Homem-rapaz-criança

A época natalícia tem coisas fantásticas. Mas cansa. Começou a 12 de Dezembro, em Lisboa, para ver o concerto de José Cid. Continuou a 13, com um almoço e uma conversa gigante no Flor dos Arcos, o “meu” restaurante de Alfama. A 17 chegaram os familiares… e assim sucessivamente.
Nunca haveria Natal sem crianças e eu percebo agora que todos somos uma. Pelo menos nesta época festiva.
Eu, pelo menos, sou criança cada vez mais amiúde. Quando recebo uma mensagem de quem amo, quando ouço uma música do Cid ou do Herman, quando falo com alguém com quem já não falava há tempos intermináveis… Sou uma criança ao lado dos da minha geração, que já casaram e tiveram filhos…
Mas gosto de ser este homem-rapaz-criança. Dá-me a liberdade de me metamorfosear sempre que precise ou queira. E a adaptação é algo fascinante…

Circo

Amanhã é dia de circo. O dia de circo anual. Oferta do Banco Espírito Santo que, afinal, sustenta esta família. E sustenta-a não esquecendo que entre os bens essenciais está o prazer do divertimento, o convívio natalício, a vontade de rir.
Mas amanhã é também dia de concerto. José Cid estará no Campo Pequeno a tocar para os seus admiradores. Eu estarei lá no meio e, espero, assitirei a um grande concerto, tocado por um dos génios da música portuguesa. Duvidam? Apareçam por lá e ouçam. Se aparecerem, tomo um café convosco.

O talento e o seu lugar

Já passou uma semana desde que visitei a capital para assistir a um congresso organizado pelo Conselho de Enfermagem. Ainda hoje não tive a coragem de passar tudo isto para o papel, se é que de coragem se trata, uma vez que as recordações, muito boas por sinal, podiam perder as virtudes. Nunca perdem, acabo sempre por concluir, mas a verdade é que assim também sabe bem. Falar a uma certa distância de algo de que gostamos reforça a nossa ligação com isso. Hoje é, por isso, como se regressasse lá.
Não pretendo exceder-me nas descrições. Essas são mais privadas, mais íntimas, e ficam registadas no diário de viagens que mantenho. Mas há notas que, independentemente da sua extensão, têm de ser deixadas aqui.
Em primeiro lugar, Lucília Nunes. Suprimo, propositadamente os títulos porque é a pessoa que me interessa. Afinal, tenho nos protocolos um pequeno ódio de estimação. Lucília Nunes é possuidora de um currículo muito completo e diversificado, mas a sua principal arma é ser dotada de uma qualidade oratória brilhante. A clarividência daquilo que diz, a forma como o faz e a noção de que o faz bem levam-na a cometer alguns excessos quando, por exemplo, comenta outras intervenções. Contudo, os excessos que possam ser cometidos são diluídos na fluidez das palavras com que nos embala, mas sem nos dar sono. Identifico-me com os elogios e com as críticas que lhe fazem. Também eu tenho sido elogiado por falar mas criticado naquilo que digo. Deixo, pois, aqui os meus parabéns.
Na segunda noite que passei em Lisboa, a noite de 23 para 24 de Novembro, fui jantar ao Café do Museu, contíguo ao Museu do Fado. Fui lá a convite de José Cid e tive a oportunidade de o conhecer. O mesmo aconteceu com Herman José e Susana Cacela, que ali estavam para cantar o fado, com César Mourão e Fernando, membro do St. Dominic’s Gospel Choir, e com artista Henrique Gabriel e seu filho. No lote de assistentes estavam ainda João Gil, Rui Pregal da Cunha e muitas outras caras conhecidas. No entanto, o facto de o estatuto social destas pessoas ser aquele que se conhece é algo que não me fascina. Por outro lado, fascina-me o talento. Há, tenho a certeza, muita gente que se convencerá do contrário, que é conhecimento que vale. Porém, é o reconhecimento que mais conta. Este perpetua-se, o outro esmorece ao fim de algum tempo.
Posso acrescentar que fui recebido por todos como se fizesse parte de tudo quando, em boa verdade, estava deslocado. Ainda assim, sentia-me perfeitamente e pude, como sempre se pode, aprender alguma coisa.
Ficam alguns contactos que espero não se percam, pelo gosto que tenho em conversar e pelo prazer que tenho em verificar que o talento, como o saber, ocupa um lugar sem limitações de espaço.

Macy Gray e o Chile em Lisboa

Faz hoje uma semana que assisti sozinho ao concerto de Macy Gray no Coliseu do Porto. Quase tudo nessa noite foi peculiar. Desde o pedinte a quem paguei um pão com três bolinhos de bacalhau e que mesmo assim continuava a pedir para comer, até ao facto de o bilhete dizer “Plateia em Pé” e haver cadeiras. Ocupei, por isso, um lugar na primeira fila e acabei por trazer duas recordações: uma nota de um bilião de dólares com a face da cantora americana e um cartaz com um pedaço de uma das letras das suas músicas escrito.
Hoje, enquanto esta televisão aqui ao lado me mostra Portugal a jogar um futebol que não é o nosso, relembro as boas notícias que recebi da editora. O livro está mesmo a aquecer.
Imagino-me, também, já em Lisboa para mais uma das minhas experiências solitárias. Assistirei a um congresso organizado pela Ordem dos Enfermeiros e ficarei a dormir na capital, num local cujo nome inclui a palavra Chile. Nunca pensei ser possível visitar a América Latina por tão poucos quilómetros. Veremos se o Chile vale a pena…

O bom caminho

No fim-de-semana transacto visitei a Corte Nova da Preguiça, agroturismo perto de Vila Nova de Milfontes. Não é a ilusão criada pelas caras conhecidas, mas sim o lado incógnito destas e o desconhecido total das amizades que se constroem assim, vindas do nada. Mas nós, pessoas, não somos nada.

A minha recordação da Preguiça nunca será vaga. É algo premente de mais para se ter passado apenas no espaço de dois dias. É aquela alegria permanente de ter ido e a saudade suada por dois corações apaixonados que gostariam de ter ficado mais tempo.

Na Preguiça não há defeitos. Os erros, encarados pelo passar do tempo mais calmo, mais lento, porque nada é feito com pressa, são naturais. E, sendo assim, não são marcas defeituosas. A passagem do Homem ali é uma marca indelével, mas é por meio dela que se retorna ao espírito primordial da calma para que fomos construídos. A mesma calma a que desejamos voltar quase diariamente.

A Preguiça é longe. Se o longe traz toda esta simplicidade então vale a pena. Aliás, podia ser ainda mais longe que desejaria da mesma forma rever José Falcão em sua casa. O longe simples, afinal, faz-se em bom caminho.

O regresso, em alguém nostálgico como me considero, que guarda as recordações de forma marcada e a elas volta de modo recorrente, é doloroso. Mais doloroso se torna se chegarmos à conclusão que a simplicidade dos momentos deixados não se encontrará no porvir. Ou, se forem achados, será por meio da dificuldade imensa da procura, que nunca devemos abandonar, mas que não corresponde à facilidade espontânea da simplicidade.

Eis-me pois na encruzilhada saudável que é querer e por meio da impossibilidade aumentar o desejo. E se na encruzilhada vier a incompreensão? Sim, é nestes caminhos do quotidiano, os mesmos que nos fazem perder, que a incompreensão se torna mais viva. Não há espaço para ela na simplicidade. A simplicidade é tolerância. Se ela vier, a incompreensão, fará com que nos sintamos como peça de um jogo de damas entre um bispo e um rei. É assim que a voz de quase todos chega até nós. Até mim. Ou talvez não seja assim. Talvez sejam apenas momentos em que o som é este, mas logo muda. Assim seja, pelo menos.

Quero a Preguiça novamente. A preguiça é bom caminho. E, na Preguiça, a preguiça é algo que se encontra com naturalidade e sem culpa. Se vivemos numa época em que todos os serviços estão à nossa disposição sem sair de casa, então enviarei todos esses e-mails e farei todos esses telefonemas.

Que me tragam a paz que a Preguiça traz.

Preenchendo-me

A semana passada foi dura. Ainda sinto os resquícios de uma alegada gripe A e das noites consecutivas, que culminaram com um concerto fantástico de José Cid. Foi assim na Festa das Latas em Coimbra, uma festa longa de mais para ser relata desta forma, quase impunemente, como se nada tivesse sido o que foi. Mas aconteceu, acabou e deixou-me mergulhado num mar de tosse e fraqueza, com menos três quilos e um batalhão de pessoas a perguntar-me qual é o segredo para emagrecer tão rápido. Equilíbrio! É esse o segredo. E talvez comer só Estrelitas ao almoço e tomar Ben-ur-ron e o seu paracetamol, ou o ibuprofeno do Brufen, para combater os sintomas da gripe. Seja ela qual for.
Agora, melhorado da tosse, mas com as horas de sono por acertar, fico até tarde a observar o brilhante trabalho de vários argumentistas americanos. Grandes séries no AXN e até na Fox Life! É daqueles trabalhos de sonho poder escrever imagens, poder usar o poder da palavra para transmitir sensações vívidas a ponto de serem vividas.
Na noite passada, neste estado insone, terminei a leitura de O Amante, de Marguerite Duras. Levantei-me sem hesitação e procurei outro livro. Desta feita, hesitei. Crónica de uma Morte Anunciada de García Márquez e A Tia Júlia e o Escrevedor de Vargas Llosa aliciavam-me. Decidi-me pelo primeiro. Iniciei a leitura depois da chamada de sempre, aquela que alimenta os sentimentos mais profundos, como se eles não fossem já auto-suficientes, e terminei por volta das 5 h. Três horas de leitura consecutiva, quase febril, mas deliciosa. A leitura, desde há muito tempo, que me fez recorrer mais vezes ao dicionário tentanto absorver ainda mais o ambiente caribenho, numa história simples e profunda, mas plena de descrições à antiga e com palavras de uso tropical e velho. Um sabor que se sente facilmente e vicia, uma tradução espantosa e, acima de tudo, uma história que é como a nossa vida, cheia de enganos e desencontros e preconceitos. Hoje começo a ler Llosa. Só para me preencher ainda mais.

A minha véspera

Perguntam-me hoje, na véspera do meu aniversário, se continuo a ter tempo para escrever. Pergunta que mexe. Afinal, o Dois Maços têm-me ocupado o tempo em permanência por estar quase a ser lançado. Estas são, no entanto, as perguntas que nos incitam a continuar. Nunca deixarei de escrever, isso é certo. Para mim não é um devaneio de adolescente (começou antes de lá chegar) e não é uma passagem de ligeireza (continuará depois de eu morrer).
Por estas razões, na minha véspera, ainda ressoam em mim palavras dos meus novos parceiros de negócio literário que dizem que, em comparação com as ambições de todos os outros que lhes solicitam impressão, sou muito mais exigente e para mim pode, um dia, não haver qualidade suficiente.
Ainda bem. Amanhã faço vinte e dois anos. E os caminhos pautam-se para a frente. Este será um deles. Porque tem sempre de existir tempo para ele.

Quando a voz declara, o ouvido lembra

Carta de um sonhador a um amor que a voz declara e o ouvido sempre lembra:

"Às vezes a nossa voz abafa-nos. Às vezes a nossa voz deixa de nos fazer sentir a nossa própria pessoa. Se falamos deixamos de estar centrados no essencial. Isto é, se falamos de mais.
No entanto, quando a voz declara, o ouvido lembra. A nossa voz diz-nos que há perigo; é quando o sentimos mais presente. A nossa voz fala-nos de amor; é quando ele nos refresca a alma. Enfim, sentimos mais o que a voz revela, para o bom e para o mau.
Por isso, é bom falar, assim como é mau falar. É bom dosear as palavras, tanto quanto é mau fazê-lo. As palavras valem o que valem e nós valemos muito mais. As atitudes passam, às vezes de mão dada com as palavras e eis que as pessoas ficam. Isso é o mais importante. Haja bem-estar ou problemas, felicidade ou tristeza, haja frescura ou cansaço, haja contraditório ou simples discurso vão, lembra-te só que eu fico. Eu lembro que tu hoje ficaste. Amo-te ainda mais por isso."

Firenze 2009

Podia ser a inscrição impressa num autocolante, daqueles que se colavam outrora nas malas de viagem e que provavam a nossa presença lá. Fosse esse "lá" onde fosse.
Este ano, em consumação de uma prenda que programei com tanto carinho, viajámos até Florença, perdão, Firenze.
É, conforme tinha já constatado há cinco anos, uma cidade magnífica, plena de História e de histórias. No entanto, não foi só Firenze que conquistou o nosso gosto. Pisa, Siena, San Gimignano, Greve in Chianti, Lucca...
Nesta última, num rasgo de sorte, conheci Luciano Orsi, um escritor e poeta naïf que vendia os seus livros na rua. Retirava-se naquele preciso momento quando o interpelei. Comprei-lhe um livro, tirámos uma foto, trocámos contactos e continuámos os nossos caminhos, separadamente, mas em comunhão de intenções literárias.
Livorno foi outra das cidades que visitámos e, desta feita, ao contrário do que se tinha passado há cinco anos, fui até à praia. Vedada, confinada a quem paga para dela usufruir. Como acompanhávamos alguns habituais pudemos fazê-lo sem despender do valor fixado. Porém, não é essa a razão do tamanho prazer desta visita, mas sim a beleza desta costa montanhosa.
Claro que as saudades ficam. Regressarei lá um dia, certamente. Por agora, restam-me as fotos dos momentos que lá passamos.

Destinos

O entusiasmo antes de se viajar nasce, como é óbvio, das expectativas criadas. Florença é o berço daquele momento histórico em que o Homem, sentindo-se plenamente capaz, assume a sua posição central no Mundo. Foi lá que nasceu a figura do génio completo, aquele que sabe um pouco de tudo, capacidade que hoje tendemos a descurar através da incessante procura na especialização.
Florença é, talvez, o melhor local que eu, à data da marcação da viagem, podia ter escolhido. Sinto-me, portanto, feliz. Contudo, não totalmente. Não é só o entusiasmo que gera raízes, também nós as temos. E grandes, porventura.
Ao viajar deixo um pouco de mim para trás. Deixo aquilo onde toco diariamente, onde trabalho e penso, deixo os objectos que me ouvem e que me levam até ao lugar dos "nossos" sonhos. Deixo pessoas. E deixo A Pessoa. Se o coração falasse e pudesse ser independente, este escravo estranhamente indispensável que trabalha sem parar até ao nosso final, pedir-me-ia para o deixar. Pedir-me-ia para fazer a mesma viagem de sempre, não de avião mas de automóvel, seguindo pela autoestrada à velocidade do sentimento e regressando, já noite, na lentidão do sono perdido. Pedir-me-ia para o deixar estar em paz, pousado numa varanda dessa pequena terra mascarada, onde as festas permanente são o sal do ritmo de vida.
Não o posso deixar. E como tenho de o levar comigo, sei que ele traz também aquela lembrança, aquele sentimento forte como um penedo e de porte enorme. Sei que ele o fará por ter vontade própria. Sei que ele se lembra de ti. E eu, pessoa diferente de um coração que nem controlo, estarei lado a lado com ele, a conversar sobre aquela rapariga que todos os dias me mostra que a viagem principal tem o amor como destino.

Resposta

Caro Júlio César,

Muito me agrada ler o seu comentário e a admiração que nutre pelo Steven. Na verdade, mantenho contacto com ele desde há três anos, sendo ele o autor do prefácio do meu segundo livro, Dois Maços, prestes a ser lançado. Desta forma, terei todo o prazer em utilizar o meu inglês em prol da sua dúvida. Queira, por isso, enviar-me o seu e-mail para fms@fernandomiguelsantos.com e dar-lhe-ei a resposta assim que a tenha.
Boas leituras!

Fernando Miguel Santos

Sunny Beach

É este o nome do maior resort do Mar Negro. Situado na Bulgária, caracteriza-se pela animação quer nocturna quer diurna, pela juventude dos seus visitantes e pelo aspecto paradisíaco das suas praias. Situado a poucos quilómetros de algumas importantes cidades históricas fica dessa forma completa a imagem de um local muito aliciante para passar férias.

E agora, neste preciso momento, bem mais aliciante do que há uma semana atrás…

Viagem Medieval à criança que cá tenho

A Viagem Medieval é ponto de visita anual. Com a predilecção que tenho por este género de temas, é sempre um prazer visitar Santa Maria da Feira por altura deste recuo temporal.
Devo dizer que, como nos outros anos, notei melhorias a nível da decoração e aumento no fluxo de visitantes e nas actividades de rua. A simpatia dos vendedores e actores, bem como a sua natural predisposição a participarem neste evento, sabe bem. É sempre bom ver corroborada a opinião de que quando queremos, conseguimos. O povo de Santa Maria da Feira faz exactamente isto: consegue. Melhor ainda, consegue todos os anos. E eu consigo marcar presença, desta feita com uma companhia diferente, mas nem por isso menos valiosa.
Por entre reencontros com afilhadas e novos conhecimentos com pessoas bem relacionadas -pronunciaram-se palavras como Câmara e Presidente…- lá chegou o Assalto ao Arraial. A torre ardeu, os telhados foram consumidos pelo fogo, mas a vitória foi dos defensores. No entanto, como vitórias absolutas é algo que nunca existiu, esta ficou manchada pela morte de uma das filhas da terra.
No final, o cansaço levou-nos bem guiados até ao carro. Como recordação, guardo aqui no quarto uma caneca grande e uma caneca de licor, bem pequena, que se fazem proteger por uma imponente espada de madeira com a inscrição D.Fernando. A criança que há em mim há-de viver tanto quanto eu.

Mira

Faz hoje uma semana que parti para Mira, em busca da paz que as folgas me trariam, para me juntar à Sara e às amigas. Tinha como hora limite as 22:00, facto que me fez acelerar e manter o ponteiro um pouco acima daquilo que é habitual. Acompanhando o trajecto, as folhas do Google Maps que cumpriam o seu papel de co-piloto e o relógio cada vez estava mais certo de que conseguiria chegar a tempo. Com esse pensamento entrei numa recta enorme, pouco iluminada e deixei o carro ir ao sabor do peso do meu pé. Entre os 70 e os 90 km/h viajava quando vi uma luz enorme. Alguém acendera os máximos e de dentro do halo luminoso saltou um cão. Sem tempo para travar, atropelei-o e ele ficou inanimado na berma da estrada. Não chorei por pouco. Voltei para trás, liguei aos meus pais e depois, como nada podia fazer, segui viagem.
Assim foi o início da minha estadia naquele parque de campismo. Nessa noite fizemos uma amizade nova com um vizinho de tenda e acabámos a noite no Raio X.
Na noite seguinte, fomos ver os Platinum Abba na Expofacic. A princípio estava muito céptico em relação à imitação que iria ver. Passados poucos minutos encontrava-me encantado, acompanhando a Sara nesta admiração que ele transportava consigo ainda antes de entrarmos no recinto. Como não podia deixar de ser, enviei-lhes um e-mail no dia em que regressei a casa. A Sarah (que imita a Frida) respondeu-me e estabelecemos aquilo que, por e-mail, cada vez é mais invulgar: uma conversa! Ainda na Expofacic andámos num carrossel de alta velocidade (com dois sentido: para a frente e para trás!) e no popular Kanguru, junto ao qual fizemos a boa acção do dia, ao ajudar uma rapariga a reencontrar o seu telemóvel. Como inimigos, ou não fosse essa a atitude típica, tínhamos os responsáveis pelo divertimento que por pouco não juntaram o dispositivo aos seus pertences.
Se de noite perdia o sono, de dia perdia o juízo. E, por essa razão, acabei com um escaldão tremendo. Com costas, pés, pernas e braços a pedirem a minha atenção partimos para a última noite. Estivemos junto à praia, bebemos, conversámos… Mais tarde, nada melhor do que um night club vazio para vibrar ao som dos 80’s. Michael Jackson marcou presença, bem como a saudosa Eileen. Mas, chegados a um ponto incontornável de cansaço, fomos embora.
A manhã de sábado acordou-nos com chuva. Talvez a lembrança da responsabilidade. Mas antes era preciso arrumar tudo. Fui buscar o carro e o destino fez o favor de me obrigar a fazer aquilo que sempre prometo: voltar. A minha carta de condução está em Mira desde esse dia, só hoje me apercebi. Voltarei em breve, portanto, nem que seja por um período de tempo curto de mais.

Luís “Madeira” Romão

É este o nome de uma das pessoas mais importantes da minha vida desde há quatro anos. É este o “dono” da casa que sempre nos albergou. É este o nome que sempre estava presente (também não tinha para onde ir…). É este o homem que correu meio Portugal em viagem e outro meio em busca de alguém do género feminino.´

Amanhã despeço-me deste amigo que, por muita distância que nos separe, não esqueço e guardo como um dos melhores.

Eu sei que voltas. Afinal de contas, é nestas alturas que vemos o amor que nutrimos pelos nossos amigos e, por isso, eu quero acreditar que ainda hei-de voltar a trabalhar contigo.

Não esqueças. Nunca. Sabes onde me procurar. Se não o fizeres, eu encontro-te!

Grande abraço!

Boa música, melhor companhia

Nada melhor do que estar num festival, em ambiente de festa, na companhia daqueles de quem gostamos. Ouvir Jason Mraz tocar os seus sucessos de uma forma reinventada é sentir que há espaço para a criatividade sem fim. Assim sabemos que todos podemos ir um pouco mais longe.
O dueto com a Colbie foi, como era de esperar, um dos momentos da noite no Festival Marés Vivas.
Ontem todos agradeceram a Gaia, cidade que realmente alberga e organiza o festival, mas o público gosta mesmo é de ouvir os seus ídolos a expressarem-se em português.
«Obrigado povo de Gaia», disse o vocalista dos Keane, banda que me reconquistou apesar da lancinante dor de costas que me surgiu. E eu reitero a afirmação dele, porque só um povo assim poderia criar condições para um evento desta envergadura.

Em altas marés

Como se não bastasse um casamento animado como foi aquele em que marquei presença no sábado dia 11, chega agora o Festival Marés Vivas, aliás prestes a terminar hoje com os concertos de Jason Mraz, Brandie Carlile, Keane e Gabriella Cilmi. É mesmo assim, tal qual a contradição da frase anterior ilustra: chega e vai, tão rápido que deixa certezas de regresso para o ano que vem.
Ontem, naquele mesmo recinto onde já passaram Macy Gray e The Prodigy pude ver os Scorpions que não sendo da minha geração nos empurraram numa onda de diversão que faz juz à tatuagem do baterista: Rock & Roll Forever. Ver aqueles homens, com uma carreira de tantos anos, é uma lição de saber estar em palco e de saber fazer música.
Hoje, um dia tão esperado, espero reviver os fantásticos momentos do Coliseu do Porto. E lá estarei de mão esticada, pronto a receber uma foto da Polaroid de Jason Mraz...

Nikola Tesla

Através das felicitações do Google, que festeja o seu aniversário com o já típico logótipo alterado, descubro que Nikola Tesla foi homem de várias invenções. Acabou por ser plagiado por Marconi e por Edison que hoje carregam nos seus nomes os louros de outro homem, não menos capaz mas provavelmente mais incauto.

Honra lhe seja feita já que o tempo de justiça se perdeu a 7 de Janeiro de 1943.

Michael Jackson

Após tantas músicas, records, tramas e intrigas, fica a memória de quem encantou o Mundo com uma forma de estar diferente. Até sempre, MJ.

Finalista que acredita

Após quatro anos de esforço, após tantas noites perdidas, tantas discussões mantidas e, acima de tudo, tanta camaradagem e amizade demonstradas, somos finalistas.
Com alguns perder-se-á o contacto, mas anseio por poder demonstrar que somos um grupo diferente, que não somos estranhos, que somos parte de um mesmo corpo que se formou paulatinamente e que criou dentro de nós raízes inabaláveis. Quero acreditar que a tecnologia está do nosso lado e que contribuirá para que a parte mais importante, o amor que sentimos uns pelos outros, seja suficiente para que nos voltemos a falar e a ver.
Quero acreditar que sou importante para vocês ao ponto de tomarem a iniciativa e quero acreditar que tenho a coragem de fazer o mesmo. Já o dissemos, falta cumprirmos.
Quero acreditar que todos serão bem-sucedidos. Quero acreditar que aquela casa, a nossa Mansão Piroca, ficará para sempre nos nossos corações, mesmo que nunca lá voltemos, e que simbolize a união que temos mesmo que o espaço e o tempo nos separem.
Eu quero acreditar que nada vai esmorecer entre nós. Eu sei que é difícil. Mas se a vontade nos guiar e todos acreditarmos juntos conseguimos.
Guardo-vos, meus amigos, na pequena arca a que chamamos coração. Quanto a mim...sabem onde me encontrar.

Com muitas saudades,

Fernando Miguel Santos

Purple Rain

Alguém mais no mundo saberá o que é acabar a melhor das noites dançando ao sabor de Purple Rain?

Madrid

Madrid mexe com qualquer um. É fantástica a proximidade de tudo o que é bom ver, quer através do Metro quer a pé, e mesmo assim ter a noção de ser uma cidade enorme com rotundas que são verdadeiros monumentos, plazas com animação de rua de extrema qualidade e uma noite cheia de vida (mesmo que seja durante a semana).
E pensar que nós, sim nós os dois, um casal apaixonado, tínhamos pensado em Madrid como uma opção secundária... Esperem, vocês leitores, até verem as imagens do lago de El Retiro, onde se pode alugar um bote e remar por 45 minutos e logo perceberão o erro que cometemos.
Por tudo isto, como é natural, estou sintomaticamente com saudades.

Carta aberta

Após solicitação da identificação da minha companhia na grande festa que foi o São João remeto, em carta aberta, o meu sincero pedido de desculpa.

Caros amigos,

Após a excelente noite passada em conjunto, com tamanhas revelações e revoluções, dança, marteladas, cor e, acima de tudo, boa disposição, cometi um dos maiores erros de quem tem um ego que ocupa páginas e páginas, anos a fio num blog da qualidade do que agora lêem: não mencionei o vosso nome. Por isso, peço desculpa. Nunca foi, nem será em nenhum futuro, próximo ou longínquo, minha intenção ferir os vossos sentimentos. Aqui se encontra a minha redenção em forma de agradecimento sentido.

Muito obrigado Ana Maria, Paulo, Raquel e Sónia (alfabeticamente ordenados) e até para o ano.

Fernando Miguel Santos

Revelações sexuais

O que faz alguém incorrer em revelações íntimas numa noite de festa? Exibicionismo? Pura gabarolice? Não. Talvez seja apenas o impulso de fugir ao padrão social e poder, por vezes, abrir o pano do teatro dos tabus, deixando-os representar livremente a parte tão importante que desempenham na peça da nossa existência.

A peaceful stairway to heaven…


Assim são os cuidados paliativos. Uma escada florida para um destino diferente daqueles a que sempre nos habituamos. Ou, simplesmente, a peaceful stairway to heaven…

São João

Já foi na noite anterior a esta última, passada a trabalhar num serviço fantástico, que cheguei a São Bento com expectativas médias, depois de as baixas terem desaparecido com o fulgor de conhecer novos rostos felizes.

Sem que assim aprece, as companhias mais improváveis são as que festejam melhor a novidade que para elas somos e a extrema beleza da descoberta que são para nós.

Por isso, graças a três meninas e um rapaz, aos quais muito agradeço, tive um São João em grande, com dança, marteladas e, acima de tudo, o prazer de uma noite passada em claro, em festa e em boa companhia.

Twitter

O novo fenómeno da web criou, em mim, um sentimento bastante semelhante ao que antes criara o jogo Championship Manager, o "nosso" CM, agora apelidade de Football Manager.
Registei-me há vários meses sem nunca ter escrito uma única entrada. Estranhei o facto de estar limitado no número de caracteres e de pensar que possa haver alguém que queira saber o que comigo acontece ao segundo, se eu assim pretender.
No entanto, como no jogo que só mostrava comentários das partidas de futebol, é algo que acaba por se tornar natural e que se gosta. E que, aparentemente, tem levado algumas carreiras a subir, por poderem, com uma simples frase, mostrar mais de si e do seu trabalho.
Interessante pensar que aquilo que um dia começou por este blog, a minha verdadeira iniciação enquanto autor na internet, passou agora para o site, para o hi5, para o facebook, para o myspace e para o twitter. Acredito, por isso, que no dia em que o meu nome seja citado a alguém como referência, existem sérias possibilidades do interesse poder ser satisfeito online, facto que proporcionará óptimas consequências àquilo que considero ser a minha carreira.
Deixo-vos, então, com um cliché da nova rede social online:
Follow me on twitter.com/FernandoMSantos.

Alexandre O'Neill

"Um convencido é o vaidoso que quer extrair da sua vaidade, que nunca é gratuita, todo o rendimento possível. Nos negócios, na política, no jornalismo, nas letras, nas artes." E, neste caso, não era surrealismo o que escrevia.

O voto compulsivo

Era uma vez um país que se gabava de viver em democracia. Este país, por estar habituado a viver austeramente, mantinha-se equilibrado. Para o fazer, mantinha viva a chama da revolução, florida e sem sangue, por sinal, que trouxera paz as mães e descanso aos combatentes.
Certo dia, qual doente psiquiátrico, acordou e lembrou-se de eleger o ditador como o Maior Português num programa televisivo. «Deve ter descompensado», pensaram todos. E ficou o assunto resolvido.
Porém, noutro dia, ao acordar, lembrou-se que talvez fosse melhor aplicar o voto compulsivo para melhorar a democracia. Terá notado que compulsivo e democracia são palavras que não ligam? Para que lutaram os seus capitães, para que evitaram o sangue tentando não perder a razão, para que mudou o regime político?
Obrigar a que se vote é atentar contra a liberdade individual. Talvez um dia este país acorde e se aperceba que se os seus eleitores não elegem a culpa é apenas sua.

Dimensões biológicas

Nunca será de mais repetir que a nossa dimensão biológica está mais presente do que gostamos de admitir. É certo que, havendo excepções, a maioria dos seres biológicos que somos tende a deixar-se levar por esses mesmos traços, não os inibindo.
Nota-se isso perfeitamente na atracção entre os dois géneros. Se por um lado os homens são mais visuais, as mulheres, por seu lado, ligam mais ao estatuto, leia-se aos desempenhos sociais. Quem rebate esta teoria redunda, invariavelmente, no argumento da futilidade. Que nem toda a gente é assim, que não se pode generalizar, mas a verdade é que, em algum momento da nossa vida, todos resvalamos para esse lado, o que não é necessariamente mau se nos apercebermos e tentarmos corrigir.
Está nos genes escrito que teria de ser assim. E sendo biológico, fisiológico até, podemos contrariar mas nunca erradicar. Afinal, isto verifica-se em muitas ocasiões: na forma como homem e mulher encaram as relações de curto-prazo (elas mais sentimentalmente, eles mais fisicamente); como estabelecem uma relação (elas sendo solicitadas por eles ou, caso solicitem primeiro, esperando receber deles um sinal de que estão certas); como reagem às adversidades (eles perseguindo aquilo que querem, elas fechando-se na esperança de uma mudança de ideias)... A lista continuaria e sofreria, como muitos argumentam com verdade, a pena de ser uma generalização. No entanto, é verdade que, mesmo que sejamos excepções, somos assim a espaços. E tendemos a negar exactamente porque reconhecemos que este tipo de diferenças estará sempre ao nosso lado.
Queremos ser diferentes? Está ao nosso alcance, graças às dicotomias que as relações apresentam. E não são essas dicotomias que tornam as relações, durem elas o que durarem, mais divertidas e recompensadoras?


Quatro angustiadas letras...

...formam aquela palavra que todos querem e, simultaneamente, temem ouvir. Quatro alegres letras formam a palavra que todos anseiam mas adiam dizer...

Açúcar debaixo da língua

Sempre. Não só para recuperar de uma possível hipoglicemia, nas noites de maior loucura académica, mas também porque é assim que se deve viver as amarguras da vida. Com açúcar debaixo da língua forçamos a nossa força interior a deixar de se preocupar. Talvez devêssemos até perder o desejo vingativo. talvez devêssemos, apenas, deixar fluir as coisas como elas são, não as forçando. Mas isso seria desistir.

Antes uma chuva de setas no peito que uma única seta nas costas…

Solução: pai e mãe

Em tempos mais negros, quando nos sentimos mais em baixo ou mesmo quando tudo parece não fazer qualquer sentido é neles que me refugio. E se o faço é porque são a solução mais brilhante que poderia ter. Assim como falo de todas as outras circunstâncias, situações, estados de espírito ou pessoas quero, por obrigação sentimental própria, afirmar que estão sempre lá.
Ora visitando-me numa terra distante porque me sinto mais cabisbaixo, ora surpreendendo-me num cortejo de finalista, ora chamando-me à atenção para perigos e laçadas, ora aconselhando-me em qualquer situação, a verdade é que sei que tenho ali uma família onde posso apoiar-me. E ainda estão lá os membros mais novos, os meus irmãos, para darem uma palavra marota, para fazerem rir e para ajudar naquilo que sabem.
Por tudo isto, e pelo amor que nutro por eles, não há agradecimento que seja suficiente.

Os 906,1 Km de estrada

Jack Kerouac, que leio agora em francês, percorreu os Estados Unidos de costa a costa. Também eu, com os amigos que me acompanharão sempre na memória, percorri quilómetros inimagináveis, mudei-os e mudei-me, numa troca de experiências inexplicável. Destes quilómetros os últimos foram contabilizados em 906,1 o que muito diz do esforço que estabeleci para estar sempre presente.
Presente é aquela palavra que todos gostamos. É o agora, é o já, é a prenda. E é este que temos de viver e ter plena noção de que se não fosse o passado que agora vamos deixando o presente, tanto o agora como a prenda, jamais existiria.

Balanço emocional

Sim, estou em época de balanço emocional. E os valores pendem para as lágrimas de alegria, algumas, de tristeza, outras.
A frase de Chateaubriand que encabeça este blog diz tudo aquilo que sinto neste momento. Apesar de saber que não somos indiferentes uns aos outros, amigos de curso acabam, mais cedo ou mais tarde, pela ordem natural da vida, por se separar. Essa é esta hora. Iremos separar-nos, é certo, mas isso não muda aquilo que sentimos. Amigos. Para sempre.
Uns terão filhos e tratarão da sua família, outros prosperarão e serão reconhecidos, outros ainda terão problemas em lidar com os desafios que a vida nos traz. Este desafio, por exemplo, é muito duro para mim, que tenho, como dizem alguns, "um choro fácil".
No entanto, apesar de tudo isto ser difícil há algo que não podemos esquecer: estivemos aqui. Não estaríamos tristes se não tivéssemos tido o privilégio de nos conhecer e de viver os momentos inesquecíveis que vivemos.
Os ENEE's, os Enterros, as idas à Bruxa, as saídas para a praia, as bebedeiras... Alguns ficarão mais próximos, outros mais longe, mas de uma coisa todos podem ter a certeza: por terem mudado a minha vida, nunca serão esquecidos.
Obrigado!

500 Km de vida académica

Chegou o último enterro. Nada me impede de comparecer, nem a distância nem as obrigatoriedades a que me encontro sujeito. Nada.
Sempre que me separo daqueles que durante quatro lindos anos me acompanharam, mesmo sabendo que dormem enquanto trabalho, ou seja, mesmo sabendo que se encontram em melhor situação, abate-se uma tristeza sobre mim. Fruto do cansaço? Há-de ter a sua quota-parte. No entanto, é fruto, acima de tudo, da amizade que nos une.
Este é para vocês. Este post e este beijo. Porque não há amigos assim em qualquer parte, nem que se multiplique os quilómetros percorridos. Até logo!

Arroz de trabalhador com molho de tempo a menos

Ingredientes:

Uma mão de arroz por cada pessoa
Um trabalhador
Um relógio avariado
Alho em pó q.b.
Caldo Knorr


Modo de preparação:

Pegue no trabalhador, ofereça-lhe o relógio avariado e espere enquanto o cérebro dele, a marinar, chega a um estado de confusão aceitável. Acrescente o arroz e o alho. Misture bem. Pode também acrescentar queijo (para ajudar a esquecer) ou um pouco de vinho (para afogar as mágoas). Misture novamente sempre no mesmo sentido para criar tonturas e náuseas. Retire-lhe três folgas no mês e volte a misturar. Agora arranje-lhe algumas preocupações e pressione-o. Espere um pouco até a paciência estar em água. Acrescente o caldo Knorr e veja o molho de tempo a menos a borbulhar...
A sua receita está pronta. Bom apetite!

Antes quebrar que torcer

Um certo enfermeiro, cujo anonimato mantenho pelo óbvio, disse-me um dia ter um tipo de postura que se diferenciava da dos outros. Respondi eu que isso só lhe traria olhares indiscretos, palavras escondidas, recantos com segredos e neles sempre o seu nome. Concordou. No entanto, provou-me mais tarde ter consciência de tudo isso e, note-se, transformar em prazer o que as mãos que tapam as bocas que falam pensam ser crítica fundada.
- Sabes o que gosto mais do que o corta-corta? O quebra-quebra!

Sem volta (a dar)

A propósito de 100 Volta, o novo filme português, repete-se a história da dependência que o nosso cinema tem de dar nas vistas pela força das imagens. Por meu lado, sendo sincero, orgulha-me que o meu país aceite filmes quase explícitos, orgulha-me que haja mulheres suficientemente bonitas para os protagonizarem e realizadores satisfatoriamente corajosos para os dirigirem. No entanto, já não é orgulho, mas sim vergonha que sinto quando olho para os argumentos, saídos, aparentemente, de um buraco negro. Sexo sim, mas não apenas isso. Corpos nus também, mas que não sejam o mais importante. Afinal, aquilo que devia ser puro prazer e acto decorativo para o espectador passa a ser razão para se deixar de gostar do cinema português ou de passar a gostar pelas razões erradas.

Jason Mraz

Marcado pela espera e pela falta de provisões, por quebras de tensão e por momentos absolutamente idílicos, o concerto de Jason Mraz no Coliseu do Porto, com uma banda norueguesa e outra britânica como brinde, superou todas as minhas expectativas.
Se se pensa que ter um preto com rastas e óculos de sol a tocar uma imensidão de instrumentos de percussão e um havainano a tocar outros tantos de sopro é incomum, então fale-se de ter sido o próprio Jason a tirar fotos numa Polaroid e a enviar para o público, de ser ele o apresentador das duas bandas que o precedem, de ser ele a alma pura e dura do espectáculo...
Falar-se-á, garanto, por muito tempo... Pelo menos, a dois.

O futuro nas efemérides

Há cinco anos atrás nascia este pequeno grande espaço onde largo pedaços de mim e momentos do tempo, como se se tratasse de uma memória, só minha e, simultaneamente, colectiva. Sete de Março. Desde esse dia, somos dois.
Desde o primeiro dia de Janeiro, somos três, contando com o novo site, discípulo do Fiel Depositário.
Sensivelmente desde as 3h10 de hoje, somos quatro. Sete de Março.

Contágio de cores

As máscaras caem, mas o Carnaval é quando um homem quiser. Há quilómetros a percorrer, há horas a passar, há tempo a dispensar e há que viver como se quer. Afinal, o Carnaval de Ovar não tem só três dias e, veremos, a vida pode não ter só dois. O ditado que nos leve a pensar assim e que nos permita que não os desperdicemos, pois isso é o mais importante.
Depois dos dias de folia volta a tempestade da vida diária e, por certo, nada será igual, porque a cada dia mudamos, a cada dia somos alguém novo, só guardando a matriz que nos constitui.
O Carnaval não é senão uma metáfora da vida onde também temos momentos em que nos sentamos na beira do passeio, como num apagão, e queremos não falar, não ouvir, não mexer, mas que descobrimos que há alguém que fica ao nosso lado o tempo todo e que quer que o façamos e acaba por nos levar a reagir. Estes são aqueles a quem um obrigado basta, mas não devia. Mais seria merecido.
É na vida, também, que queremos dar mapas para sermos descobertos, a medo, com receio da mudança e daquilo que os outros possam pensar, com ansiedade por temermos a mudança de opinião da nossa parte ou de quem nos rodeia. E é no Carnaval que temos de mergulhar numa multiplicação de cores, de cabeça, para que a nossa vida seja, por contágio, colorida pelas mesmas tonalidades que sempre vimos nesta grande festa, mas que nunca discernimos ser possível trespassarem o nosso dia-a-dia.

Um Oasis Carnavalesco

Depois de um concerto brilhante em Lisboa, vem o Carnaval.
Parece que ainda ouço os Oasis a levar o Pavilhão Atlântico à Lua com os hits que criaram. Parece que ainda ouço o motor do meu i10, fino e persistente, corajoso quase, a viajar até Lisboa. Ouvir o Don't Look Back in Anger, que tanto me liga à terra do Carnaval, foi como que um presságio de noites brilhantes em redor dos amigos.
E chegou. O Carnaval, a festa, a folia. Esta noite, cheguei eu.
Ovar é quase um enclave (mas com costa marítima) e o MG a capital. Adoram o basquetebol, adoram o Carnaval, cultivam a festa com disfarces ímpares e, acima de tudo, descomprometidos. Nós éramos três por mascarar. Visto de longe, sentia-se a diferença. Mas eis que um simples pedido de um cigarro tratou da minha integração, transformando-se numa conversa e tornando a noite diferente, muito mais apetecível e repetível (como se as noites em Ovar já não o fossem bastante).
Venha Segunda!

Pessoal, transmissível e de possível reprodução para obtenção de lucros

É esta a definição do meu blog. Uma definição de total abertura. É aqui que deposito todos os prazeres, aventuras, desventuras, poderes e incapacidades que tenho vindo a perceber ao longo desta bonita caminhada. Há problemas? Escreve-se. Há novidades? Contam-se por escrito. Há viagens? Viaja-se pelas letras.
No entanto, o lançamento do novo site www.fernandomiguelsantos.com pode deixar a vaga sensação de separação. Nada mais inconsistente com a realidade. Na verdade, tenho vindo a aproximar-me cada vez mais deste blog, ainda que o tempo não me sobre tanto quanto gostaria para poder nele depositar o que me aprouver. Ainda assim, posso atestar que tenho, desde há algum tempo, um amor inestimável pela companhia que ele me tem prestado. E isso não há site que pague.
Ainda assim, este blog nunca poderia ser desvirtuado com campanhas promocionais ou vendas. Nem tampouco com a promoção pura e dura, sem fundamento ideológico e, acima de tudo, sem cunho pessoal. Há ainda que acrescentar a visibilidade. Na plataforma pessoal, este blog tem a visibilidade que lhe é necessária, nem mais nem menos. E caso esta mude, continuará a ser a necessária. Cada momento, cada número, ao sabor dos tempos.
Já no caso do site isto não acontece. Há uma necessidade premente de visitas, uma marca para vender que tem o meu nome, uma arte que importa profissionalizar e, pessoalizando, apartar daquilo que é privado ou até mais íntimo. Lá poderei mostrar aquilo que produzo, aqui aquilo que sinto. Contudo, não deve ser esquecida a origem de ambos, que é a mesma, e que pode levar a uma sobreposição. Atente-se em ambos e logo se verá que proveitos deles se retira...

MG

O MG, em Ovar, encheu-se ontem de amigos. Caras já conhecidas de outras alturas e outras perdições. Algumas com conhecimento de causa, outros pela simples expectativa ansiavam pela surpresa. Chegou à meia-noite, em forma de prenda de aniversário, acompanhada de um bilhete para os Oasis.
Cantei Don't Look Back in Anger com a vontade de encher os pulmões de ar e rebentá-los a cada nota. As cordas vocais, que temia estarem desidratadas, portaram-se ao gosto de alguém que se obriga ao ideal. E cantar perante dezenas de pessoas, ouvi-las tão perto a acompanharem a minha voz, vez os olhos marejados do aniversariante e, acima de qualquer coisa, a maioria deles ali, os amigos. Palmas, alegria, o final da noite na SA.
Ovar é uma terra de alegria. O espírito do Carnaval nunca a abandona. Merece mais do que umas pequenas visitas, merece permanência e procura e pesquisa e interesse. E há as mulheres vareiras, donas de um samba de formas gritantes. Mesmo assim, não há mulher que pague a beleza das amizades sempre ali, a acenar a palavra "presente" em qualquer altura. Obrigado, devolve a nossa voz interior. E até ao Carnaval!

De venda nos olhos e toque no ombro

Um toque no ombro, com mão pousada. Um mar de letras impressas e capas berrantes e silenciosas. Uma recordação nada ténue. Um tempo recuperado na mesma página, com as mesmas letras e as mesmas capas, sempre berrantes e silenciosas.
Volta-se atrás no tempo, não se desminta. Viver é viajar assim, perder o rumo com um toque de ombro. Voltar à tona do tempo com uma conversa de horas e deixar o guia da voz levar-nos... A vida, no final de contas, é uma Ciência Viva...

Orgulho

A noite nunca é escura de mais para pensar. Os pensamentos podem ser escuros de mais para a noite. Assim como as manhãs cobertas de nevoeir...