Mais uma

Se calhar tenho escrito pouco. A desforra virá quando eu estiver em terras transalpinas. Lá terei a possibilidade de contar tudo a este amigo fiel. Muito fiel. Serão dias inesquecíveis não duvido. Tudo será desta forma. Parto do Porto, pela Lufhtansa, para Frankfurt, a minha escala. De lá o destino é o final: Florença. O berço do Renascimento. Terra de artistas, de inspiração certa. Até a menina da agência de viagens me invejou. Diz que tenho muita sorte.
Provavelmente, se um dia prometi que o blog seria trilingue, com francês e inglês, mas com o enorme e majestoso português, o meu favorito, o Fiel Depositário passará a ter quatro línguas. Quadrilingue? Quadriglota? É melhor dizer: "terá quatro línguas". Simples e concreto. Passará a ter italiano também. Isso é mais que certo. Mas nada prejudicará os leitores. Se algo for complicado demais terá tradução. É a evolução de um blog que se quer grande e interessante. E não para todos, mas de todos.

Ainda Londres

É incrível como se fixam na memória os mais belos momentos porque passamos. Londres já foi há quatro meses e ainda sobrevivem os mais pequenos pormenores. Parece que tudo está fresco e até aquela saudade do último dia sobrevive. Há gente que vive em dois sítios: ora num, ora noutro, sempre a viajar. Eu era capaz de fazer o mesmo. E agora a viajem a Itália terá de ser muito boa mesmo, porque a expectativa é grande e a fasquia enormemente alta. Porém em caso algum me vou desiludir. Mas que ficará sempre aquele sentimento, ais isso é certo. Mas eu tenho a certeza que um dia hei-de voltar lá. Em sonhos volto todos os dias.

De mal a pior

Após o começo do Euro, todas as outras coisas ficaram um pouco para trás, visto nunca ter escrito algo que fugisse ao evento. Ainda assim, não seria do meu agrado ter que o escrever, pois se nos vangloriamos com o Euro, com o resto bem podemos ficar desagradados.
As eleições europeias foram alvo do descontentamento enorme e ainda crescente da população, que rejeitou o direito de voto ou que deu um sinal ao poder que algo (ou será tudo?) tem de mudar. Até aqui, nada de mais. Os problemas começam quando os afectados por estas eleições perguntam porquê. Eu respondo: porque Durão prometeu cumprir o mandato e não cumpriu, porque o PS dizia-se agradado com o resultado e acabaram por aparecer muitos cães para o mesmo osso, muitos galos para um só poleiro, porque o Presidente que era aconselhado a dissolver o Parlamento resolveu dar a derradeira oportunidade ao PSD, e muito mais. Não que estas decisões nos afectem directamente, mas é a forma de lidar as coisas que desacredita a política e faz com todos se afastem. Não é um problema que assim seja, o que surpreende é que, sendo ele uma realidade, os interessados ajam de forma contrária aos seus interesses.

Seiscentos

O número de visitantes já ultrapassou os 600. Mais uma centena que meio milhar. Isto é bom. Quantos mais lêem, mais divulgam e quantos mais divulgam, mais lêem. É um ciclo de grande aproveitamento e que levou muitos blogs ao sucesso fora das fronteiras cibernéticas.

O antes e o agora

O valor que se dá a certas coisas torna-se para nós muitas vezes inexplicável. Há certas personagens da nossa vida que se guardam na memória de forma tão acirrada, que quando damos por isso, mesmo não tendo papéis determinantes, são importantes, de acordo com as suas limitações. É assim que vejo a minha admiração por duas pessoas, do mundo famoso, que não conheço pessoalmente, mas que devido ao toque que me deram enquanto mais novo, se tornaram de certa forma importantes pontos de comparação. Katie Holmes e Shanine Sossamon foram actrizes que admirei numa altura especial. Por isso, ainda hoje, quando revejo alguns filmes ou quando vejo os seus recentes, reajo de forma diferente. Também um filme excelente, Os Ardinas, ficou na minha memória. É sempre bom recordar. E sendo boas as recordações dá ainda mais vontade. É certo, porém, que, estando eu ainda na fase da adolescência que já decorria desde certas das referidas ocasiões, vejo hoje de maneira diferente estas situações. Se calhar porque sou mais reflexivo hoje. O que não muda nada, antes me faz desfrutar de tudo com mais qualidade.

Magia e más opções

O Porto perdeu o "mágico". Será mesmo assim? Anderson Luiz de Sousa, Deco no mundo do futebol, deixou a equipa do FC Porto e ingressou no Barcelona. Até aqui nada de estranho. Mas o Porto não o perdeu. Comprovando o seu agrado nos anos que cá esteve e o seu amor ao clube, Deco entrou para a lista de sócios do Campeão Europeu.
Em contrapartida ao negócio de Deco, o Porto vê regressar a Portugal o Mustang de Boloni. Dias da Cunha pode agora falar em sistema, que com certeza haverá sócios que o olharão de lado e pensarão: "o Quaresma no Porto, o Hugo Viana a poder ir para o Benfica, o Cristiano Ronaldo em alto momento de forma e já no United e tu ainda falas em sistema?". É verdade. A política negocial do Sporting foi errónea e pecou em vender os produtos da sua formação cedo de mais. Agora um já voltou, um ainda pode voltar e o outro quase de certeza que nunca volta. E todos estão muito bem. Benefício para os outros, prejuízo para os leões.

CRÓNICAS DO EUROPEU

Foi um prazer para mim escrever as Crónicas do Europeu, que, infelizmente, acabaram como começaram. Ainda assim fica o consolo da boa organização portuguesa e do carácter hospitaleiro com que ficamos conhecidos lá fora. Assim acabam estas crónicas, que, quem sabe, podem voltar um dia…

CRÓNICAS DO EUROPEU

Jogador do Torneio

O capitão grego Theodoros Zagorakis foi considerado o melhor jogador do Euro 2004. Venceu (na minha opinião injustamente) Maniche, que se prefigurava como possível vencedor do troféu.

CRÓNICAS DO EUROPEU

O melhor plantel

Esta foi a lista divulgada pelo site oficial do "nosso" Euro, onde constam os jogadores eleitos para o melhor plantel do torneio.

Posição- Nome- País

Guarda-redes- Petr Cech- República Checa
Guarda-redes- Antonios Nikopolidis- Grécia
Defesa- Sol Campbell- Inglaterra
Defesa- Ashley Cole- Inglaterra
Defesa- Traianos Dellas- Grécia
Defesa- Olof Mellberg- Suécia
Defesa- Ricardo Carvalho- Portugal
Defesa- Georgios Seitaridis- Grécia
Defesa- Gianluca Zambrotta- Itália
Médio- Michael Ballack- Alemanha
Médio- Luís Figo- Portugal
Médio- Frank Lampard- Inglaterra
Médio- Maniche- Portugal
Médio- Pavel Nedved- República Checa
Médio- Theodoros Zagorakis- Grécia
Médio- Zinedine Zidane- França
Avançado- Milan Baroš- República Checa
Avançado- Angelos Charisteas- Grécia
Avançado- Henrik Larsson- Suécia
Avançado- Cristiano Ronaldo- Portugal
Avançado- Wayne Rooney- Inglaterra
Avançado- Jon Dahl Tomasson- Dinamarca
Avançado- Ruud van Nistelrooij- Holanda

CRÓNICAS DO EUROPEU

PORTUGAL - 0 // 1 - GRÉCIA
Estádio da Luz, Lisboa

A grande final tinha chegado. Não correu foi como todos os portugueses desejavam. O "melhor Europeu de sempre" coroou o jogo defensivo, sem que isso nos permita tirar o mérito aos vencedores.
Miguel foi o primeiro a tentar (11'), mas Nikopolidis mandou a bola para canto. Charisteas respondeu quatro minutos depois sem sucesso. Portugal dominava o jogo. E a Grécia parecia gostar uma vez que nada fazia para mudar isso. Fazia, como sempre tinha feito, parte da sua visão de jogo.
O jogo chegou ao intervalo com um empate a zero, mas com Portugal mais perto da vitória, com 56% de posse de bola, mais ataques, mais cantos, cinco remates, contra zero remates gregos. Portugal fora forçado a substituir Miguel, lesionado na zona abdominal num lance com Giannakopoulos. Paulo Ferreira entrou para o seu lugar.
A vontade de vencer estava mais presente em Portugal, que lutava, jogava e queria mais. No entanto, no primeiro e único canto da Grécia na partida, Charisteas marca golo, praticamente livre de impedimento. Portugal não se deixou ir a baixo. Saiu Costinha e entrou Rui Costa, este último mudando um pouco o panorama pela positiva, fazendo Portugal jogar mais e obrigando a Grécia a encostar-se, como aliás eles gostam, à sua baliza. Nuno Gomes também entrou, mas nem ele nem Figo, Ronaldo, Rui costa, Maniche, Deco, ninguém conseguiu marcar. Cristinao Ronaldo dispôs de duas excelentes oportunidades mas desperdiçou. Aos 81', num remate surpresa, Ricardo carvalho ameaçou Nikopolidis, que não se intimidou e defendeu. Figo também tentou e a bola chegou a passar muito perto por ter sido desviada ligeiramente. Pena que durante os minutos de desespero português tenha entrado um adepto em campo. Dirigiu-se a Figo, com uma bandeira do Barcelona, que arremessou contra o número 7 e correu em direcção à baliza de Nikopolidis, embatendo violentamente nas redes. Dentro de campo esteve só dois ou três minutos. Uma eternidade para Portugal. Acabou por ser a única coisa a entrar na baliza de Nikopolidis. O jogo acabou com um apito que deitou por água abaixo o sonho lusitano. O segundo lugar é bom, mas não suficiente para a melhor em campo. Para a Grécia, o título é demasiado. Uma vitória injusta, como aliás todas que a Grécia logrou, mas mérito têm, não se pode negar. Pena que seja mérito a defender e a praticar um estilo antagónico ao futebol que todos desejam ver.

Melhor em campo:
Theodoros Zagorakis

Árbitro:
Markus Merk - esteve bem e ao nível da final que dirigiu. Ainda que tenha sido excessivamente zeloso no final, marcando falta a todos os contactos, não se pode acusá-lo de benefícios.

CRÓNICAS DO EUROPEU

GRÉCIA - 1 // 0 - REPÚBLICA CHECA
Estádio do Dragão

O Dragão foi de novo palco de uma surpresa grega. Um tragédia grega, dirão os checos.
A Rep. Checa começou e acabou a partida a dominar mas não conseguiu chegar ao golo. Tinha ao intervalo dois pontos percentuais de vantagem para a Grécia, o que não perfaz grande diferença. A diferença existiu sim na maneira de jogar. Uns jogavam de forma agradável e outros de forma muito defensiva. Não é difícil distinguir quem pertence a quem. Nikopolidis, do alto da sua experiência conseguiu vencer e tomar a melhor contra Koller, Baros e Nedved, Poborsky, Jankulovski e Rosicky. Nedved chegou mesmo a chorar no banco, porque para ele não haveria final, nem ganhando nem perdendo, uma vez que se lesionou com relativa gravidade. Ele que já tinha perdido uma final da Liga do Campeões com a Juventus, na altura castigado por acumulação de amarelos. Os checos por diversas vezes quase conseguiram o primeiro tento, mas por uma razão ou por outra não o marcaram.
Na segunda parte a história não foi muito diferente. O árbitro errou ao não assinalar um penálti que Dellas cometeu ao agarrar Koller. Com este golo a R. Checa passaria. A Grécia quando sofre primeiro perde ou empata, não aguenta a pressão de ter de atacar como os outros. Mas quando se vê a ganhar defende de maneira incrível, não permitindo ao adversário marcar e tirando-lhe a lucidez para jogar da melhor maneira. Koller podia ter matado o jogo aos 80'. A melhor oportunidade do jogo pertenceu-lhe numa combinação com Rosicky. Brilhante mas a bola saiu ao lado. Dois minutos depois Baros fez o mesmo, atirando para a mesma zona que Koller, antes de si. Uma oportunidade para cada lado em cima do final, não executada, permitiu que o jogo fosse levado para prolongamento.
E este prolongamento foi o final feliz para a Grécia. Os elénicos começaram a empenhar-se, quase fazendo o que os checos tinham feito o jogo todo. Estes, quem sabe mais extenuados, viram a Grécia criar mais oportunidades. Primeiro Charisteas e depois Giannakopoulos viram os seus remates serem defendidos por Cech. Aos 102', Dellas avisa que os seus cabeceamentos podem ser fatais, mas Cech defendeu, ainda que à queima-roupa. Foi aos 105', no final dos primeiros 15 do prolongamento que Dellas consumou o aviso. Giannakopoulos marca um canto na direita e Dellas marca de cabeça. Um Golo de Prata que parecia de Ouro, porque só houve tempo para levar a bola ao centro.
A Grécia atingia a final onde defrontaria Portugal, com um golo marcado em cima do intervalo do prolongamento. Ambas as equipas trabalharam para a vitória. A R. Checa 90 minutos a Grécia apenas 15'.

Melhor em campo:

Dellas

Árbitro:
Pierluigi Collina - a despedida. Vai deixar saudades. Pena que não tenha marcado aquele penálti que, certamente, daria a vitória aos checos. Era, contudo, um lance de muito difícil avaliação por ser naquelas confusões dentro da área. Ainda assim esteve bem no seu adeus.

CRÓNICAS DO EUROPEU

PORTUGAL - 2 // 1 - HOLANDA
Estádio Alvalade XXI, Lisboa

Com Pauleta de volta à frente de ataque, Portugal prometia jogar como tinha jogado contra a Espanha e assim fez.
Portugal dominou o jogo e esteve perto de marcar aos 9' e aos 23', com jogadas de Figo não finalizadas por Pauleta. Ronaldo contudo marcaria aos 25' após Deco cobrar o canto a que ele respondeu com sucesso e de cabeça. Pauleta ainda teve oportunidades de alargar mas Van der Sar opôs-se com qualidade e impediu o açoriano de marcar o seu primeiro golo no Euro 2004. Seis minutos depois, aos 40', Figo fez uma jogada brilhante, fintou o defesa laranja e rematou com o esquerdo ao poste da baliza do guarda-redes do Fulham. Era o melhor Figo em acção. O jogo foi então para intervalo assim, com Portugal em vantagem.
Portugal não alterou, mas A Holanda fez uma alteração, que não surtiu efeito, porque a Holanda não viria a marcar nenhum golo, muito embora o contador assim o diga. Aos 53', Maniche dilata a vantagem com um golo que merece ser coroado como o melhor do Europeu. Recebe de Deco num canto e remata da esquina da área para o poste mais distante, marcando um golo de excelente efeito. Portugal colocava os dois pés na final, mas ainda sofreria um golo, marcado por… Jorge Andrade: 62', Van Nistelrooy solto e na tentativa de cortar a bola, o defesa do Corunha fez um chapéu "perfeito" a Ricardo. O jogo embora tivesse mais oportunidades ficaria com o mesmo resultado, merecido, pois o controlo tinha sido quase total para os portugueses. A final e a história estavam lá, com os Quinas.

Melhor em campo:
Luís Figo

Árbitro:
Anders Frisk - voltou a provar, de novo com os portugueses como testemunhas, que é um árbitro de qualidade. Muito bem.

CRÓNICAS DO EUROPEU

REPÚBLICA CHECA - 3 // 0 - DINAMARCA
Estádio do Dragão

Adivinhava-se um jogo equilibrado. Chegou a sê-lo mas o resultado desvirtuou-o. A Dinamarca e a R. Checa foram das equipas que melhor executaram futebol na primeira fase, o que contribuiu para um jogo de muito boa qualidade.
Os checos começaram logo a criar perigo num livre de Nedved, mas os dinamarqueses acabaram por responder. Oportunidades muito claras não houveram e a primeira parte acabou com um resultado a zeros.
Koller inaugurou então o marcador, logo aos 49', do alto dos seus 2,2m, cabeceando a bola que Poborsky lhe centrou no canto para o interior da baliza de Sorensen, um dos melhores, senão o melhor guarda-redes da prova. O jogo continuou mais morno, até o golo do grande Baros, que fez um pequeno chapéu ao dinamarquês após se ter desmarcado de forma superior. E, surpreendentemente, dois minutos depois Baros destaca-se na lista de marcadores com novo golo desta feita a passe de Nedved e com um remate mais forte e bem menos subtil que o anterior.
Até ao final nada mais de destacar a não ser as estatísticas: 39% de posse de bola para os vencedores. Ganhou a eficácia e também o jogo superior, mas não o controlo e a contenção. E ganhou bem.

Melhor em campo:
Milan Baros

Árbitro:
Valentin Ivanov - não teve casos. Esteve bem no cômputo geral.

CRÓNICAS DO EUROPEU

SUÉCIA - 0 // 0 - HOLANDA
(decido em grandes penalidades: 4-5)
Estádio do Algarve

A Holanda entrou melhor na partida. Isso confirma a posse de bola, que ao intervalo era de 43%-57%. Robben, Davids, Nistelrooy e Larsson destacavam-se. O jogo era bem disputado mas Isaksson e Van der Sar defendiam as redes com distinção de modo que nem os temíveis Larsson e Nistelrooy conseguiram marcar. A primeira parte acabou com um nulo que prenunciava um jogo muito equilibrado.
A Suécia jogava bem mas a técnica de Ibrahimovic e o instinto de Larsson pareciam não chegar. Na segunda parte o nulo manteve-se apesar das muitas oportunidades de golo para ambas as equipas. As defesas e os guarda-redes continuaram a jogar em alto nível, o que não resultou num jogo defensivo, antes sim um jogo com muita disponibilidade atacante por parte de ambas as selecções.
O prolongamento trouxe apenas mais iniciativas. Robben, Seedorf e Nistelrooy, Larsson, Ibrahimovic e Kallstrom, rematavam, fintavam, lutavam, mas não conseguiam mudar o rumo do encontro. E assim, o tempo escoou e levou a decisão para os penáltis.
E naquela marca fatal o desenrolar foi este:
1 - Kallstrom - marcou.
2 - Van Nistelrooy - marcou.
3 - Larsson - marcou.
4 - Heitinga - marcou.
5 - Ibrahimovic - falhou.
A bola saiu por cima.
6 - Reiziger - marcou.
7 - Ljungberg - marcou.
A forma caricata como a bola entrou merece nota: a bola bate na barra, nas costas de Van der Sar e entra.
8 - Cocu - falhou. A bola bateu no poste.
9 - Wilhelmsson - marcou.
10 - Makaay - marcou.

11 - Mellberg - falhou. Van der Sar defendeu.
12 - Robben - marcou.

A Holanda ganhou, assim, através do penálti de Robben, bem merecido pela grande exibição que fez. A meia-final seria disputada com Portugal.

Melhor em campo:
Ruud van Nistelrooy

Árbitro:
Lubos Michel - boa exibição. Os erros que possa eventualmente ter cometido não tapam uma exibição de bom nível.

CRÓNICAS DO EUROPEU

FRANÇA - 0 // 1 - GRÉCIA
Estádio Alvalade XXI, Lisboa

Os franceses foram a vítima de uma Grécia que tinha grande vontade de seguir em frente. Os campeões europeus em título não chegaram a mostrar o seu nível, com o qual se exibiram em grandes competições, vencendo o Mundial 98' e o Euro'00.
Os franceses começaram o jogo com a defesa mudada e logo os gregos avisaram o que poderia estar para vir. A França não levou muito a sério os avisos e continuou a fazer o seu jogo, mas só respondeu aos 24', mas Henry não teve êxito. Aos 36', Fyssas criou perigo para Barthez, mas o guarda-redes gaulês desviou para canto, por cima da barra da baliza a seu cargo.
Na segunda parte a França exibiu mais garra com Henry, Lizarazu e Trezeguet a realizar alguns lances de perigo, mas de novo não acertaram da baliza. E a grande máxima do futebol cumpriu-se: "quem não marca sofre". A Grécia chegou ao golo, após uma tentativa de Henry, com Zagorakis a centrar e Charisteas a responder com sucesso. A França perdia pela primeira vez em 22 jogos e ia para casa.

Melhor em campo:
Angelos Charisteas

Árbitro:
Anders Frisk - continuou a pautar-se com regularidade e bom desempenho. Boa exibição.

CRÓNICAS DO EUROPEU

PORTUGAL - 2 // 2 - INGLATERRA
(decidido em grandes penalidades: 6-5)
Estádio da Luz, Lisboa

Um jogo de nervos. Logo no início, Costinha atrasa mal de cabeça (quantos maus atrasos resultaram em golo este Europeu!) e Owen, com uma técnica apurada marca o primeiro dos britânicos. Estavam decorridos 3 minutos. Portugal contudo decidiu responder correctamente e aceitou o sinal de Scolari que ordenava calma aos jogadores portugueses. Com Nuno Gomes na frente e sem Pauleta que havia visto dois amarelos, Portugal passou a dominar o jogo. Muitos jogadores protagonizaram grandes oportunidades: Maniche, Ronaldo, Figo, entre outros. Mas Portugal não conseguia atingir o empate para depois tentar a vitória. Os ingleses defendiam mais, mas nem por isso deixavam o ataque desguarnecido. Rooney acabou por se lesionar num lance com Jorge Andrade, entrando para o seu lugar Darius Vassel. Portugal, apesar da insistência, partiu para o descanso derrotado, ainda que tivesse 45' para mudar o quisesse e pudesse.
No regresso não havia alterações portuguesas, mas Scolari faria mudanças tácticas no decorrer do segundo tempo. Faltavam 15' quando Figo saiu, nitidamente desagradado, o que Scolari catalogou e bem de "normal, para a entrada de Postiga. Aos 83', Deco cobra o canto do lado esquerdo do ataque português e o avançado do Totenham marca de cabeça. Com este golo Postiga levou Portugal para o prolongamento.
Apesar do cansaço as equipas continuavam a investir contra o adversário, mas Portugal dominava a partida. E foi pelo entrado Rui Costa que este chegou. Um golaço: após algumas tentativas, Rui Costa, de fora da área remata, vindo a bola a embater na barra e a assegurar o 2-1. Já decorria então a segunda parte dum prolongamento que não usou do Golo de Prata. Portugal teria de esperar pelo final, mas com uma defesa debilitada, estando Deco a defesa direito e muitas mais mudanças em jogo. Num pontapé de canto, Portugal não acertou nas marcações e Lampard, após passe de cabeça de Terry marcou o empate. Nova luta, desta vez feita a partir da marca de grandes penalidades. O árbitro foi muito criticado pelos ingleses por ter ainda anulado um golo a Sol Campbell, que foi bem anulado, ou não tivessem Terry e o seu companheiro do eixo da defesa, carregado Ricardo.
De um lado James, do outro Ricardo. A história dos penáltis foi assim:
1 - Beckham - falhou. Desconcentrado por Ricardo o capitão inglês bateu por cima, muito por cima.
2 - Deco - marcou.
3 - Owen - marcou.
4 - Simão - marcou.
5 - Lampard - marcou

6 - Rui Costa -falhou. Também enviou a bola por cima, como Beckham.
7 - Terry - marcou.
8 - Ronaldo - marcou.
9 - Hargreaves - marcou.
10 - Maniche - marcou.
11 - Ashley Cole - marcou.

12 - Postiga - marcou. A forma como bateu James merece referência. A subtileza foi tal que o guardião levantou-se ainda a bola não tinha tocado as redes. Um penálti soberbo que fez nascer sorrisos nas caras nervosas dos companheiros e do público.
13 - Vassel - falhou. Ricardo tirou as luvas num acto de confiança e defendeu o penálti que sem a sua intervenção daria golo.
14 - Ricardo - marcou. Tornou-se assim o herói da partida. Nuno valente preparava-se para marcar, mas regressou, tal foi a convicção de Ricardo. Marcou bem e colocou Portugal nas meias.

Melhor em campo:

Ricardo Carvalho

Árbitro:
Urs Meier - boa exibição. Os ingleses acusam-no de ter deturpado o resultado, o que não é, de todo, verdade.

CRÓNICAS DO EUROPEU

ALEMANHA - 1 // 2 - REPÚBLICA CHECA
Estádio Alvalade XXI, Lisboa

A Alemanha tinha nas suas mãos a passagem à fase seguinte. Para isso chegava-lhe a vitória. Não conseguiu, perdeu e foi eliminada ainda na fase de grupos. Os checos entraram em campo com uma equipa algo diferente, mas ainda assim conseguiram a vitória.
Aos 4', contudo, o perigo foi checo, mas Kahn resolveu e encaixou a bola. Aos 16' minutos Ballack marcou o golo da vantagem da Alemanha, após uma jogada em que participaram Schneider e Schweinsteiger, apesar de ser contra a corrente do jogo. A R. Checa respondeu e marcou de forma espectacular por Banik Ostrava, que realizou um livre sofrido por Heinz. Ballack, o mais inconformado, ainda tentou aumentar mas a bola atingiu o poste. A Alemanha ainda teve mais hipóteses, mas não logrou a vantagem de novo. Apenas Baros conseguiu mudar o rumo da partida, e a favor dos checos, fugindo defesa alemã, rematando para e a defesa de Kahn e concretizando na recarga. A Alemanha ficava pelo caminho e a R. Checa era a única equipa a passar com 100% de vitórias.

Melhor em campo:
Marek Heinz

Árbitro:
Terje Hauge - esteve bem durante a partida. Realizou uma boa prestação.

CRÓNICAS DO EUROPEU

HOLANDA - 3 // 0 - LETÓNIA
Estádio Municipal de Braga

A Holanda entrou no jogo com algumas mudanças, devido a expulsões e opções. A Letónia, partia surpreendentemente com os mesmos pontos que a "laranja mecânica", ou seja, apenas um.
Os holandeses começaram melhor, tal como esperado mas Verpakovskis avisou logo no primeiro minuto. Um aviso que não teria cumprimento, porque a vitória da Holanda começou logo a desenhar-se aos 26' quando Davids cai dentro da área sem falta. No entanto, o árbitro entendeu que assim foi e permitiu a Van Nistelrooy inaugurar o placar. O resultado começou a dilatar-se com o bis do avançado do Manchester United, após um livre e um passe bem executado de cabeça para trás. Houve ainda hipóteses de marcar o terceiro, mas foram desperdiçadas pelos holandeses.
A Letónia começou o segundo tempo com vontade de fazer frente à Holanda mas nenhuma das ocasiões foi aproveitada. Destaque para Rubins que sempre jogou a uma velocidade incrível. A Holanda controlou todo o desenrolar da partida a partir daí, com alguma respostas ténues da Letónia, por meio dos mesmos de sempre: Rubins, Verpakovskis, Prohorenkovs e, quando em campo, Pahars. Aos 83' a Holanda faria ainda o 3-0, com Makaay a marcar de pé esquerdo, após uma grande jogada de Robben e de tirar um letão da frente. No final, há que destacar Kolinko que durante toda a partida foi o mesmo de sempre, ou talvez melhor, fazendo frente aos avançados holandeses com excelentes defesas, dignas dos mais conhecidos guarda-redes.

Melhor em campo:
Ruud van Nistelrooy

Árbitro:
Kim Milton Nielsen - esteve mal no lance da penalidade, mas não se pode considerar totalmente desacertado, uma vez que há um toque, muito embora insuficiente. Nunca se saberá quanto teria mudado o jogo sem o penálti, mas não muito com certeza. Ainda assim, esteve bem.

CRÓNICAS DO EUROPEU

ITÁLIA - 2 // 1 - BULGÁRIA
Estádio D. Afonso Henriques, Guimarães

Num jogo que já tinha a Bulgária como grande derrotada do grupo, a Itália teria de vencer para passar. E nem isso era seguro. Caso a Dinamarca empata-se com a Suécia 2-2, a Itália seria eliminada, mesmo saindo vitoriosa da partida derradeira.
Zdravkov começou logo a demonstrar os seus dotes aos 13' por influência (leia-se remate) de Fiore. Del Piero na recarga não inaugurou. Corradi protagonizou mais tarde dois lances de perigo, a que a Bulgária respondeu por Martin Petrov. O golo inaugural só chegaria contudo aos 43' e para a… Bulgária, que contra a corrente do jogo viu Materazzi carregar em falta Berbatov. Valentin Ivanov marcou a respectiva grande penalidade, que Martin Petrov concretizou. A resposta italiana podia ter nascido pelos pés de Del Piero, mas este enviou a bola contra a defesa.
A reentrada da Itália foi fulminante e no primeiro ataque, Perrotta marcou após alguma confusão na área. Após o empate houve oportunidades para os dois lados, mais flagrantes as transalpinas, mas o jogo continuou empatado. A Itália acelerou pois via cada vez mais a qualificação a fugir e esteve perto de marcar um quarto de hora antes do final mas não conseguiu. Só Cassano, no último ataque do encontro marcou, mas acabou os festejos a chorar, quando lhe foi dada a notícia que Dinamarca e Suécia tinham empatado a dois. Uma vitória com um sabor amargo que valeu a não qualificação para os quartos-de-final.

Melhor em campo:
Antonio Cassano

Árbitro:
Valentin Ivanov - bem no lance do penálti, exibiu-se a um nível correspondente às responsabilidades. Boa exibição.


CRÓNICAS DO EUROPEU

DINAMARCA - 2 // 2 - SUÉCIA
Estádio Bessa XXI, Porto

A Dinamarca entrou melhor num jogo que podia decidir a eliminação da Itália, que disputava o outro jogo da jornada com a Bulgária, bastando para isso um empate a dois. As oportunidades sucediam-se mais para os lados dinamarqueses que marcaram aos 28', por meio de um chapéu inacreditável de Tomasson a Isaksson, de fora da área. A Suécia ameaçou posteriormente, mas o golo foi impedido por Sorensen de maneira brilhante, duas vezes. Poucas mais oportunidades flagrantes houve até ao final do primeiro tempo, mas o jogo estava bem disputado.
Markus Merk marcou pela positiva o jogo, limpando a imagem depois do famigerado jogo Porto-Corunha. Marcou uma grande penalidade que não vira, mas que depositou na confiança do auxiliar, que vira Sorensen derrubar Larsson. Este mesmo marcou o empate. A Dinamarca baixou um pouco de rendimento em relação à primeira parte, mas não era por isso que a Suécia aparecia mais perigosa. Ibrahimovic começava também a notar-se pelos lances individuais, com fintas, truques e simulações que deliciaram quem assistiu ao jogo. Aos 66', de novo a Dinamarca em vantagem e por Tomasson também. Na sequência de um canto há um remate, que ressalta em muita gente na defesa e acaba à mercê do avançado do Milan, que perante o guardião sueco marca o 2-1. Tudo se encaminhava para o resultado que os adeptos desejavam mas as equipas não pareciam combinadas batendo-se galhardamente pela vitória. O jogo continuava desta feita com oportunidades para todos e o empate ambicionado apareceu aos 89, numa defesa incompleta de Sorensen e que deixa algumas duvidas, à qual Jonson responde com um remate certeiro. No final viu-se uma atitude lamentável: vendo-se na posse da bola e sabendo que faltava apenas um minuto para o final, os suecos decidiram, por influência de Larsson, passar a bola na defesa, numa clara decisão de anti-jogo. Os dinamarqueses mudos e quedos esperaram também. Uma tão boa exibição das três equipas não merecia um final assim.

Melhor em campo:
Jon Dahl Tomasson

Árbitro:
Markus Merk - muito perto de estar excelente. Muito bem a todos os níveis.


CRÓNICAS DO EUROPEU

CROÁCIA - 2 // 4 - INGLATERRA
Estádio da Luz, Lisboa

A Croácia assim como a Inglaterra podia passar. Tinha para isso de vencer os britânicos. E começou bem, inaugurando o placar desde cedo. Ainda o domínio da partida era incaracterístico e já a Croácia marcava: Rapaijc centrou, num livre, Cole desviou para a sua baliza, pressionado, e James reagiu bem defendendo para a frente. Niko Kovac esperava então a bola que lhe permitiria marcar o tento inicial, aos 5 minutos. Os ingleses responderam mas não chegaram ao empate logo de seguida, apesar de terem tido oportunidade para isso. Apenas aos 40', Scholes empatou, numa jogada que envolveu Lampard, Rooney e Owen. Logo de seguida chegou a reviravolta: Rooney rematou forte e sem hipóteses para Butina, após uma troca de passes entre Owen e Paul Scholes.
A segunda parte começou com folia por parte dos ingleses que quase alcançavam a tranquilidade, mas Owen não conseguiu concretizar um chapéu a Butina, aos 52'. A tranquilidade referida só chegou aos 68', novamente através de Rooney, que correu praticamente isolado e rematou muito forte de novo sem reacção bem sucedida do guarda-redes croata. Ainda assim, o risco poderia ter voltado, ou não fosse a Croácia empatar cinco minutos após o 1-3. Tudor redimiu-se do auto-golo marcado frente à França e marcou, desviando um remate de Srna. Os ingleses marcariam, contudo, o 2-4 por meio de Frank Lampard, jogador que será orientado por José Mourinho na próxima época. O britânico marcou de pé esquerdo, após uma bela jogada individual em que tirou vários adversários da frente. As oportunidades continuariam a existir para ambos os lados, visto faltarem ainda 10 minutos para o final, mas o 2-4 manteve-se.

Melhor em campo:
Wayne Rooney

Árbitro:
Pierluigi Collina - dizer que esteve como é seu costume diz tudo, assim como o seu nome também.

CRÓNICAS DO EUROPEU

SUÍÇA - 1 // 3 - FRANÇA
Estádio Cidade de Coimbra

A França entrou no jogo com vontade de vencer rapidamente mas foi a Suíça a fazer perigo primeiro. O árbitro também errou cedo, assinalando mão na bola, aos 13', quando apenas tinha sido jogada com o peito. Barthez foi obrigado a defender vistosamente para canto, após a cobrança do respectivo livre. Stiel começava também a dar nas vistas, fazendo uso da sua veterania para enfrentar os temíveis avançados gauleses. O lance da mão quase se repetiu, mas desta feita, o árbitro marcou bem a falta, embora fosse bola na mão. O árbitro agiu correctamente tendo em conta que o jogador ficaria isolado. A França continuava forte mas pouco convicta, convicção que não faltava aos suíços que tinham em mente que uma vitória sua podia qualificá-los. Ainda assim, Zidane inaugurou o marcador aos 20', sem marcação e com uma reacção tardia de Jorg Stiel. Os franceses pareceram acordar um pouco mas nunca jogaram como Campeões Europeus em título. E após algumas oportunidades francesas, chega o golo de…Vonlanthen, um jovem de 18 anos, que após uma grande jogada com uma abertura de pernas de Gygax a um passe excelente de Cabanas, logrou igualar a disputa. Ao intervalo, 50% de posse de bola para cada um.
Zidane abriu logo a segunda parte com um bom pormenor técnico, que prenunciava muitas oportunidades. E chegaram. A convicção é continuava em falta e na hora do remate, falhava-se. Os ataques eram efectuados com pouca gente enquanto a maioria ficava atrás, expectante e confiante nos apagados Henry e Trezeguet. Mas Santini notou isso e tirou o último para colocar Saha em campo. E ele mudou o jogo, fazendo o que até aí o avançado da Juventus não tinha feito. Ganhou um lance de cabeça, desviando a bola para Henry que arranjou com o direito e marcou com o esquerdo. 1-2. Stiel esforçava-se e conseguiu fazer frente por bastante tempo, mas não conseguiu fazê-lo ao minuto 83, quando Henry recebeu de Vieira, fugiu a um helvético, simulou o remate e marcou. Nem as substituições efectuadas pela Suíça alteraram o rumo da partida, que acabou com um resultado pesado demais para os derrotados que chegaram a dominar. As equipas vinham mudadas (quatro alterações francesas e saída de Frei por suspensão após ter cuspido em Gerrard) mas o jogo não diferiu muito do que tinham feito até aí. O que foi mau.

Melhor em campo:
Zinedine Zidane

Árbitro:
Lubos Michel - os erros indicados na crónica não alteraram o resultado e são, pois, perfeitamente perdoáveis. Boa exibição.

CRÓNICAS DO EUROPEU

RÚSSIA - 2 // 1 - GRÉCIA
Estádio do Algarve

A Grécia tinha nas suas mãos a qualificação. Para tal até podia dar-se ao luxo de perder, como aconteceu. Nas mãos da Rússia estava apenas a hipótese de sair do Europeu de cabeça levantada. E para isso, talvez a Grécia fosse, teoricamente, o adversário ideal. No entanto entrou em campo com jogadores menos utilizados, assim como os gregs que dispensaram alguns titulares.
Os russos não perderam tempo. Kirichenko, logo aos dois minutos, entrou na área em corrida e bateu Nikopolidis assinando o 1-0. E o 2-0 viria aos 17', por intermédio de Bulykin que respondeu de cabeça e com sucesso a um canto de Gussev. A Grécia sabia contudo o que precisava de fazer para alcançar a qualificação e reduziu a desvantagem antes ainda do intervalo. Este resultado atingido aos 43', por Vryzas, qualificava a Grécia que foi para o intervalo com a ideia nos quartos-de-final.
Na segunda parte, a vontade de chegar ao empate impulsionou a Grécia para o ataque, que tinha em Charisteas o transportador entre as linhas média e avançada. A insistência continuou até ao final da partida mas nem por isso lograram empatar a partida. A qualificação foi na mesma atingida, deixando para trás Rússia e Espanha, dois adversários que tinham já feito mais em outras ocasiões. A Grécia que nunca tinha ganho, nem tampouco marcado um golo numa fase final de um europeu, chegava aos quartos, notabilizando-se por ser um dos maiores outsiders.

Melhor em campo:
Dmitri Kirichenko

Árbitro:
Gilles Veissière - esteve ao seu nível. Nada lhe pode ser apontado que tenha influenciado o decorrer do jogo.

CRÓNICAS DO EUROPEU

ESPANHA - 0 // 1 - PORTUGAL
Estádio Alvalade XXI, Lisboa

Portugal tinha neste jogo a última esperança de passagem aos quartos-de-final. Para isso tinha de ganhar. A Espanha, contudo, supunha-se muito forte e grande candidata a passagem. Assim não foi, muito graças aos jogadores portugueses, que se exibiram ao nível que todos esperavam e ansiavam.
Cristiano Ronaldo era titular e também contribuiu muito para a vitória, fazendo a cabeça dos defesas espanhóis em água. No meio campo, o trio portista dominava a situação com Costinha a controlar as tarefas defensivas e Deco, apoiado pelo pulmão inesgotável de Maniche, definia as incursões atacantes. No lado de lá da barricada, Joaquín também impunha um ritmo alto, como Figo e Ronaldo. Assim, os primeiros trinta minutos foram dominados por Portugal sem qualquer imposição espanhola, sendo que só nessa altura existiram contra-ataques que, por intermédio de Vicente e Joaquín, trouxeram algum perigo à baliza portuguesa. No final do primeiro tempo houve oportunidades para os dois lados, mas nem assim o marcador se movimentou. E Portugal acabava com cinco remates, mais quatro que o adversário, derrotado também na posse de bola com 44%.
Portugal mudou de ponta-de-lança ao intervalo. Pauleta ficou no banco deixando a Nuno Gomes a responsabilidade de concretizar. E o recém entrado cumpriu, marcando aos 57', quando recolheu a bola e atirou à baliza, num lance à ponta-de-lança, sem olhar e por instinto matador. Portugal punha um pé nos quartos. Mas a Espanha não baixou os braços e Fernando Torres quase igualava, arremessando o esférico contra o poste, mostrando ser assim o mais inconformado dos espanhóis. Seguiram-se depois oportunidades de matar o jogo e de o empatar, ambas não finalizadas com sucesso. Mas as mais flagrantes pertenceram à Selecção Nacional que viu Maniche a passar o Casillas e rematar contra Bravo que salvou em cima da linha, Costinha cabecear por cima isolado e Nuno Gomes a rematar para a defesa de Casillas em dificuldade. O jogo acabou, Portugal qualificava-se em primeiro, com mérito e com algum sofrimento.

Melhor em campo:
Deco

Árbitro:
Anders Frisk - ao contrário do que indicavam os espanhóis e a sua pressão portou-se com nível muito alto. Não protagonizou casos nem erros de grande monta. Quase perfeito.

CRÓNICAS DO EUROPEU

HOLANDA - 2 // 3 - REPÚBLICA CHECA
Estádio Municipal de Aveiro

Nos minutos iniciais a R. Checa criou duas oportunidades de golo, que com a oposição da Holanda criaram um início de jogo excelente. É, no entanto, a Holanda que estreia o placar: Bouma, a centro de Robben, bate Petr Cech de cabeça. Seedorf assinou então duas jogadas de belo traço: um livre que raspa no poste e uma jogada muito boa que termina num erro dos homens de negro, assinalando pontapé de baliza quando, na realidade, o correcto seria assinalar pontapé de canto. Aos 18', o abrir do marcador. Robben recebe de Davids, centra para Van Nistelrooy, que marca em nítido e mais que escandaloso fora-de-jogo posicional. A redução chegou aos 23' com uma intercepção de Baros a um mau atraso de Cocu. Conduziu a bola e já em frente à baliza passou para o gigante Koller que marcou. Aos 29' Nistelrooy é derrubado para grande penalidade que o árbitro não assinalou. Cech destacava-se por boas intervenções. Davids e Robben trabalhavam tecnicamente para o espectáculo. Koller, Poborsky e Baros jogavam muito bem. Enfim, o jogo tornava-se o melhor do Europeu até ao momento.
No segundo tempo, o desenrolar do jogo foi ainda mais excitante, com múltiplos remates e jogadas de perigo de parte a parte, com defesas brilhantes de Cech (56') e Van der Sar (63'). O empate consuma-se aos 70' por Baros, jogada iniciada num centro de Smicer para o amortecimento de peito de Koller e Baros, sem parar a bola, remata sem hipótese para Sar. Momento de luxo no Municipal de Aveiro. O árbitro fartava-se de errar, manchando o nome da classe que tão bem tem desempenhando a sua missão, desta feita expulsando Heitinga por acumulação de amarelos, num lance que nem é falta. Nos bancos Karel Bruckner goleava Dick Advocaat, tendo as suas substituições sido arriscadas mas com resultados. Aos 76' Nedved avisa, Heinz insiste, aos 80 o capitão volta a avisar que o golo estava perto. E estava. Aos 87', consuma-se a vitória dos checos por intermédio de Smicer. Heinz remata forte, Van der Sar responde bem e, na recarga, Poborsky mete para o lado, onde está Smicer para marcar. O risco foi bem sucedido e deu a vitória à ex-Checoslováquia.

Melhor em campo:
Pavel Nedved

Árbitro:
Manuel Mejuto González - vergonhoso. Um golo em fora-de-jogo, um penálti por marcar, faltas que bastem mal marcadas e muitos outros erros fazem com que seja de duvidar a categoria deste árbitro. Num Europeu não se podem cometer erros assim.









CRÓNICAS DO EUROPEU

LETÓNIA - 0 // 0 - ALEMANHA
Estádio Bessa XXI, Porto

A Letónia começou o jogo a pressionar com convicção, nem sequer deixando a Alemanha sair para o ataque. Ainda assim, o primeiro lance de perigo foi protagonizado por Frings, que rematou ao lado. A Letónia mostrava-se desinibida como se nada tivesse a perder e esta atitude dava bons frutos, muito embora o perigo tenha assolado a sua baliza aos 13' por meio de Kuranyi, que, sem marcação, remata ao lado. Aos 21' foi a vez de Stepanovs centrar sem desvio Verpakovskis, o que permitiu a primeira defesa a Kahn. Os lances perigosos mantinham-se, mais para o lado da Alemanha, que mesmo assim não suficientemente perigosos para a baliza de Kolinko. Ballack começava a destacar-se, tornando-se no homem que fazia o encaminhamento defesa-ataque e participando em algumas de perigo. Rubins atormentava os alemães com a sua fulminante velocidade. Verpakovskis pautava-se pelo jogo de oportunidade e criou perigo aos 34' e aos 39'.
Ao intervalo sai Schneider para a entrada de Schweinsteiger.
A segunda parte começou com Kuranyi a criar perigo num bom lance individual. Riley, o árbitro, erra ao não dar a lei da vantagem aos 52 minutos e um minuto mais tarde não assinala um penálti sobre Verpakovskis. Schweinsteiger foi uma boa aposta, começando também a notar-se no jogo alemão a sua energia e a sua irreverência. Os treinadores ainda tentaram alterar o ruma das coisas com jogo de banco mas não deu resultado. O jogo acabou depois de várias oportunidades e de um domínio alemão que se fez notar no meio-campo da Letónia e na posse de bola (66% - Alemanha, 80') mas nunca no marcador, tendo Kolinko muito mérito neste particular.

Melhor em campo:
Michael Ballack

Árbitro:

Michael Riley - uma grande penalidade não assinalada e um erro de lei da vantagem mancharam uma boa exibição.




CRÓNICAS DO EUROPEU

ITÁLIA - 1 // 1 - SUÉCIA
Estádio do Dragão, Porto

Um jogo em que quem vencesse tinha grandes possibilidades de se qualificar, sendo que a Suécia qualificava-se certamente. A Itália dominou grande parte da partida fazendo oportunidades muito cedo como aos 3' por Vieri. Mesmo assim, o começo foi equilibrado, muito embora as alterações a que as duas equipas foram forçadas a fazer, por lesões suspensões e opções técnicas. Aos 13 minutos deu-se a única oportunidade de golo da Suécia com um remate de primeira de Ibrahimovic a passe de Ljungberg. A Itália ia começando a dominar mas nem por isso concretizava as oportunidades em golo, o que apenas aconteceu aos 37' com um cabeceamento de Cassano, avançado do Roma e companheiro de Totti, que tinha substituído pela suspensão deste. A Suécia conseguiu equilibrar o jogo apões o jogo mas não traduziu em golos esse equilíbrio.
Na segunda parte, Del Piero estreou as oportunidades com um chapéu que só foi salvo por Jakobsson. A Itália tinha deixado o ataque e defendia mais e por isso a Suécia atreveu-se mais nos últimos vinte minutos, chegando ao golo num lance algo caricato. Trapattoni tinha feito alterações e a opção defensiva foi fatal aos transalpinos. A confusão instalou-se na área italiana e Ibrahimovic marcou espectacularmente de calcanhar e em voo. Vieri não consegui, de cabeça, impedir que a bola entrasse.

Melhor em campo:
Zlatan Ibrahimovic

Árbitro:
Urs Meier - discreto e bem na generalidade. A disciplina e a técnica estiveram bem.




Orgulho

A noite nunca é escura de mais para pensar. Os pensamentos podem ser escuros de mais para a noite. Assim como as manhãs cobertas de nevoeir...