Destinos

O entusiasmo antes de se viajar nasce, como é óbvio, das expectativas criadas. Florença é o berço daquele momento histórico em que o Homem, sentindo-se plenamente capaz, assume a sua posição central no Mundo. Foi lá que nasceu a figura do génio completo, aquele que sabe um pouco de tudo, capacidade que hoje tendemos a descurar através da incessante procura na especialização.
Florença é, talvez, o melhor local que eu, à data da marcação da viagem, podia ter escolhido. Sinto-me, portanto, feliz. Contudo, não totalmente. Não é só o entusiasmo que gera raízes, também nós as temos. E grandes, porventura.
Ao viajar deixo um pouco de mim para trás. Deixo aquilo onde toco diariamente, onde trabalho e penso, deixo os objectos que me ouvem e que me levam até ao lugar dos "nossos" sonhos. Deixo pessoas. E deixo A Pessoa. Se o coração falasse e pudesse ser independente, este escravo estranhamente indispensável que trabalha sem parar até ao nosso final, pedir-me-ia para o deixar. Pedir-me-ia para fazer a mesma viagem de sempre, não de avião mas de automóvel, seguindo pela autoestrada à velocidade do sentimento e regressando, já noite, na lentidão do sono perdido. Pedir-me-ia para o deixar estar em paz, pousado numa varanda dessa pequena terra mascarada, onde as festas permanente são o sal do ritmo de vida.
Não o posso deixar. E como tenho de o levar comigo, sei que ele traz também aquela lembrança, aquele sentimento forte como um penedo e de porte enorme. Sei que ele o fará por ter vontade própria. Sei que ele se lembra de ti. E eu, pessoa diferente de um coração que nem controlo, estarei lado a lado com ele, a conversar sobre aquela rapariga que todos os dias me mostra que a viagem principal tem o amor como destino.

Resposta

Caro Júlio César,

Muito me agrada ler o seu comentário e a admiração que nutre pelo Steven. Na verdade, mantenho contacto com ele desde há três anos, sendo ele o autor do prefácio do meu segundo livro, Dois Maços, prestes a ser lançado. Desta forma, terei todo o prazer em utilizar o meu inglês em prol da sua dúvida. Queira, por isso, enviar-me o seu e-mail para fms@fernandomiguelsantos.com e dar-lhe-ei a resposta assim que a tenha.
Boas leituras!

Fernando Miguel Santos

Sunny Beach

É este o nome do maior resort do Mar Negro. Situado na Bulgária, caracteriza-se pela animação quer nocturna quer diurna, pela juventude dos seus visitantes e pelo aspecto paradisíaco das suas praias. Situado a poucos quilómetros de algumas importantes cidades históricas fica dessa forma completa a imagem de um local muito aliciante para passar férias.

E agora, neste preciso momento, bem mais aliciante do que há uma semana atrás…

Viagem Medieval à criança que cá tenho

A Viagem Medieval é ponto de visita anual. Com a predilecção que tenho por este género de temas, é sempre um prazer visitar Santa Maria da Feira por altura deste recuo temporal.
Devo dizer que, como nos outros anos, notei melhorias a nível da decoração e aumento no fluxo de visitantes e nas actividades de rua. A simpatia dos vendedores e actores, bem como a sua natural predisposição a participarem neste evento, sabe bem. É sempre bom ver corroborada a opinião de que quando queremos, conseguimos. O povo de Santa Maria da Feira faz exactamente isto: consegue. Melhor ainda, consegue todos os anos. E eu consigo marcar presença, desta feita com uma companhia diferente, mas nem por isso menos valiosa.
Por entre reencontros com afilhadas e novos conhecimentos com pessoas bem relacionadas -pronunciaram-se palavras como Câmara e Presidente…- lá chegou o Assalto ao Arraial. A torre ardeu, os telhados foram consumidos pelo fogo, mas a vitória foi dos defensores. No entanto, como vitórias absolutas é algo que nunca existiu, esta ficou manchada pela morte de uma das filhas da terra.
No final, o cansaço levou-nos bem guiados até ao carro. Como recordação, guardo aqui no quarto uma caneca grande e uma caneca de licor, bem pequena, que se fazem proteger por uma imponente espada de madeira com a inscrição D.Fernando. A criança que há em mim há-de viver tanto quanto eu.

Mira

Faz hoje uma semana que parti para Mira, em busca da paz que as folgas me trariam, para me juntar à Sara e às amigas. Tinha como hora limite as 22:00, facto que me fez acelerar e manter o ponteiro um pouco acima daquilo que é habitual. Acompanhando o trajecto, as folhas do Google Maps que cumpriam o seu papel de co-piloto e o relógio cada vez estava mais certo de que conseguiria chegar a tempo. Com esse pensamento entrei numa recta enorme, pouco iluminada e deixei o carro ir ao sabor do peso do meu pé. Entre os 70 e os 90 km/h viajava quando vi uma luz enorme. Alguém acendera os máximos e de dentro do halo luminoso saltou um cão. Sem tempo para travar, atropelei-o e ele ficou inanimado na berma da estrada. Não chorei por pouco. Voltei para trás, liguei aos meus pais e depois, como nada podia fazer, segui viagem.
Assim foi o início da minha estadia naquele parque de campismo. Nessa noite fizemos uma amizade nova com um vizinho de tenda e acabámos a noite no Raio X.
Na noite seguinte, fomos ver os Platinum Abba na Expofacic. A princípio estava muito céptico em relação à imitação que iria ver. Passados poucos minutos encontrava-me encantado, acompanhando a Sara nesta admiração que ele transportava consigo ainda antes de entrarmos no recinto. Como não podia deixar de ser, enviei-lhes um e-mail no dia em que regressei a casa. A Sarah (que imita a Frida) respondeu-me e estabelecemos aquilo que, por e-mail, cada vez é mais invulgar: uma conversa! Ainda na Expofacic andámos num carrossel de alta velocidade (com dois sentido: para a frente e para trás!) e no popular Kanguru, junto ao qual fizemos a boa acção do dia, ao ajudar uma rapariga a reencontrar o seu telemóvel. Como inimigos, ou não fosse essa a atitude típica, tínhamos os responsáveis pelo divertimento que por pouco não juntaram o dispositivo aos seus pertences.
Se de noite perdia o sono, de dia perdia o juízo. E, por essa razão, acabei com um escaldão tremendo. Com costas, pés, pernas e braços a pedirem a minha atenção partimos para a última noite. Estivemos junto à praia, bebemos, conversámos… Mais tarde, nada melhor do que um night club vazio para vibrar ao som dos 80’s. Michael Jackson marcou presença, bem como a saudosa Eileen. Mas, chegados a um ponto incontornável de cansaço, fomos embora.
A manhã de sábado acordou-nos com chuva. Talvez a lembrança da responsabilidade. Mas antes era preciso arrumar tudo. Fui buscar o carro e o destino fez o favor de me obrigar a fazer aquilo que sempre prometo: voltar. A minha carta de condução está em Mira desde esse dia, só hoje me apercebi. Voltarei em breve, portanto, nem que seja por um período de tempo curto de mais.

Orgulho

A noite nunca é escura de mais para pensar. Os pensamentos podem ser escuros de mais para a noite. Assim como as manhãs cobertas de nevoeir...