Mudam-se os tempos?

Mesmo que mudem, talvez as vontades permaneçam. E o certo é que, hoje, revendo este blog, senti que o tempo passou rápido. Há quadros situacionais que já passaram diante de mim à distância de meses. Mas aqui apenas dois ou três posts chegam para me lembrar que o que outrora era um problema grave, deixou de ser, voltou a ser e voltou a trazer-me até aqui.
É como um grande valor que temos, aquilo que vagueia dentro de nós. Somos capazes até de o esconder, de nunca o mostrar, mas tendo a ser claro, normalmente. Gostam que saibam a forma como penso e digo aquilo que sinto e aqui, melhor lugar do que nenhum outro para o escrever, encontro um espelho daquilo que fui nestes "imensos" seis anos.
Enfim, sei que aqui se descobre aquilo que sou hoje. Pode fazê-lo o leitor, com toda a liberdade que a tecnologia hoje permite.
Eu mesmo o fiz há poucos minutos atrás.

23º Aniversário

Foi com imenso prazer que vi o MG repleto de convidados para o jantar do meu 23º aniversário. Chorei, claro está, com tantos abraços e desejos. Não é fácil conter as lágrimas quando se tem amigos que nos perguntam a cada dia quando damos o próximo passo no nosso sonho, quando criamos mais algum dos nossos textos, quando sai a revista onde escrevemos e, melhor do que tudo isso, quando é que poderei estar com eles. Se essas perguntas saem com a naturalidade do quotidiano, não será fácil proporcionar uma noite como a de segunda-feira?
Provavelmente sim. E, para isso, nem tantas lágrimas como as que despejei servem de agradecimento.

Gira-discos

A vida é quase como um gira-discos. Rodamos a uma velocidade alucinante sem sequer nos ser dada a possibilidade de o entender verdadeiramente. Na minha vida, este blog é o espelho dessas mudanças. Mudanças que se traduzem num crescimento (ou será num decrescimento?) para a criança que quero continuar a ser.
A vida leva-me a um caminho desconhecido. Uma licenciatura para já infrutífera, uma profissão de sonho que apenas se cumpre num livro editado e naspáginas da net ao alcance de qualquer um, um curso de massagem comfalta de produção e a habilitação de formador que, até agora, apenas serviu de reflexão e de investimento próprio.
Contudo, perder o rumo, o Norte, é algo que não pode acontecer num percurso que todos sabemos ser passageiro.
Neste gira-discos, o que toca é uma faixa única, sem interrupções ou pausas e o tempo urge.
Se assim não fosse, tudo perderia o gozo. Seríamos bem mais sedentários, mais acomodados àquilo que nos é dado e menos proactivos em relação àquilo que temos de trazer até nós. E, no fim, deixaríamos de ser Nós.
Mais vale assim.

Cântico Negro (José Régio)

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

Hans Christian Andersen


O famigerado autor de contos infantis faria hoje 205 anos. E é sempre oportuno qalquer momento para recordar alguém que tanto contribuiu para a literatura mundial. Sem os contos escritos pelo dinamarquês muitas crianças não teriam tido a iniciação produtiva no mundo literário que tiveram. Na verdade, Esopo, La Fontaine, os irmãos Grimm e Andersen são talvez os nomes mais significativos de uma literatura que tem os mais novos como destinatários, mas que transmite valores inestimáveis para os mais velhos.
Hans foi, na minha infância e a par de Enid Blyton (Noddy, Os Cinco, Os Setes, As Gémeas...), o meu autor favorito. Foi através das histórias de ambos que me embrenhei horas a fio por caminhos feitos de palavras que me levaram até ao sonho de eu mesmo os traçar. Por isso, Andersen tem um significado especial tanto pessoal como profissionalmente.

Encurralado

Encurralado é uma palavra bem construída. Transmite a ideia que os dois erres que contém encurralam, na realidade, qualquer coisa.

E é, além do mais, como me sinto. Encurralado.

Encurralado por ter um curriculum que alguns afirmam ser desejável - invejável nada devia ser - e por estar desempregado. Encurralado por sentir que as minhas palavras, como estas, podem surtir o mesmo efeito de pedras na água: umas ondas pequenas e passageiras que logo desaparecem. Encurralado por sentir que há poucas pedras para atirar, leia-se, poucas palavras para dizer em determinadas circunstâncias. Encurralado por saber que estes conflitos deviam ter sido vividos há mais tempo. Encurralado pela falta de tolerância de quem olha para aquilo que faço e vê, tão simples e despudoramente, atiudes de falta de consciência.

Para esses, nem pena. Afinal, a diferença, algo que devia ser premiado, incomoda. Mas os sonhos... Os sonhos são diferentes. São premiados. E mesmo assim há quem lhes vire as costas.

Eu não vou virar as costas aos meus. Isso seria cuspir na minha própria cara.

O funeral da literatura

Imaginemos que existiu um país onde a literatura tinha história. Nesse país, os trovadores começaram por estar ao serviço das cortes. Declamavam as suas imensas palavras que, com vista ao divertimento dos presentes, acabavam por presenteá-los com surpresas bem-vindas, sinais de que a arte e o entretenimento podiam, saudavelmente, brincar lado a lado.

Esse país foi crescendo e, mais tarde, poetas de envergadura enorme puderam ler perante reis, reis com letra minúscula dada o tamanho da poesia que essas mãos escreveram. Num mundo em que a memória era ainda a original, que a luta travada pela marca que se desejava indelével era atroz, houve quem nadasse com um só braço, salvando uma nação inteira.

Mais tarde, com a força das mesmas palavras que o povo continha em forma de sangue explosivo, houve quem brincasse às obscenidades, quem combatesse regimes com a prosa, quem exaltasse amores proibídos e quem se multiplicasse.

E eis que chegou um tempo em que já nada era impossível. As palavras saíam em catadupa de todas as mãos, os poetas nasciam e os mesmos morriam passadas poucas horas, dando lugar à enxurrada que seria filtrada por uma nova descoberta chamada «mercado». Um tempo onde as memórias deixavam marcas, eternas porventura, mas não indeléveis. Onde quem por força do talento, o mesmo talento que de geração em geração se movia nadando cegamente, brincando, combatendo regimes, exaltando amores proibídos, quisesse vingar seria sugado para um buraco negro que cuspia letras e palavras aleatoriamente.

Mas já nada era impossível. Era possível fazer montras, era possível criar merchandising e vencer pelo marketing... Era possível deixar que outro papel, talvez mais forte, tomasse o lugar daquele que outrora dera História. Era possível deixarem os talentosos homens das palavras de fora. Era possível ignorarem-nos ou, quando muito, obrigarem-nos a suplicar por um lugar ao Sol, onde queriam estar só para serem vistos. Mas não havia lugares ao Sol. Apenas uns toldes para abrigar retalhistas ávidos de lucro que, com palavras vendáveis na mão, se orgulhavam de ter deixado obras-primas nos armazéns.

Hoje escondo a cara de vergonha ao compasso da música fúnebre que se faz ouvir em honra da nossa famigerada literatura.

Viva o Carnaval, o Carnaval de Ovar!

Estou com tosse, alguns espirros e cansado. Talvez isto sirva para explicar que o Carnaval, apesar de ser brincadeira, também é sério e também mói.
Quinta-feira, vestido de Ku Klux Klan, fui recebido com incredulidade. Talvez o racismo levado ao extremo seja algo difícil de satirizar, mas soube-me bem sentir que o facto cumpria o seu propósito. Porém, os prazeres da noite estavam algo dificultados, pois a boca encontrava-se tapada e obrigou-me a uma ginástica inesperada.
Na sexta, um bispo. Abençoei metade das pessoas da rua, casei outras tantas e acabei por me divertir ainda mais, porque desta feita apenas a moral que o meu fato imprimia podia ser uma barreira. Não foi e, afinal, pode fazer-se de tudo quando se é bispo.
O sábado era um dia especial. Era nessa noite que começava a colaboração entre a Banda do Pirilau e Os Marados. Jantámos todos no Sobe e Desce e a noite começou no desfile das escolas de samba. Seguidamente, dirigimo-nos todos às escolas e ensaiámos o esquema dentro do pavilhão. Eu, com o cabelo azul e cara de palhaço pintada de negro, vestido com o meu kit de caloiro Pirilau fiquei designado para a movimentação das pernas do Tobias gigante, o boneco que o carro dos Marados transportava.
E assim se processou no primeiro desfile, no Domingo. De fato cinzento, sapato de verniz, óculos espelhados, cara pintada de branco e cabelo lambido para trás manobrei as pernas do boneco até me doerem os músculos. O prazer de estar ali, perante tanta gente, e sentir o calor vindo de todos os foliões e de todos os vareiros e de todos os visitantes e… Enfim, é algo muito difícil de descrever.
Nessa noite, jantei com a Sara no MG. Foi uma noite só para crónicos porque o desfile deixa muita gente em casa, mas o sol já raiava quando abandonei a minha segunda casa.
A segunda era dia de muito trabalho e, claro, a Banda do Pirilau empenhou-se. Conseguimos acabar o Jogo do Pirilau (uma máquina de tirar brinquedos como as que existem nos cafés) antes da hora do jantar e fomos de camião para a festa. Neste meu jantar de iniciação, o meu jantar de caloiro, houve tempo para cantar, para rir e para chorar (ou não fosse eu quem sou). E a festa durou, já no centro, até de manhã.
No dia seguinte, o último, novo desfile nos esperava, bem como a sopa e as bifanas da Nandita que tão bem sabiam para o estômago não se sentir desprotegido. Desfilamos e, desta feita, o som não falhou como no primeiro desfile. Correu tudo como estava planeado e a festa acabou em grande. Entre as palmas do público e o obrigado dos Marados, já nascia em mim a nostalgia de um Carnaval perto do fim.
Os Marados com a Banda do Pirilau não foram além de um 5º lugar na classificação. Mesmo assim, a festa foi grande e a diversão, aquilo que a todos mais apraz, foi atingida em grau elevado. Para o ano há mais Carnaval e, até lá, nas nossas cabeças ressoará o refrão que tantas vezes repetimos:
“Eu quero ouvir o público todo a cantar: viva o Carnaval, o Carnaval de Ovar. Eu quero ver os Marados todos a saltar nesta grande festa o Carnaval de Ovar!”

Banda do Pirilau: um fim-de-semana de pódio

A Banda do Pirilau, grupo de Carnaval do qual faço parte, participou no Rally Costa de Prata de 2010 com a ambição de se divertir. Para nós, amigos que partilham sentimentos por Ovar e pela festa que o Carnaval é na cidade, a diversão está e estará em primeiro lugar.
Assim, dia 30 de Janeiro, um dia antes do desfile da Chegada de Sua Alteza Real D. Álvaro, o Barbeiro, duas equipas tomaram lugar na linha de partida. Duas equipas vestidas com o vermelho-e-branco que caracteriza a Banda.
Durante todo o percurso fomos as últimas equipas a prestar provas nos pontos onde as meninas da Costa de Prata esperavam. No entanto, os últimos são os primeiro, diz o antigo ditado, e cada prova era prestada com mestria. Prova após prova, fomos consolidando uma vantagem que, nessa altura, ainda nos passava despercebida.
Eis que, estando já próxima a meia-noite, recebo uma mensagem da Banda. Ganhámos o 1º e o 2º lugares, os únicos dois premiados, e na SA esperavam-nos os troféus e os prémios monetários. Corri em direcção aos meus companheiros e, em cima de um transporte muito especial, fomos receber aquilo que já era nosso.
No dia seguinte, o Desfile da Chegada do Rei recebeu com caloroso espanto os Calhaus na Câmara. A piada que a Banda do Pirilau levou conseguiu, por intermédio da crítica social à autarquia, alcançar o 2º lugar da classificação. A Rotunda dos Mecos, a Estátua do Caster, o Calhau da Biblioteca, a Rotunda da Poça e até o Santa Camarão estiveram representados. E, pelo segundo dia consecutivo, o Pirilau estava no pódio.

Madeira, olá outra vez

De 21 a 24 de Janeiro de 2010 passei mais quatro dias na Madeira. Na companhia do Lázaro, do Vela e do Merêncio fomos visitar o Luis Filipe (o nosso “Madeira”). Foram quatro dias de enorme cansaço, com muita poncha, muitas horas por dormir e muitas visitas aceleradas, ou não fosse o tempo estar contra nós. Ainda assim, foi um óptimo início de ano. Se Armamar tinha sido em grande, a Madeira continuou esse estado de espírito e anunciava um Carnaval enorme.
Para a história ficam as inúmeras comidas e bebidas experimentadas, as noites vividas entre amigos e em ambiente diferente daquele a que estamos habituados e a vontade de lá voltar. Como sempre…

Em pleno MG...

Escrevo directamente do MG. Há muito que não fazia um post fora do meu tão aprimorado (?) posto de trabalho, o meu quarto, mas este sítio, apesar de ser de festa e amizades tão fortes como instantâneas deixa-me com vontade de o relatar vezes sem conta. Não há memórias que apaguem o que já aqui vivi, memórias que se encontram a par com as melhores de sempre. Foi aqui que conheci a Sara e grande parte dos queridos amigos que agora tenho e, para todos, deixo aqui este testemunho como prova do meu amor. Sim, porque a amizade faz também parte da sublimação que é o amor. Este, o sítio onde descobri a mulher da minha vida, é também o sítio onde a minha vida se embala, como num sono de humanidade e profundidade amistosa, onde se encontram, a cada passo, novas pessoas, novas formas de vida, novas ondas de pensamento.
Há uma obrigação que me impulsiona a dar os parabéns ao Ruca e ao China (citados por ordem cronológica de nascimentos, para não haver reclamações...) por esta casa fantástica que criaram com o seu próprio esforço. E um obrigado, porque sem o MG eu hoje era menos um pedaço do que sou.
Já agora: até logo!

O Fernando chora sempre duas vezes

É esta a melhor versão do carteiro de Pablo Neruda. A melhor versão que não seria possível sem um grupo de pessoas que decidi denominar por A Família do MG.
Tudo começou dia 30 com o Fernando a comunicar aos seus pais que voltaria dia 1. Na verdade, só voltou dia 3. Partiu dia 30 com parte da Família MG para terras que até o diabo esqueceu, mais especificamente Gogim no concelho de Armamar.
A partida foi conturbada, porque alguns membros decidiram começar o aquecimento no João Gomes e a viagem foi perturbada pelo nevoeiro intenso. Chegados à Quinta das Infestas começou a preparação da noite que aí vinha. Todos prometeram que “seria calminho” e eis que a noite nos levou à pizzaria onde o marketing do Ral e os seus conhecimentos com quem “vende ferro” lhe valeram uma mini de borla. Vestidos como o Catita dos anos 40, quando ainda ia às maçãs, tivemos tempo de dar cabo do juízo à D. Fátima, ao Tó Zé e ainda jogámos dados. Em casa jogámos o poker que consumou a verdade da noite: foi deveras calminho…
No dia seguinte há que ir às compras por volta das duas, porque o China assim determinou com voz de comandante. As compras foram efectuadas, a limpeza da casa cumprida e depois começou a festa sempre ao sabor do feijão, que é o ingrediente preferido do Mário. Estava a corja na festa do “rabo duro”, tudo a mostrar a fisga improvisada, quando chega o resto da comandita. Uma grande farda, quer dizer, farra, se anunciava e a Rita, cheia de vontade, agarrou-se ao micro e dominou o karaoke da noite, deixando o seu Ruca abandonado às fêveras. A Luísa, mal sabendo o que a esperava, deu graças a Deus de não ter chegado antes, porque o Fernando fez questão de lhe dizer que, no dia anterior, “era só gajos de pau feito”. Mais tarde lamentaria ter-se deitado tão cedo… Na noite de réveillon, que começou com o Nando a chorar ao som do Cid, gostaria de me lembrar de mais coisas mas só me lembro do Zão, Zão, Zão, dá-me te Zão…
Até a música da botella ficou descaracterizada ao som deste novo hit.
O Pinto, que até aí se tinha limitado a ficar em segundo no póker e a guardar “o lugar de maior broa” decidiu fazer asneiras e virar o barco, quer dizer, um prato de comida nas escadas. O Ral completou o quadro com um ossito que viria a dar controvérsia, mas já nessa altura o Pinto optava por repetir a dose entre um casaco de pêlo e o saco do Intermarché. “Ó Ral ou era o casaco ou o saco”, diria o Zão mais tarde, remetendo o Ral à sua pequenez, ao passo que o Rato se congratulava por ninguém lhe ter estragado os sacos do Intermarché.
A noite acabava e o Paulinho tinha conseguido manter o seu low profile, muito embora tivesse mostrado o seu pêlo do peito repetidas vezes. O Saramago, com a fome que Deus nos fez partilhar e fazendo jus ao seu ímpeto naturalista, vagueava com as suas calças de cabedal, fetiche mais do que conhecido do Kata, que nada fez.
A distribuição de camas teria sido complicada com tanta gente, principalmente por a Vanessa ter medo de “aganhas”. Ficou na sala e mesmo assim a coisa estava complicada quando dois homens, quais salvadores da malta, se decidiram a dar o corpo ao manifesto: o Resende foi dormir para a geada e o Piroca mandou a Luisa chegar-se para lá porque aquilo “tinha de dar para todos”. A verdade é que não pintou nadinha a não ser um beijo do Saramago e uma lambidela do Merêncio no crucifixo. Enquanto isso a Nancy trazia até nós o seu registo mais feminino possível arrotando dez decibéis acima de qualquer um. Já o Seven discutia com o Rato e com o Ral, expelindo pequenas frases em crioulo como que a pedir que não lhe gritassem “Ó Miguel”.
A noite, para mim, terminou bem. Dormi com um Ratinho quentinho e quietinho a quem já tinha beijado e adormeci ao som da voz do Ral, que dizia: “que o melhor de 2009 seja o pior de 2010”. No entanto, transpirei muito com um pesadelo onde se via a irmã Lúcia atrás do Piroca e o Zão a jogar basket em pano de fundo.
O dia seguinte era dia de regresso, mas o muro tinha caído. O MG não podia esperar e a maioria da malta foi embora. Ficaram o Ruca e a Rita, acelerados por uma noite que durou até às quatro da tarde, e uma Luísa irreconhecível que até já falava. O Piroca manteve a sua mão escondida, hábito que o Fernando tentou adquirir e que o Saramago há tanto tempo vinha a praticar. Nessa noite, também calminha, o bagaço animou o vinho, o poker fê-lo a nós e a estadia terminou em grande com o Pinto, o Nando, o Piroca e o Saramago a romper o stock de chouriças do Catita. O Merêncio, por esta altura já amarelo, recusou comer e preferiu dormir mais um bocadinho, pois no dia seguinte teria de se levantar muito cedo (entenda-se por volta da uma, estando todos já a pé) para voltar a sujar o quarto-de-banho de que a Rita tinha tratado.
Terminou assim? Não! Com a vontade que onze homens na mesma casa lhe deram, o Fernando foi visitar a Sara, jantar a casa do Merêncio, cantar os Reis com o Pirilau e acabou, outra vez, a chorar no MG (de onde saiu já de manhã) … Tudo isto podia ser assim sem a Família MG? Podia, mas não era a mesma coisa!

5/01/2010

Vídeos sobre Covid-19 no canal Pista de Aterragem

O Pista de Aterragem, blog e canal de YouTube, foi transformado temporariamente numa plataforma de partilha de informações sobre o Covid-19....