregos que desejavam acumular, o local para onde gostariam de mudar ao fim de alguns anos de experiência. Chegou a abertura de cursos em catadupa e eis que, a cada ano, são formados entre três a quatro mil enfermeiros, segundo referência de Germano Couto, o actual bastonário da Ordem.
E agora? Não podendo nem devendo tratar os enfermeiros como frutos ou cereais, destruídos por esse mundo fora em prol da competitividade dos preços, como resolver a questão? Queremos ser um país exportador de enfermeiros? Ou desejamos criar uma rede de cuidadores que potencie a qualidade dos cuidados a curto, médio e longo prazo?
Compensaria, por tudo isto, estancar totalmente a leccionação de Enfermagem?
Questões que se colocam, que se desejam ver resolvidas mas que, apesar de tudo, ainda não estão sequer na agenda nacional.
Se os enfermeiros são a espinha dorsal dos cuidados de saúde, então este país será aquele utente negligente que, desesperado com dores lombares, só recorre a cuidados especializados quando nem a cirurgia é solução. Antes disso, resolveu-se com panaceias e assobios para o ar...

Publicado no P3, suplemento online do jornal Público

Euro 2012


Já começou a competição mais importante do futebol europeu.


Muito se tem comentado acerca dos valores astronómicos despendidos, das opções técnicas questionáveis, da falta de ambição nos últimos amigáveis...
Muito se poderia questionar, mas o apoio é determinante. As críticas podem surgir, mas o desejo de vitória tem de se manter, sob risco desses dedos apontados não serem mais do que um símbolo da facilidade com que hoje se fala de tudo dum modo pejorativo.
A esta hora, já Portugal saiu derrotado do jogo com a Alemanha. Mesmo há pouco...
Infelicidades, inseguranças, falta de sorte... Poderão ser usadas inúmeras justificações. Mas não é preciso...
Portugal é uma selecção temida, uma selecção com bons praticantes de futebol e discute de igual para igual com verdadeiros portentos históricos do mundo da bola.
Da minha parte, gostei de ver a garra de João Pereira, o refrescante Varela, um Cristiano Ronaldo distribuidor e o equilíbrio de toda uma equipa recheada de ambição e vontade de ir longe.
Hoje ninguém pode sair envergonhado. O que não invalida a redenção exigida no próximo jogo!

Liberdade intermitente

O Governo chinês era, outrora, aparentemente mais fechado. Puramente comunista, proibia a disseminação de produtos capitalistas como a Coca-Cola. Agora, passados alguns anos, a McDonald's está presente em Pequim e a Cidade Proibida viu ser fechado o Starbucks Coffee que lá fazia negócio. Encerrou após protesto da população, mas esteve lá.
A propósito dos 23 anos dos protestos na Praça de Tiananmen, muitos chineses enfrentam a censura de não poderem consultar páginas sobre o assunto na Internet, uma vez que os motores de busca se encontram a ser controlados pelo Governo.Tiananmen "desaparece" da Internet (Jornal Sol)
Todos sabemos que a China é um portento de força e que poucos serão capaz de lhe fazer frente. Mas não será um pouco demais existir um país que pratica uma liberdade intermitente?
Claro que, por mais que o Governo chinês tente apagar a memória dos cidadãos acerca do massacre do dia dos protestos, que o mesmo nega, o povo lembra sempre aquilo que tentam fazê-lo esquecer.

O circo da Selecção Nacional

Manuel José, treinador de futebol com uma longa carreira e cuja última experiência o recheou de títulos, teceu duras críticas à nossa Selecção.
Mais não fez, no fundo, do que verbalizar as ideias da maioria dos portugueses, que sentem na pele a frustração de anos a ver promessas sem concretizações.
Assim se passou com todas as gerações futebolísticas. Todas elas foram polémicas, todas elas promissoras e todas desprovidas de palmarés.
Manuel José refere-se à falta de profissionalismo que rodeia a equipa de todos os portugueses como um "autêntico circo", pela sequência de festas que levam à distracção dos jogadores.
Será que a Selecção que mais dinheiro dispende precisa de mais distracções? Será que o ambiente é mais de folga do que de responsabilidade? Será que por detrás daquela face sisuda de Paulo Bento temos um treinador fraco e que não se consegue impor?
Aconteça o que acontecer, Portugal já começou mal. Mesmo que a vitória nos seguisse até ao final do torneio, mesmo que o título fosse conquistado pelos nossos jogadores, esta nunca seria a forma mais correcta de lutar por algo que é uma responsabilidade deste país há muitos anos: lutar por um lugar de destaque em todo o Mundo e em qualquer actividade!

Metropolitano

Escrevo em movimento. A cada dia que passa percorro este caminho, neste exacto meio de transporte urbano que é o metro.
Desde a sua criação que o metro mudou a cidade. Mais virada para o futuro, mais atenta aos turistas, mais fácil para os trabalhadores, o Porto é, por tudo e também por ter metropolitano de superfície, uma metrópole cosmopolita.
Não será difícil perceber porquê.
Já se torna complicado perceber a sua estrutura interna, as derrapagens financeiras, a falta de planeamento eficaz.
Porque temos todos de fazer escala na Trindade? É contraproducente em relação à concepção de um meio de transporte deste género.
Em cidades equiparadas, o metro possui linhas que se cruzam, que se tocam e que têm, ainda assim, destinos completamente distintos. Essas servem na perfeição os habitantes dessa cidade.
Coloca-se, por isso, a questão: terá o metro sido criado pela necessidade urgente de não ficar atrás do conceito de cidade moderna? Terá como público alvo apenas os visitantes, esses mesmo que nunca terão passe mensal?
E, agora que chego ao destino, sinto-o útil, como sempre e apesar de tudo...

Orgulho

A noite nunca é escura de mais para pensar. Os pensamentos podem ser escuros de mais para a noite. Assim como as manhãs cobertas de nevoeir...