A eloquência mascarada

Há pessoas que nos enganam à primeira vista. E são exactamente essas que se vão valorizando aos nossos olhos, à medida que vemos que são bem melhores do que o que fazíamos delas. Por exemplo, há alguns anos que conheço uma senhora, que via e vejo regularmente e sempre pensei eu essa senhora, com quem nunca falei até há pouco, fosse deficiente. As atitudes dela levavam-me a pensar, assim como a muito mais gente, que havia ali algum atraso, algum problema mental que a fazia actuar assim. No entanto, nessa conversa que tive recentemente, na qual fui chamado por essa senhora, fiquei a saber a verdade. Se há deficiência é para mais e não para menos. A eloquência da mulher surpreendeu-me de tal maneira que melhorou muito mais a imagem que tinha dela. A pessoa que andava a varrer e a falar sozinha, a pessoa que fazia as coisas exageradamente alienada desapareceu. Agora, na minha imaginação, só aparece a conversa e a tão fantástica quanto surpreendente eloquência. E tudo por causa das aparências…

Anonimato infeliz

Em primeiro lugar queria desculpar-me pelo atraso da resposta. É mais do que verdade que o tempo tem sido escasso para prestar atenção ao blog, mas ainda assim continuo a pensar que é possível mantê-lo, até porque, pelos vistos, os meus posts irritam. Quem? Pois isso é que não posso dizer. Não que não que queira revelar, mas também isso me é escondido, por algum leitor que insiste em fazer comentários sem assumir o que diz, o simplesmente por um leitor tímido, que respeito apesar disso.
Vou, portanto, responder a todas as perguntas. "Penso eu de que" não é boa gramática, mas também não ouço (não quer dizer que não aconteça) Pinto da Costa dizê-lo há muito tempo. Se calhar aprendeu. Quanto aos estudos do Presidente do FC Porto sabe-se que frequentou o Liceu, o que implica que tenha mais dois ou três anos de escolaridade que Filipe Vieira. Quanto à indirecta contra a minha inteligência gostava de discutir isso pessoalmente, mas como o Exmº Leitor teima em manter-se na penumbra, escrevendo sem assinatura, não posso. Por isso, não vou falar nem tampouco valorizar pois corria o risco de me prejudicar ou de cair na imodéstia. Quanto à educação, essa mantenho-a não respondendo sequer à acusação como se calhar me apetece ou como muitos outros fariam, estando no lugar em que estou.
Por último, desejar ao famigerado leitor anónimo que passe bem, que continue a ler e criticar e que, se possível, passe a assinar os comentários para que eu possa dirigir-me a ele mais educadamente e por nome. Muito obrigado.


P.S. - Após ter escrito tudo o que está acima, nasceu a dúvida: "Como demonstra este post…", qual? O meu ou o do leitor?

Clássico de quarta classe II

3 pontos. Mais champanhe, menos champanhe, mais boca, menos boca é o que fica. 3 pontos, uma vitória. Fica também, pensou eu, o enorme orgulho dos benfiquistas em ter um Presidente que diz: "Todos vós viram!" (neste momento o corrector ortográfico do Word, demonstrando a sua inteligência virtual, diz-me que estou errado; não é assim que se escreve). E mais. Um Presidente que fala em laia, que cora de tantos nervos, que mente, que diz e desdiz, é, sem dúvida, um grande Presidente. Falo claro do Presidente com mais estudos de Portugal, o Sr. Dr. Eng.º. Arq. Prof. Luís Filipe Vieira. Se ficou na quarta classe foi, muito provavelmente, porque reprovou no exame. Estão vocês a pensar: "Tu também estás a falar de uma coisa pessoal, algo que nada tem a ver com o futebol!" É verdade. Mas como já escrevi é algo que Filipe Vieira reclama com orgulho. E o orgulho é o seguinte, pensem comigo: eu não sou nada, apenas escrevo umas coisas, leio, estudo, mas não sou anda. A sociedade não me reconhece nenhum mérito. Mas eu, o tal que não é nada, tenho mais sete anos de escolaridade que Vieira, a caminho do oitavo que, com certeza, irei concluir com bom aproveitamento. Ah! E sei dizer "Vocês viram". Pinto da Costa também não é santo nenhum. Mas pelo menos mostrou alguma dignidade e nunca mandou cortar o som a ninguém, mais uma prova da falta de respeito pelo adversário.
Já José Veiga, antigo portista, deu as calinadas habituais que não tive oportunidade de apontar, tal foi o seu ritmo. Nuno Gomes, também este, guardou rancores da expulsão e descarregou em Pinto da Costa, que até se dispôs a ceder-lhe o lugar, quando foi visível que o responsável benfiquista da conferência de imprensa permitiu que ele o ocupasse.
Em suma, de tudo isto nada se aproveita. Nem os 3 pontos. Até porque o árbitro beneficiou o Porto porque mediu a entrada da bola na baliza e viu que era golo, fez vista grossa ao penálti de propósito, expulsou Nuno Gomes sem razão… (como a ler é difícil notar a ironia, eu anuncio-a: estou a ser irónico.)



P.S.- Como gosto de ser desportista mando um abraço para todos os meus leitores benfiquistas que pensam como o seu treinador: o Porto mandou e marcou (primeira parte); o Benfica mandou e não marcou (segunda parte).



Florença

Ontem, já noite, e já na cama, fazia eu o habitual zapping tentando encontrara algo que me prendesse e parei na Sic Notícias. Decorria o 60 Minutos, famoso programa da CBS, mas a versão portuguesa. A primeira reportagem levava-nos pelo Mundo da geração 80-90, a minha, portanto. Fiquei a ver. Algumas vezes dei comigo a abanar a cabeça, concordando; outras pensando como é possível as mentalidades chegarem a tal ponto. A reportagem passou e logo de seguida o apresentador falou da família Médici. O meu cérebro, já desperto pelo interesse intrínseco do programa, acordou ainda mais, fazendo a pequena associação Médici-Florença-Itália.
Segundo a reportagem, uma longa equipa de estudiosos, cientistas e outros interessados tinham desenterrado as sepulturas de dezenas de Médici para saber mais acerca deles. As doenças que tinham, os problemas que os atormentavam, enfim, pormenores do quotidiano que podiam ajudar a entender a vida de uma abastada família. Soube, por exemplo, que o pai da família, apesar de ser robusto e levantar pesos, no final da vida não pudera dobrar-se devido a três vértebras estarem juntas e que a mãe, devido aos onze partos tinha ossos frágeis, depois das crianças usarem o seu cálcio.
Mas o que mais me tocou foi uma imagem genérica, uma vista de cima da cidade de Florença. Reconhecendo a vista como a mesma que vi desde o Piazzale Michelangelo fiquei comovido. Se não cheguei às lágrimas pouco faltou. E depois, para arrebatar ainda mais o sentimento, a repórter afirma que Florença é, provavelmente, a cidade mais bonita do Mundo. E é mesmo. E eu estive lá…

Clássico de quarta classe

O Benfica-Porto de amanhã (será mês "de amanhã"?) está quente de mais. Assim consegue-se explicar o porquê de tantas figuras portuguesas se afastarem do futebol. Pacheco Pereira, por exemplo, não dedica qualquer valor ao futebol. No entanto, ninguém dedica valor a este tipo de situações que se estendem há anos pelo futebol, principalmente o português, que, afinal, é o que nos interessa. Filipe Vieira, com a sua 4ª classe que tanto se orgulha de proclamar, vive das guerras apesar de dizer que quer paz. Fernando Gomes disse algo de tão simples, quase nem podendo ser declarado acusador do que quer que fosse, e logo o presidente benfiquista se lhe atirou com unhas e dentes. É um cenário lindo. Bonito de se ver. Quase tão bonito como o "bloqueio à comunicação social" por parte de Santana e seus pares.

Silenciado

Escrevia eu há dias algo sobre a censura dissimulada, aquela que dispensa o carimbo do Regime, mas que, sub-repticiamente, barra opiniões e ideias, permitindo a quem domina continuar a sua actividade sem que algo afecte os seus propósitos. Pois bem, coincidência ou não, deu-se o já famigerado caso do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, que foi "calado" por um ministro, muito provavelmente de menor valia que o, agora, ex-comentador. Pacheco Pereira falou, em entrevista à TSF, em "delito de opinião", que considera só poder existir nas ditaduras. É, então, um caso de abuso de poder, uma vez que o Estado devia assegurar e apoiar a "pluralidade", citando Santana Lopes.
No entanto, há algo que continua por explicar: será que Marcelo Rebelo de Sousa sairia da TVI de livre vontade, se lhe fossem concedidas as mesmas condições de outrora? Ou será que algo lhe foi vedado, uma vez ter ele falado de liberdade que tinha?
De uma coisa há certeza. Há-de haver no jornalismo actual uma separação. Como se um pré e um pós-Rebelo de Sousa se definissem. E o melhor é sermos todos muito comedidos. Ou, se não temermos, ao menos façamos como ele fazia: usemos a voz para mostrar a realidade e não para afagar aqueles que esperam que nenhuma maré traga à tona os seus desacertos.

Orgulho

A noite nunca é escura de mais para pensar. Os pensamentos podem ser escuros de mais para a noite. Assim como as manhãs cobertas de nevoeir...