Quando a voz declara, o ouvido lembra

Carta de um sonhador a um amor que a voz declara e o ouvido sempre lembra:

"Às vezes a nossa voz abafa-nos. Às vezes a nossa voz deixa de nos fazer sentir a nossa própria pessoa. Se falamos deixamos de estar centrados no essencial. Isto é, se falamos de mais.
No entanto, quando a voz declara, o ouvido lembra. A nossa voz diz-nos que há perigo; é quando o sentimos mais presente. A nossa voz fala-nos de amor; é quando ele nos refresca a alma. Enfim, sentimos mais o que a voz revela, para o bom e para o mau.
Por isso, é bom falar, assim como é mau falar. É bom dosear as palavras, tanto quanto é mau fazê-lo. As palavras valem o que valem e nós valemos muito mais. As atitudes passam, às vezes de mão dada com as palavras e eis que as pessoas ficam. Isso é o mais importante. Haja bem-estar ou problemas, felicidade ou tristeza, haja frescura ou cansaço, haja contraditório ou simples discurso vão, lembra-te só que eu fico. Eu lembro que tu hoje ficaste. Amo-te ainda mais por isso."

Firenze 2009

Podia ser a inscrição impressa num autocolante, daqueles que se colavam outrora nas malas de viagem e que provavam a nossa presença lá. Fosse esse "lá" onde fosse.
Este ano, em consumação de uma prenda que programei com tanto carinho, viajámos até Florença, perdão, Firenze.
É, conforme tinha já constatado há cinco anos, uma cidade magnífica, plena de História e de histórias. No entanto, não foi só Firenze que conquistou o nosso gosto. Pisa, Siena, San Gimignano, Greve in Chianti, Lucca...
Nesta última, num rasgo de sorte, conheci Luciano Orsi, um escritor e poeta naïf que vendia os seus livros na rua. Retirava-se naquele preciso momento quando o interpelei. Comprei-lhe um livro, tirámos uma foto, trocámos contactos e continuámos os nossos caminhos, separadamente, mas em comunhão de intenções literárias.
Livorno foi outra das cidades que visitámos e, desta feita, ao contrário do que se tinha passado há cinco anos, fui até à praia. Vedada, confinada a quem paga para dela usufruir. Como acompanhávamos alguns habituais pudemos fazê-lo sem despender do valor fixado. Porém, não é essa a razão do tamanho prazer desta visita, mas sim a beleza desta costa montanhosa.
Claro que as saudades ficam. Regressarei lá um dia, certamente. Por agora, restam-me as fotos dos momentos que lá passamos.

Orgulho

A noite nunca é escura de mais para pensar. Os pensamentos podem ser escuros de mais para a noite. Assim como as manhãs cobertas de nevoeir...