Problemas ferro e rodoviários: os comboios e o acidente do IC8






O póstumo é algo bem mais profícuo do que o presente. Da mesma forma que os já falecidos eram todos boas pessoas, pelo menos a julgar pelas declarações dos presentes no último adeus, a solução de problemas que já não têm por onde ser resolvidos é obra comum do ser humano.
O acidente do IC8 encaixa neste perfil. Descrever o acidente seria fazer eco das agências noticiosas, bem mais precisas do que este blog nesse tipo de descrições. Já no que toca à reflexão, este blog ficará, porventura, a ganhar.
O piso tinha um defeito já por demais explorado, o autocarro não tinha cintos de segurança e, por fim, a legislação de diferentes países dá indicações divergentes quanto à segurança.
Em primeiro lugar, se queremos operar num país diferente do nosso temos de cooperar com as autoridades do mesmo, ou seja, cumprir a lei que nesse país vigora.
Segundo, os problemas de piso e de segurança devem ser resolvidos antes das viagens.
Terceiro... Não há terceiro. Aliás, se fossem tomadas previdências atempadamente tudo seria simples.
As alegações das inúmeras razões que levaram ao acidente do IC8 e de ambos os comboios em Alfarelos, bem como daquele terceiro que chocou contra uma carrinha de um assaltante de gasóleo em Souzelas apontam para uma só razão que de razão nada tem: o erro humano.
Seja o erro de não corrigir aquilo que tem defeito, o não atentar nas regras de segurança que falam de cintos ou de linhas diferentes para comboios em sentidos opostos ou o risco que decorre de uma paragem numa linha de comboio durante uma fuga à lei há um denominador comum de falha do sistema que nos rodeia.
Entre doidos e irresponsáveis acabam por surgir feridos e mortos. E depois? Depois? Depois de morrerem umas quantas pessoas já se podem resolver os problemas ou enfrentar os flagelos sociais. E assim, a lógica fica de fora da equação.

Imagem: rtp.pt

Procrastinação: um problema maior





Ser um procrastinador está ao alcance de todos. Para quem gostar de se tornar algo cujo nome seja tamanho trava-línguas basta não se esforçar. Afinal, a procrastinação é automática. Podendo ter origem na busca do prazer que Freud apregoava é um óbvio sinal de que colocamos pequenos entraves prazenteiros àquilo que nos desafia. E está por todo o lado...
Ao acordar está naqueles cinco minutos que pedimos a mais; para sair de casa está naquela preguiça de levantar do sofá; para estudar está naquele peso que os livros têm antes de pegarmos neles; para as dietas está naquele último doce; para os fumadores está naquele café que não dispensa o cigarro; para tudo está no "daqui a pouco", no "mais tarde" e no "amanhã começo".
Exposta desta forma, a procrastinação vive em cada um de nós e cabe-nos, como sempre, lutar contra ela. Não se perde o dia por aquele cinco minutos da manhã. Talvez nem seja problemático sair apenas meia hora depois. E começar a dieta amanhã? É grave?
Bem, é só somar. Apenas com estes três exemplos estaríamos atrasados vinte e quatro horas e trinta e cinco minutos. Um atraso substancial numa vida que, todos sabem, tem fim.
Apesar deste conceito de finitude e de senso de urgência, todos temos o vício da modorra, o eterno dilema da indolência.
Tudo isto se deve ao hábito. É na força das rotinas produtivas, a nova designação para o clássico "pôr-se a mexer", que reside o segredo. Como facilmente se conclui, não há segredo. Há apenas um esforço que, se programado paulatinamente, com objectivos curtos e de forma sustentada, dá origem a resultados satisfatórios para cada um e influencia os que nos rodeiam, gerando uma onda de actividade que nunca antes se observou. Prontos para começar? Muito bem, mas tem de ser já!

Imagem: whywesuffer.com

O prazer de uma vitória criativa






O meu post de hoje é dedicado à motivação, à luta, às vitórias.
Uma vitória é, por definição, um objectivo alcançado por entre dificuldades, contratempos e gente derrotista.
Estas particularidades da vida que tantas pessoas impedem de vencer são aquilo que acaba por trazer satisfação a quem persiste.
Orgulho-me de fazer da criatividade parte integrante do meu quotidiano.
Por essa razão, dá-me muito prazer quando alguém toma um passo ou alcança uma concretização que farão o mesmo pela sua vida. Assim foi com a Filipa.
Em primeiro lugar, fazendo o esforço para não deixar transparecer os sentimentos que nutro por ela - oops, já está! - endereço-lhe os meus parabéns pela Licenciatura em Tecnologias da Comunicação Multimédia.
Como se perceberá pelo nome, esta é uma licenciatura que compete a todos aqueles que desejem ter uma vida relacionada intimamente com a produção de conteúdos multimédia, a comunicação que neles está incluída e o conhecimento das técnicas e da aplicação de uma série de competências que permitirão a efectuação dos mesmo com qualidade atestada. Em palavras correntes, baseadas na minha própria observação, são portentos da tecnologia em prol da arte.
Num país como o nosso em que que famílias de plagiadores fazem carreira - note-se a irónica utilização da palavra homónima dessa família...- e vendem o seu enganador produto como se de pães quentes se tratasse, num país que premeia o "desenrascanso" e a falta de profissionalismo, mas também num país que deu alguns dos maiores artistas de sempre ao mundo e que cultivou uma cultura muito além das suas próprias fronteiras - pena que tenha sido há centenas de anos - deposito nesta geração, de que a Filipa faz parte, a confiança num futuro melhor.
Da minha experiência decorrente da prática continuada da exploração do mais íntimo processo criativo que me sustém, pude concluir que este é fruto de uma demorada e trabalhosa sequência de acontecimentos. Da análise da realidade atística do nosso páis, pude concluir que não se pode atestar a qualidade através do filtro economicista das vendas ou dos lucros. A qualidade da generalidade do nosso público, de fraco espírito crítico, leva a que aqueles que não possuem qualquer tipo de mecha criativa possam viver muito bem.
Está nas mãos da geração de artísticas gráficos, músicos, escritores, pintores, mudar esta noção podre dos consumidores de produtos artísticos.
Apenas a qualidade poderá demonstrar que, mesmo os já conhecidos e ainda bem sucedidos engodos, nada têm a oferecer.
E a Filipa tem essa qualidade. A qualidade que aprenderá a vender, que aplicará no seu dia-a-dia e que eu já pude constatar.
Parabéns a todos os que se licenciaram em TCM, aos mais novos profissionais que agora iniciam uma nova etapa e, em particular, à Filipa pelo esforço que dispensou durante os longos e duros anos em que acumulou trabalho e estudo!
Imagem: wallsave.com

Todos podem cozinhar




Este é o lema de um filmes da era moderna da Disney que mais admiro, Ratatouille. Pude comprovar a realidade do mesmo através da minha primeira experiência séria na cozinha. Segundo os presentes à mesa, nove bem contados, tudo estava apetecível e foi, como pude confirmar no final, consumido até ao último pedaço.
Bifes de peru com presunto e salva... Até me cresce a água na boca só de pensar! O mais incrível de tudo é a vontade que me dá de cozinhar, de fazer daquela arte um novo objectivo, um novo hobbie (como se todos os outros fossem poucos), de ler de saber de poder dar a quem nos visita algo trabalhado com afinco pelas nossas mãos e que lhes proporciona um prazer que podemos ver estampado na face.
Houve quem repetisse, nada sobrou a não ser os elogios e, no final, como determinada personagem do supracitado filme, o meu ego emproou-se um pouco. Rápido conclui ser apenas um aprendiz de aprendizes, mas soube, agora por experiência, que todos podem cozinhar.

Nota: a foto é real e retrata os mesmo bifinhos que acima descrevo!

Reclamações





Quando num restaurante a carne chega crua à mesa todos me dizem: "Eu reclamava!". E eu reclamo. Quando numa loja espero mais de uma hora para comprar uma pastilha elástica todos me dizem: "Eu pedia o livro de reclamações!". E eu reclamo. Quando num hotel a cama tem cabelos dos hóspedes anteriores todos me dizem: "Eu vinha logo embora e fazia um escândalo!". E eu reclamo. Quando num bar me servem a bebida errada todos dizem: "Reclama que eles trocam". E eu reclamo. Quando o carro não pega, vai ao mecânico e volta a não pegar todos dizem: "O melhor é levares o carro lá outra vez e reclamares". E eu reclamo. Quando um produto de um hipermercado está marcado a um preço e passa na caixa a um preço mais caro eu reclamo. Quando um funcionário de qualquer estabelecimento me trata mal eu reclamo.
Então porque é que quando um músico toca mal todos me dizem: "Deixa lá!"? É por ser artista? Não pode ser essa a explicação porque, no caso, se toca mal não é artista.
E sabem o que eu faço? Reclamo! Esquisito? Não, trata-se simplesmente de coerência.
Se qualquer produto, do sector primário ao terciário, me desagrada eu reclamo. Seja o sujeito em causa um vendedor, um trolha, um picheleiro, um pintor, um escultor ou um músico.
Agora argumentem que eu na minha vida não enfrento reclamações. Já está? Pois saibam que no hospital o livro é amarelo! Não vai para a ASAE, vai para o Ministério que nos tutela, o da Saúde. Por isso, é ainda mais grave!
E na literatura? Sabem quantas pessoas me dizem, por mês, que não gostam de ler? E eu não as obrigo nem discordo delas porque têm o direito aos seus gostos e opiniões.
Mas eu não cometo erros ortográficos constantes, o que na música corresponderia a várias notas ao lado.
E será que o facto de eu tocar piano, num nível ainda iniciante, é motivo para não poder criticar ou ter de demonstrar mais capacidade do que aqueles que critico? Não, porque eu, mesmo que toque em público, não cobro. E, não cobrando, também não me aventuro a tocar músicas que não sei ou a executar técnicas que desconheço.
Tudo isto significa que vivemos entre a mediocridade onde o básico chega para desempenhar qualquer função. Hoje qualquer um lança um livro, qualquer um fotografa, qualquer um pinta, qualquer um canta, qualquer um toca um instrumento... Mas o tempo é soberano e para a história ficam as lendas. E todos os que se alimentam da mediania perdem-se na passagem do quotidiano.

Orgulho

A noite nunca é escura de mais para pensar. Os pensamentos podem ser escuros de mais para a noite. Assim como as manhãs cobertas de nevoeir...