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A mostrar mensagens de Junho, 2005

Goucha versus Winfrey

Sempre fui dos que protege Portugal contra os temíveis invasores estrangeiros que, quais turistas atentos, não levam só as boas recordações mas também as más que, de resto, tendem a exagerar. Quando de cá saí pela primeira vez percebi porquê. As diferenças são tão nítidas que não valem sequer o esforço de enumerá-las. Ainda assim, continuo a defender Portugal. É um país bonito, com situações de rara e crassa estupidez, mas também de gente acolhedora e exportador grandes cérebros.
As referidas diferenças encontram-se até nas coisas mais insignificantes. O seguinte exemplo bastará. No seu programa, Manuel Luís Goucha tem como hábito fazer várias ofertas, como rosas e coisas do género. No caso de Oprah Winfrey oferecem-se carros a todos os assistentes! Se aqui a disparidade é mais do que evidente continua, ainda assim, a ser aceitável. Ou não fossem os portugueses a ter de estreitar a cintura…

Um sorriso na cara, por favor

Outro conto:

Nos primórdios da Antiguidade havia um sábio, muito velho, junto do qual todos se aconselhavam. As palavras proferidas por tal homem tomavam importância de profecia e, segundo alguns relatos, se o aconselhado cumprisse o conselho era com certeza bem sucedido. Acontece que a fama do velho passou de tal forma de geração em geração que um dia, já na nossa era, uma menina triste decidiu voltar ao passado para sentir o conforto da voz gutural do sábio.
Eis o que acontecera: um desgosto de amor, uma história irreflectida de abandono e o posterior sofrimento daí decorrente. Quando, depois de abandonar a sua época e atravessar as raízes mais profundas do tempo, a menina se sentou ao lado daquele homem, desgastado pelas eras e pelo cansaço, mas sempre vigoroso na arte de aconselhar, ouviu:
- Filha, não te preocupes. Se assim aconteceu, então tinha de acontecer. Agora resta-te viver o resto da tua vida, em frente, de cabeça levantada, sempre com um sorriso nos lábios. Se tal não for …

Alma do poeta

Para o poeta os olhos de ninguém são um vidro. O poeta vê a essência interior até pelo olhar. Sofre mais por isso, porque vê e sente o sofrimento dos outros. Ainda bem. Sem ele o mundo seria bem mais triste.

Vasco Gonçalves, Álvaro Cunhal, Eugénio de Andrade

Três grandes vultos da nossa história despediram-se de nós. Sendo que me sinto, como é lógico, mais ligado às Letras do que à Política a morte de Eugénio de Andrade toca-me mais. Perde-se a rigidez militar de um ex-Primeiro Ministro, a força do sangue revolucionário de um guerreiro, a rima livre e cadenciada de um dos maiores poetas do nosso tempo. Ficam as memórias. Bem guardadas em todos nós.

Avante camaradas, que o Mundo é nosso!

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Tudo o que se passou na quinta-feira deixou-me, como viram, muito sensibilizado. O "discurso" que fiz saiu fraco porque o nó na garganta era asfixiante, mas transpareceu a intenção ("Avante camaradas, que o mundo é nosso!"). Por esta razão, aqui vos deixo o relato sentido de tudo o que vivi por vossa causa.
Este fim-de-semana, depois de sair do Get It, fui, como vos tinha dito, para Vila Velha de Ródão, distrito de Castelo Branco. O calor abrasava tudo à nossa volta, mas a maior ardência vinha de dentro, das saudades que tinha e tenho de vocês. Foi por isso que comi menos, dormi menos e sonhei muito mais.
Na sexta, chorei como não me lembro de ter chorado e, num parque infantil, sentado no baloiço voava em direcção ao céu de olhos fechados sorvendo o ar em redor e vi as vossas caras uma por uma, professores incluídos. Ao longo dos três dias agi sempre com vista à recordação: bebi Vidago de maçã, passei por uma terra chamada Nisa (recordando numa, todas as pessoas),…

2.000

Não posso deixar passar despercebida a chegada aos 2 mil visitantes. Gostava de saber quem foi, mas tal é improvável que aconteça. Assim, espero daqui a um ano ser obrigado a congratular-me convosco, leitores assíduos e circunstânciais, que colocaram ali naquele cantinho um número tão redondo quanto bonito. Parabéns a vocês!

Onde se fala de cotovelos, competição e muito mais

È com muita pena que vejo que as coisas nem sempre são o que parecem. Que as aparências iludem todos sabem, mas que as pessoas se tornem diferentes por coisas tão insignificantes é que é incompreensível, se não inadmissível.
Pois não é que depois de ter ajudado uns, acompanhado outros, e gostado de todos, quase me apunhalam pelas costas? Aqui, no entanto, ninguém pode tocar-me com o espectro da censura e sou, portanto, livre de dizer o que quero, o que me apetece e até o que não devo. Não o faço por respeito àqueles que não merecem ouvir o que não lhes é destinado.
Acontece que a competição, quando saudável, é bonita e estimulante, mas quando doentia, torna-se completamente desinteressante e estúpida. Hoje, por causa de "cotovelos ensanguentados" ou seja pelo que for, perdi um valor numa nota. Fica aqui a promessa de que não deixo passar mais nenhuma destas situações impune, nem que para "estancar o sangue dos cotovelos lhes tenha de amputar os braços". Doa a quem …

Feira dos Minerais

A Faculdade de Ciências da Universidade do Porto realizou, nas suas instalações da Praça dos Leões, uma Feira dos Minerais. Por ser a primeira que visitei foi diferente, mas confesso que cansa ver tanta pedra junta. Umas muito bonitas, outras nem tanto, mas o meu conselho para estas situações é: olhem primeiro para a pedra e só depois para o preço, porque se fizerem ao contrário é certo que vão achar a pedra feia. Apesar disso ainda me obriguei a mim mesmo - não podia sair de lá sem o fazer - a comprar uma recordação. Entre ovos, conchas e outras pedras gastei quase 30 €.
Por fim, fica a nova experiência, a repetir, e a noção de que mesmo o inerte é bonito, se for visto em vez de olhado.

Il Divo

Que eles eram um portento da música já toda a gente sabe, mesmo quem não aprecia. Contudo, foi comovente vê-los interpretar a estrofe final de Regressa a mí em português. Quatro vozes tão diferentes entre si, estilos tão distintos e uma interacção tão equilibrada e cantada em português. Enfim, pena não ter gravado, porque com certeza não se repetirá muitas vezes.