Passear, visitar, tapear, treinar

Hoje foi dia de ver a Ciudad de las Artes y las Ciencias. Alguns quilómetros a pé foram-nos mostrando uma cidade jovem e pronta para o turismo, edifícios que tanto lembravam o barco do Capitão Nemo de Júlio Verne como naves vindas de filmes de ficção científica.
Tapeamos ao lanche. No fundo, uma visita ao sabor mediterrâneo...
No Medium Conqueridor aproveitei para treinar um pouco. O ginásio não é grande, mas tem tudo o que uma sala de treino de um hotel deve ter como indispensável.
E que tal um jantar, sem repetir a Paella Valenciana de ontem? Estão convidados...

Valência II

Uma cama jaz neste quarto, desfeita já por sonhos e outras travessuras. Valência tem o sabor catalão desta costa mediterrânea. Os copos fluem facilmente, os corpos cruzam-se agilmente e a noite cai com sons que noutro sítio seriam música só para alguns. Aqui tudo é para todos e todos estão por tudo!




Valência

Este banco do Aeroporto sabe bem. Começa mais uma daquelas aventuras desmedidas. Ou bem medidas. A vontade de levantar voo, a vontade de aterrar de conhecer, enfim, de viver. E tudo isto com companhias inesperadas, vontades unidas, aquelas acima citadas... É assim que tudo começa na vida: com um inesperado sim a uma ideia inicialmente improvável. Até já...

As fieis tempestades onde depositamos ideias

Oito anos se passaram, se fecharam no dia sete do mês corrente. Oito anos a escrever para estas páginas virtuais, oito anos de paixões, de mágoas, de desencanto e muito encanto.
O Fiel Depositário está ao meu lado há um terço da minha vida. Tendo em conta que os primeiros anos são vividos sem a escrita, sobra ainda menos tempo para me lembrar do que era escrever e não o ter.
Lembro-me de o ter criado antes da minha primeira viagem. Li algo num livro sobre espaços na web que permitiam que se escrevesse e se lesse e, no fundo, se deixasse o Mundo ver o pensamento que transportamos individualmente. A globalização do pensamento personalizado, portanto, que soa a paradoxo, mas tem um lado muito bonito.
É aqui que tenho alguns dos poemas mais bonitos que já escrevi. Li um deles ontem, numa noite especial de poesia. E soube-me bem recordar o imenso prazer que é alimentar este velho amigo.
O FD viu nascer outros blogs, filhos da sua vontade, e da minha, que acabaram por influenciar outros. Com o tempo, o cansaço venceu essas páginas, derrotou a vontade de quem as escrevia.
De todos estes "descendentes" já não há memória.
No entanto, agora o FD tem um irmão. Não é um filho, porque não é descendência directa, e nasceu antes de ter sido criado. Afinal, já vivia dentro do seu criador, que agora diariamente o alimenta. Foi necessário apenas o estímulo, vindo de várias partes, e eis que nos surgiu o http://tempestadideias.wordpress.com.
Da autoria de Ricardo Alves Lopes (RAL), é um blog que marca principalmente pelo toque pessoal que é dado a cada texto e pela universalidade que cada um destes apresenta. Confuso? Leiam e descubram se a sensação não se aproxima a uma familiaridade incomum.
Sou, há vários anos, amigos do RAL. Sei ter sido protagonista de um dos vários estímulos que foram necessários para a criação do seu blog, mas isso perde importância quando a evolução que notamos, já autónoma e livre, nos agrada ao ponto de nos pagar da forma ideal: sendo bom.
É também esta qualidade notória que, hoje, me incentiva a escrever ainda mais, a não deixar o Fiel Depositário muito tempo sozinho.
Leiam! E caso vos dê vontade ofereçam-nos outro irmão. A família nunca está fechada...


Sacrifício ao sol

Mais um dia de puro ócio, com uma perspectiva cultural sem par. As noites de poesia de quarta-feira, provadas por fotografia e ao sabor de textos de qualidade superior, no Olimpo, aquecem esta tarde mais do que o calor que se faz sentir.
É este calor e este mar que me observa desde o horizonte até beijar a areia que me fazem sentir que esta vida não tem igual. Também, é certo, não haverá mais nenhuma para nos fazer sentir algo do género.
Por estas razões, o valor que têm momentos destes, de descanso mental e extenuação física, porque o calor também cansa, acaba por nos valorizar enquanto pessoas. É verdade, tornam-nos pessoas diferentes, gente que vive, deixam-nos sentir o autodomínio dos nossos passos e fazem com que a necessidade de realização pessoal deixe de ser medida por méritos e esforços. Bastam o sol, o mar e tudo o que com eles se conota para que nos sintamos plenos.
E escrevo. Como não podia deixar de ser. Escrevo à velocidade que me permite o tempo que o sol me deixa, mas não se pode lamentar. Sem ele estaria, provavelmente, a escrever um poema negro ou uma prosa ressentida. O sol deixa que a escrita flua, leve, como a brisa que ele mesmo acaricia. Ou será que nós, seres conscientes e pensantes, acariciamos, por meio dele, aquilo que vale a pena? Alguns o farão, outro deixam a oportunidade perder-se... Contudo, o sol nasce também para esses e proporciona-lhes várias oportunidades, como se lhes chama-se a atenção para a premência que existe no usufruto deste ambiente.
Assim será, se tudo prosseguir segundo os cânones sazonais, durante os próximos meses. Eu cá estarei para, de férias ou não, me oferecer em sacrifício ao veranear próprio destes momentos. Tudo o resto, como sempre, virá por acréscimo.

A praia, o tempo e o outro tempo

Há neste tempo, o climático, algo de novo. Sempre novo a cada ano que surge. Há aquela saudade do calor que se faz sentir nesta esplanada onde escrevo. Onde vim, propositadamente, escrever. Há a renovada vontade de criar.
Mas não se chama inspiração. Por favor, não lhe dêem esse nome. Cansa-me que se ofereça sempre ao que é externo o mérito de algo que vem, invariavelmente, de dentro. Não é inspiração, trata-se de pura transpiração, trabalho, persistência, vontade e a força que dela advém...
Vejam o trabalho que dá acordar, almoçar, saber que as férias estão a ser óptimas e ter de fazer o esforço de sair, pegar no gadget que servirá de meio e optar pela esplanada que mais nos aprouver só para praticar o prazer maior de poder criar, de poder deixar estas palavras fluírem até vocês, que agora as lêem.
Imaginem que que o ócio, aquele outro de ficar em casa sem mais nem porquê, me assalta? Já não dá. Já aqui estou, a aproveitar o calor deste Março estranho e novo, novo a cada ano que surge.
Mas é difícil ser assim. É difícil saber observar, é difícil escolher a esplanada, é difícil saber porque palavra começar para deixar o resto de inveja em todos aqueles que agora estão a trabalhar. Esses que sabem que pelo tempo, o cronológico, perderão este tempo, o climático, para não mais o recuperar.
Rejubilem no pensamento de que tal me acontece amiúde. Mas hoje o tempo, este e o outro, são meus. Por isso, invejem-me. É um orgulho que me oferecem.

O simples prazer de jantar

Chega a segunda-feira e janta-se fora. Vem a banda, os amigos, os copos que se entrelaçam em conversas, ora banais ora com a seriedade que tem de ser. E ouve-se. E fala-se.
Haverá maior prazer que partilhar momentos com amigos e ser feliz à custa disso? Ser feliz pelo preço de um jantar e pela simplicidade de poder gastar tempo a partilhar uma das melhores actividade que o ser humano desenvolveu com perícia: a comunicação.
As conversas vagueiam, é certo, por assuntos que a ninguém interessaria ler aqui neste post. Muda-se de assunto à velocidade da lembrança, memórias surgem livres de censura. Bebe-se um pouco mais. Os próprios copos, que se esvaziam rapidamente, soltam os lábios e a língua.
É um prazer estranho e, simultaneamente, facilmente explicável pelo espírito gregário que todos reconhecemos.
No final, os laços estreitam-se, as pessoas aproximam-se, a amizade já se começa a escrever com maiúscula.
O simples prazer de jantar não tem preço, não é taxado e deixa sempre três resistentes que, até de manhã, trocam as ideias mais recônditas.
Até segunda...

Sons e ecos mentais

Existem sons que, por simples que sejam, se retêm na memória, não a querendo abandonar. Esses que são considerados cientificamente um transporte a momentos passados.
Assim é com a música, com as chamadas de atenção, com a declaração de sentimentos, com a expressão da palavra escrita através da voz...
Quem nunca chorou a ouvir uma música ou se comoveu com palavras ditas na hora certa, da forma mais acertada?
Estes ecos mentais, como em mim a música que agora ouço do genérico de Tom Sawyer, tocada pela banda residente do Syrah Bar, levam-me amiúde até tempos que, ao contrário do que se diz, voltam todos os dias por fazerem parte da nossa existência.
Que assim seja. Sempre...


Experiência digital

O mundo muda a olhos vistos e com ele todas as actividades a que estamos habituados. Escrever sempre foi algo prático e uma actividade que se pode sempre fazer fora de casa.
Porém, perdia-se tempo, outrora, a copiar à mão aquilo que outros tinham escrito.
Mais tarde, as máquinas de escrever que subtraíam dificuldade à cópia mas não ao armazenamento. Depois, os computadores. Revolução completa onde o escritor poderia debitar palavras prontas para a edição, também esta revolucionada pelas mesmas tecnologias, e armazenar páginas imensas sem usar gavetas infinitas.
Os computadores tornaram-se portáteis, permitindo libertar o escritor do escritório e hoje qualquer um pode escrever onde quer que seja.
No fim, chegam os tablets. Experiência estranha e estranhamente deliciosa, portabilidade máxima até hoje, um mundo com as polegadas de um palmo. Os e-books reforçam o seu mercado, facto só permitido pelas novas interfaces. Falta apenas a textura e o cheiro, mas há outras potencialidades. Talvez nunca prescinda da ideia do papel. Mas acho muito interessante facilitar a edição de um livro ao ponto de este se parecer com um post de um blog, fazendo-o chegar a todos os leitores sem estes saírem de casa, no mesmo momento e sem ter de aturar as realizações cinematográficas de gráficas e editoras.

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Orgulho

A noite nunca é escura de mais para pensar. Os pensamentos podem ser escuros de mais para a noite. Assim como as manhãs cobertas de nevoeir...