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A mostrar mensagens de Agosto, 2014

Vende-se

Vende-se homem resoluto De olhar impoluto Inteligência sagaz Homem de sono curto Que do tempo é um furto Que num bocejo se desfaz Vende-se nesta garagem Tornou-se uma miragem Daquilo que foi outrora Numa cama abandonado A qual se terá tornado Na estrada que vai embora Desaparecia rio acima Escondido na neblina Como tesoureiro da paz Guarda um baú vazio Naquele olhar sombrio De quem nada satisfaz Mas quando os olhos lampejam As vozes gorgolejam E é marcado a ferros quentes Flamejam-lhe as pupilas E aos ouvidos reguilas Prende-se de unhas e dentes Deixa-se adormecer Espera nunca morrer Esconde o rosto na almofada Sonha com nada sonhar E pretende acordar Sem ter pensado em nada Fernando Miguel Santos 09-08-2014