Comparações

Naquela tão famosa quanto estúpida intervenção, Rui Rio compara Jorge Nuno Pinto da Costa a Bernard Tapie e Gil y Gil, insinuando a corrupção; no prefácio da autobiografia do Presidente do FCPorto, Lennart Johansson, Presidente da UEFA, compara o autor a Santiago Bernabéu e Ângelo Moratti, como criador de impérios. Qual deles tem mais legitimidade para a comparação? Excluindo o facto de Rui Rio vir a apunhalar a sua cidade desde o momento da eleição enquanto Johansson faz uma UEFA melhor e tendo em conta a inteligência de cada um destes homens…enfim, Rui Rio ainda tem muita sopa por comer. E se depender das pessoas do Norte, a sopa vai mesmo ficar no prato.

Cantores

Já vos tinha falado no ténis. Ontem, para finalizar o período, deu-se o jantar do Clube de Ténis no restaurante Areal, em Miramar. As trocas de prendas, os sorteios, a comida, enfim, tudo muito divertido. Mas o grande momento da noite foi o karaoke. O prof. Jorge Ramiro cantou Olavo Bilac "Fala-me de amor", o Ricardo e o João cantaram o "Vira" dos Mamonas Assassinas e a Nisa e a Sara cantaram "Solta-se um beijo", Ala dos namorados", só para citar alguns. E eu? Sozinho, enfrentando aquele público que, afinal, não era sequer ameaçador, cantei "The first cut is the deepest" do Rod Stewart e fui o primeiro da noite a cantar em inglês. Tive direito a gritos, vénias, cânticos, uma verdadeira claque. E pronto, foi uma noite bem passada, na companhia dos amigos. Para repetir…

Ténis

Ténis. Para mim sempre foi um desporto elitista, até que um dia um professor o trouxe para a escola. Pois bem, agora, mais de um mês depois, o vício entranhou-se. Começou por ser uma brincadeira, passou a hobby e já é quase uma responsabilidade. É bom, é barato e dá para alargar os conhecimentos e espairecer do stress, que sendo já de si pouco fica bem perto do nulo.

Amor do Mundo

Todos os problemas do Mundo nascem no amor. É verdade. Por incrível que pareça. Se não, vejamos:
-Numa guerra planta-se ódio, no entanto, é o amor à pátria que impulsiona os soldados a guerrilhar entre si.
-Numa casa quando alguém discute é por amor, porque deseja que o interlocutor concorde consigo.
-Numa relação desastrada, muita gente se suicida ou morre por acidente após perturbação emocional, devido ao amor que ainda sente e que o compele a ficar triste.
-Numa relação ainda platónica é por amor que o indivíduo não correspondido sofre.

Sendo assim, está provado que o amor é causa para muitos destes problemas. Contudo, isto só acontece se for mal usado. Por que se o usarmos bem…

Errata

A vida é feita de enganos. Pois, para isso mesmo fui alertado e deixo aqui a correcção a um desses erros. No post "Regresso", referi a decisão do PP e do PSD de "concorrerem juntos". Está mal. Eles não concorrerão juntos, mas, antes, juntar-se-ão se um deles vencer e constituirão governo dessa forma. Fica o reparo e uma opinião: não foi tão importante assim porque duvido que a vitória quer de um quer de outro aconteça.

Dejà Vu

Vivemos num mundo de diferenças, é certo, mas não raras vezes tudo parece dejà vu. Os políticos, os que estão, os que estarão e os que estiveram, actuam, mais diferença menos diferença da mesma forma: se dizem que é para apertar o cinto apertam demasiado, se dizem que estamos a entrar em retoma exageram na despesa, etc, etc, etc.
Os homens do mundo do futebol (e neste particular distingo dias da Cunha, um homem de larga clarividência) discutem má ou boa fé por parte dos árbitros e do seu background. Não é, na minha opinião, de todo produtivo que se discuta tal coisa. Partindo do princípio da boa fé, temos de fazer vingar as grandes melhoras e não andar a atirar areia para os olhos de ninguém. Ou não será estranho, e não estou a defender ninguém, que Pinto da Costa seja constituído arguido por casos tão enevoados como o da camisola de Rui Jorge, rasgada segundo consta por Mourinho, acto que tem como única testemunha Paulinho, infelizmente, pessoa de algumas limitações mentais. Se Pinto da Costa fez alguma coisa, isso terá sido muito maior e estará com certeza muito mais escondido. Resta-lhe a presunção de inocência, porque isto de falarem dele como corrupto já vem de há muitos anos, é só mais Apito Dourado menos Apito Dourado.
O sistema de ensino prepara os alunos que finalizam o Secundário não para a vida futura mas para os… Exames Nacionais. Os professores limitam-se a fazer o que o sistema obriga e concordam, alguns, com a maldade desta deficiência. Depois surgem questões como:
- Sra. Dra., eu acho que, em situação profissional e durante toda a vida futura que me espera, ninguém me vai perguntar para que lado durmo!
- Mas tens de estudar isso porque pode sair no Exame!

Lanzarote

Depois da leitura do primeiro volume de "Cadernos de Lanzarote", de Saramago, Portugal ficou para mim um bocadinho mais pequeno. Não que ele ou qualquer outro português o mereça, mas a partir do momento em que Saramago afirma que é ibérico, por tudo o que lhe fizeram aqui, é natural que se fique a pensar:
Em que país vivemos nós que querendo andar para a frente recua, enjeitando os seus bons executantes? E nisto não nos confinámos, infelizmente, ao caso particular de Saramago, embora alguns não sejam expulsos, mas deixados fugir.

Conto

Mais uma vez, um conto:

A Flor e o Inverno

Era uma vez o Inverno. O Inverno, frio e incontrolável como é, começou a tornar-se triste. Sentia-se a falhar, sentia que já não era necessário ou, pelo menos, tão fundamental como todas as outras estações.
Certo dia, andando com o frio bem à mão, o Inverno viu, bem perto de si, nascer uma Flor. O seu coração congelado começou a aquecer. Primeiro, lentamente e a medo. Depois, reagindo, foi-se aproximando e falou-lhe.
- Olá, flor! Não tens frio? Sabes, nunca pensei que alguém pudesse nascer tão perto do meu coração gélido, quase glacial, mas tu…
Não teve coragem de continuar. Ela tinha começado a mostrar-se a luz do dia. As pétalas, uma após outra, foram-se abrindo. A cor que a preenchia era inqualificável. Era vermelha, daquele calor que ele sentira; era cor-de-rosa, da fragilidade e da sensibilidade; era verde, da esperança; era branca, da pureza. Revelava-se lentamente e, talvez por isso, o coração do Inverno batia cada vez mais acelerado. Quase não conseguia respirar, tal era a força com que o coração batia. Tudo por estar perto dela.
Ela ia sorrindo. Cada pétala era mais um sorriso, uma amostra de toda a sua simpatia. Contudo, ele sentia-a distante. Estariam trocados os papéis? Seria ele o quente e ela o frio? Não, era uma ideia que não lhe agradava. Afastando-a continuou, compenetrando-se no espectáculo a que assistia. Ela nascera e agora florescia. De repente, como que num último esforço simpático e terno, a Flor mostrou-se completamente ao Inverno.
Perguntou ele:
- Não temes morrer com o meu frio?
A Flor respondeu:
- Com essas lágrimas não.

Respeito: limites e infracções

Até que ponto podemos nós ir quando se trata de respeitar os outros? Sendo que os limites são impostos por cada um de nós, não será difícil para o interlocutor distinguir quando vai, ou não, infringi-los? Se estes limites não lhe forem mostrados não faremos mal em censurá-lo caso os infrinja? Pois é nisto que temos de pensar quando agimos desse modo.

Regresso

Depois de alguns problemas técnicos com o computador, dá-se o regresso. Para trás deixei grandes períodos históricos para o nosso país: a dissolução da AR, a sagração do FCPorto como Campeão do Mundo, a decisão do PSD e do PP de concorrerem juntos (para este ainda vou a tempo), mas confesso que não deixei quem "me" lê tão mal como se pode pensar. O penúltimo post até é bem engraçado.
Este interregno serviu ainda para me ligar mais ao blog, uma vez que a síndrome de abstinência falou mais alto e muitas vezes senti falta deste aparelho de desabafo. Assim sendo, resta-me cumprir com o meu papel a partir daqui e não defraudar nenhuma, mesmo nenhuma expectativa. Até porque mais de 1300 visitas não me dão margem de manobra…

Poema

Soneto à Deusa

Vive em ti a inigualável beleza
Que te torna, portanto, incomparável
E o jeito inconfundível e amável
Retira, se houver, minha incerteza

Mas tu não és como qualquer alteza
És de um maior valor impraticável
Única, de perfeição admirável
E plantas alegria onde há tristeza

Pois que mais posso dizer eu de ti
Se nenhuma palavra vai chegar?
Nada. Mas sei que tu libertas luz

És, eu sei, como nunca outrora vi
És, também, quem eu mais desejo amar
És a única deusa que me seduz


Fernando Miguel Santos
19/10/04 - 20/10/04

Arafat

Yasser Arafat encontra-se, como é de conhecimento público, num estado de saúde muito precário. Hospitalizado e ligado às máquinas em França, a sua morte tem sido ora anunciada ora desmentida. Calcula-se que seja devido à importância religiosa da sexta-feira que passou, ontem, que poderia ser alvo de discórdias e desacatos caso fosse conhecida a sua morte. É, portanto, natural que, passando a data se anuncie mais cedo ou mais tarde o falecimento de Arafat. Apesar de tudo isto, o problema da sucessão coloca-se sempre. Deixando-nos ou não, Arafat terá de ser substituído. E, outro problema, caso falece, Sharon não o deixará ser sepultado em Jerusalém. Portanto, teremos Arafat sepultado num qualquer sítio que não o seu, o que é de todo em todo incompreensível.
Já Bush não perdeu tempo e tratou logo de desejar "paz à sua alma". Fica a intenção, mas caso o homem sobreviva ainda há de se rir vendo a figura de Bush a abençoá-lo.

USA

Bush é o Presidente dos Estados Unidos. Uma vitória clara determinou a continuação. Fica, no entanto, a ideia da vitória de Kerry nos "flancos", nos estados mais industrializados e urbanizados, o que sem dúvida diz muito. Se estes estados se insurgem contra Bush isso quer dizer que o actual Presidente mais poderoso do Mundo vai ter grande oposição pela frente, muito embora as ideologias republicanas e democratas sejam semelhantes em alguns pontos fulcrais. Por isso, resta ao Mundo esperar um pouco mais e ver se Bush muda algo em relação ao anterior mandato ou se, por outro lado, continua a série de erros que tem vindo a cometer e que tanto nos têm preocupado.

O meu maior medo

Imagine um Mundo em que todos somos iguais. Não, fisicamente não somos iguais. "Apenas" pensamos da mesma maneira. Todos temos as mesmas convicções políticas, religiosas, sociais, económicas, enfim, todos gerimos tudo de igual forma. Surge, então, a pergunta: se todos gostassem do azul que seria do amarelo? Pois.
Imagine um Mundo em que, apesar de reinar a paz, apesar de não haver conflitos, deixa de haver cultura, a geral e a profunda, as crianças deixam de aprender pelo saber e quase se tornam máquinas de absorção do que é essencial ou fundamental para a vida que levam. Deixariam de existir manuais como hoje existem, deixariam de existir opiniões e factos concretos embora "não fundamentais", deixaria de existir aquilo a que hoje chamamos "conhecimento". Que seria do discurso que visa convencer? Para quê gastar latim quando todos pensam como eu? Que seria do predador se não existisse presa?
Imagine que todos tínhamos as mesmas orientações e vivíamos em conformidade quase total neste "paradisíaco" lugar. Tu podes gostar mais do azul e eu do amarelo, mas tu não me dizes que o azul é melhor nem eu te tento impingir o amarelo. Será mesmo paradisíaco um lugar assim? Podia haver quem gostasse de viver assim. Eu, por outro lado, preferia um Mundo "igualmente diferente". No meu Mundo haveria paz, mas também diferenças; haveria muitos sins, mas também muitos nãos; haveria o amarelo, o azul, o verde, o vermelho, o preto...; haveria amor, mas não haveria ódio, antes, um amor diferente em cada um. Basicamente, o meu Mundo seria como um que um dia foi descrito por Jonh Lennon. Mas, esse, temos mesmo que imaginar.

A eloquência mascarada

Há pessoas que nos enganam à primeira vista. E são exactamente essas que se vão valorizando aos nossos olhos, à medida que vemos que são bem melhores do que o que fazíamos delas. Por exemplo, há alguns anos que conheço uma senhora, que via e vejo regularmente e sempre pensei eu essa senhora, com quem nunca falei até há pouco, fosse deficiente. As atitudes dela levavam-me a pensar, assim como a muito mais gente, que havia ali algum atraso, algum problema mental que a fazia actuar assim. No entanto, nessa conversa que tive recentemente, na qual fui chamado por essa senhora, fiquei a saber a verdade. Se há deficiência é para mais e não para menos. A eloquência da mulher surpreendeu-me de tal maneira que melhorou muito mais a imagem que tinha dela. A pessoa que andava a varrer e a falar sozinha, a pessoa que fazia as coisas exageradamente alienada desapareceu. Agora, na minha imaginação, só aparece a conversa e a tão fantástica quanto surpreendente eloquência. E tudo por causa das aparências…

Anonimato infeliz

Em primeiro lugar queria desculpar-me pelo atraso da resposta. É mais do que verdade que o tempo tem sido escasso para prestar atenção ao blog, mas ainda assim continuo a pensar que é possível mantê-lo, até porque, pelos vistos, os meus posts irritam. Quem? Pois isso é que não posso dizer. Não que não que queira revelar, mas também isso me é escondido, por algum leitor que insiste em fazer comentários sem assumir o que diz, o simplesmente por um leitor tímido, que respeito apesar disso.
Vou, portanto, responder a todas as perguntas. "Penso eu de que" não é boa gramática, mas também não ouço (não quer dizer que não aconteça) Pinto da Costa dizê-lo há muito tempo. Se calhar aprendeu. Quanto aos estudos do Presidente do FC Porto sabe-se que frequentou o Liceu, o que implica que tenha mais dois ou três anos de escolaridade que Filipe Vieira. Quanto à indirecta contra a minha inteligência gostava de discutir isso pessoalmente, mas como o Exmº Leitor teima em manter-se na penumbra, escrevendo sem assinatura, não posso. Por isso, não vou falar nem tampouco valorizar pois corria o risco de me prejudicar ou de cair na imodéstia. Quanto à educação, essa mantenho-a não respondendo sequer à acusação como se calhar me apetece ou como muitos outros fariam, estando no lugar em que estou.
Por último, desejar ao famigerado leitor anónimo que passe bem, que continue a ler e criticar e que, se possível, passe a assinar os comentários para que eu possa dirigir-me a ele mais educadamente e por nome. Muito obrigado.


P.S. - Após ter escrito tudo o que está acima, nasceu a dúvida: "Como demonstra este post…", qual? O meu ou o do leitor?

Clássico de quarta classe II

3 pontos. Mais champanhe, menos champanhe, mais boca, menos boca é o que fica. 3 pontos, uma vitória. Fica também, pensou eu, o enorme orgulho dos benfiquistas em ter um Presidente que diz: "Todos vós viram!" (neste momento o corrector ortográfico do Word, demonstrando a sua inteligência virtual, diz-me que estou errado; não é assim que se escreve). E mais. Um Presidente que fala em laia, que cora de tantos nervos, que mente, que diz e desdiz, é, sem dúvida, um grande Presidente. Falo claro do Presidente com mais estudos de Portugal, o Sr. Dr. Eng.º. Arq. Prof. Luís Filipe Vieira. Se ficou na quarta classe foi, muito provavelmente, porque reprovou no exame. Estão vocês a pensar: "Tu também estás a falar de uma coisa pessoal, algo que nada tem a ver com o futebol!" É verdade. Mas como já escrevi é algo que Filipe Vieira reclama com orgulho. E o orgulho é o seguinte, pensem comigo: eu não sou nada, apenas escrevo umas coisas, leio, estudo, mas não sou anda. A sociedade não me reconhece nenhum mérito. Mas eu, o tal que não é nada, tenho mais sete anos de escolaridade que Vieira, a caminho do oitavo que, com certeza, irei concluir com bom aproveitamento. Ah! E sei dizer "Vocês viram". Pinto da Costa também não é santo nenhum. Mas pelo menos mostrou alguma dignidade e nunca mandou cortar o som a ninguém, mais uma prova da falta de respeito pelo adversário.
Já José Veiga, antigo portista, deu as calinadas habituais que não tive oportunidade de apontar, tal foi o seu ritmo. Nuno Gomes, também este, guardou rancores da expulsão e descarregou em Pinto da Costa, que até se dispôs a ceder-lhe o lugar, quando foi visível que o responsável benfiquista da conferência de imprensa permitiu que ele o ocupasse.
Em suma, de tudo isto nada se aproveita. Nem os 3 pontos. Até porque o árbitro beneficiou o Porto porque mediu a entrada da bola na baliza e viu que era golo, fez vista grossa ao penálti de propósito, expulsou Nuno Gomes sem razão… (como a ler é difícil notar a ironia, eu anuncio-a: estou a ser irónico.)



P.S.- Como gosto de ser desportista mando um abraço para todos os meus leitores benfiquistas que pensam como o seu treinador: o Porto mandou e marcou (primeira parte); o Benfica mandou e não marcou (segunda parte).



Florença

Ontem, já noite, e já na cama, fazia eu o habitual zapping tentando encontrara algo que me prendesse e parei na Sic Notícias. Decorria o 60 Minutos, famoso programa da CBS, mas a versão portuguesa. A primeira reportagem levava-nos pelo Mundo da geração 80-90, a minha, portanto. Fiquei a ver. Algumas vezes dei comigo a abanar a cabeça, concordando; outras pensando como é possível as mentalidades chegarem a tal ponto. A reportagem passou e logo de seguida o apresentador falou da família Médici. O meu cérebro, já desperto pelo interesse intrínseco do programa, acordou ainda mais, fazendo a pequena associação Médici-Florença-Itália.
Segundo a reportagem, uma longa equipa de estudiosos, cientistas e outros interessados tinham desenterrado as sepulturas de dezenas de Médici para saber mais acerca deles. As doenças que tinham, os problemas que os atormentavam, enfim, pormenores do quotidiano que podiam ajudar a entender a vida de uma abastada família. Soube, por exemplo, que o pai da família, apesar de ser robusto e levantar pesos, no final da vida não pudera dobrar-se devido a três vértebras estarem juntas e que a mãe, devido aos onze partos tinha ossos frágeis, depois das crianças usarem o seu cálcio.
Mas o que mais me tocou foi uma imagem genérica, uma vista de cima da cidade de Florença. Reconhecendo a vista como a mesma que vi desde o Piazzale Michelangelo fiquei comovido. Se não cheguei às lágrimas pouco faltou. E depois, para arrebatar ainda mais o sentimento, a repórter afirma que Florença é, provavelmente, a cidade mais bonita do Mundo. E é mesmo. E eu estive lá…

Clássico de quarta classe

O Benfica-Porto de amanhã (será mês "de amanhã"?) está quente de mais. Assim consegue-se explicar o porquê de tantas figuras portuguesas se afastarem do futebol. Pacheco Pereira, por exemplo, não dedica qualquer valor ao futebol. No entanto, ninguém dedica valor a este tipo de situações que se estendem há anos pelo futebol, principalmente o português, que, afinal, é o que nos interessa. Filipe Vieira, com a sua 4ª classe que tanto se orgulha de proclamar, vive das guerras apesar de dizer que quer paz. Fernando Gomes disse algo de tão simples, quase nem podendo ser declarado acusador do que quer que fosse, e logo o presidente benfiquista se lhe atirou com unhas e dentes. É um cenário lindo. Bonito de se ver. Quase tão bonito como o "bloqueio à comunicação social" por parte de Santana e seus pares.

Silenciado

Escrevia eu há dias algo sobre a censura dissimulada, aquela que dispensa o carimbo do Regime, mas que, sub-repticiamente, barra opiniões e ideias, permitindo a quem domina continuar a sua actividade sem que algo afecte os seus propósitos. Pois bem, coincidência ou não, deu-se o já famigerado caso do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, que foi "calado" por um ministro, muito provavelmente de menor valia que o, agora, ex-comentador. Pacheco Pereira falou, em entrevista à TSF, em "delito de opinião", que considera só poder existir nas ditaduras. É, então, um caso de abuso de poder, uma vez que o Estado devia assegurar e apoiar a "pluralidade", citando Santana Lopes.
No entanto, há algo que continua por explicar: será que Marcelo Rebelo de Sousa sairia da TVI de livre vontade, se lhe fossem concedidas as mesmas condições de outrora? Ou será que algo lhe foi vedado, uma vez ter ele falado de liberdade que tinha?
De uma coisa há certeza. Há-de haver no jornalismo actual uma separação. Como se um pré e um pós-Rebelo de Sousa se definissem. E o melhor é sermos todos muito comedidos. Ou, se não temermos, ao menos façamos como ele fazia: usemos a voz para mostrar a realidade e não para afagar aqueles que esperam que nenhuma maré traga à tona os seus desacertos.

Lobby


lobby ['lóbi ]

substantivo masculino


1. grupo de pressão;

2. POLÍTICA grupo dos que frequentam as antecâmaras dos parlamentos com o objectivo de influenciar os deputados no sentido de votarem de acordo com os seus interesses;


(Do ing. lobby, "vestíbulo; corredor")

in Infopedia.pt

Como se pode ver, esta é a definição que o referido sítio dá à palavra lobby. E há muito por aí. Nos MPs, nos tribunais, nos grandes grupos de decisão, nas empresas, nas escolas, etc, etc, etc. E quero falar naquele que mais me afecta. Os lobbys das escolas são, por exemplo, aqueles que permitem que o progenitor-docente cubra as costas do seu descendente-educando.
Passo a explicar, dando-me ao luxo de criticar, sem que seja possível qualquer lobby impedir-me ou atingir-me: se eu, que até sou professor conceituado numa escola, puder interceder em favor do meu filho vou ser isento? Será que a minha presença não afectará a avaliação da minha melhor amiga, quando ela estiver na presença dos dados do meu filho?
Saindo da pele do professor (reduzindo o factor género a nada), eu acho, melhor, eu vejo que sim. Talvez um dia explique melhor porquê…

Literatura

Durante o período de tempo que estive em Itália foi quase completamente impossível ler. O meu primo açambarcava-me a maior parte do tempo, o que é normal e não necessariamente mau. Pelo contrário. Li, na verdade, parte de um livro em inglês, bom por sinal, mas que por ter sido apenas parte, não me encheu as medidas. Portanto, o Amsterdam de Ian McEwan ficou para trás.
Já no Algarve (afinal a separação dos dois destinos foi apenas sensivelmente uma semana), li três livros nos correspondentes quinze dias. Boa média. Era a vingança.
O primeiro já tinha na minha mão havia algum tempo, mas tinha apenas lido um pouco, suficiente para me despertar a atenção desta segunda vez. Sendo assim, finalizado o Com a Cabeça nas Nuvens de Susanna Tamaro, deu para constatar que ela é não só uma grande escritora, como uma grande contadora de histórias e estórias, enredando o leitor da primeira até à última página, sem obcecar, e para que o receptor saboreie da mesma forma que ela saboreou o livro ao escrever.
Ora acabado este apenas tinha um pequeno livro italiano, mas que demora muito mais a ler por ainda ser pouco o hábito. Por isso, adquiri Em Memória da Albertina, que Deus Haja!, de Francisco Moita Flores. Por entre a história de um prisioneiro mal preso, em prisão preventiva falaciosa, encontram-se críticas ao sistema judiciário português, elaboradas com base no cómico e sem descurar o sério da questão. É, portanto, um livro bom para as férias, bem escrito, com um fundo moral e muito alegre.
Por falar em alegre, o Jornada de África de Manuel Alegre foi o terceiro livro a completar a sequência literária de que me fiz acompanhar. Também comprado lá, é um livro que se insurge contra a Guerra Colonial, bem ao tom de Alegre, e que delicia o leitor. A utilização do calão - a que também recorre Moita Flores no contexto prisional - inserido na linguagem que fazia parte do quotidiano da tropa torna-se útil e não desvirtua a qualidade do livro, como se vê acontecer nos livros light, ou cor-de-rosa, de autores que podem até ser de grande qualidade, mas que não a demonstram assim. E é com tristeza que a cada dia que passa se vêem esgotar pelas bancas fora, tornando-se best-sellers, os livros daqueles que só passam para fora o que de pior tem a literatura portuguesa. Este grupo de autores, encabeçado por Margarida Rebelo Pinto, utiliza o calão despropositadamente e a linguagem em desfavor para com a arte. Digo isto porque ao confrontar alguém sobre um desses livros, verifiquei que a história era baseada no mesmo fundo, um fundo repetitivo de adultério em que um grupo de mulheres emancipadas em demasia partilha até os homens e discute futilmente sobre o que aconteceu com cada um, levando o leitor a um inventário de acontecimentos que, sinceramente, só interessam aos mais pobres de espírito. Por estas e por outras, continuo a preferir Tamaro, Flores e Alegre, entre muitos outros que em contrapõe o sucesso de vendas à qualidade do que escrevem.

Cultura

Durante a minha visita a Itália, apercebi-me de um dos maiores erros que cometemos cá em Portugal, que, por vezes, nos passa completamente despercebido.
A nossa cultura anda pelas ruas da amargura. Uns não conhecem o que de melhor tem o país, outros não lêem, outros dedicam-se aos maus costumes e, enfim, nada corre como devia. Até aqueles que constituem a excepção a esta infeliz regra, fogem de um país que não acolhe génios, mas quase só simples loucos. E, afinal, é necessário sermos ambos para singrarmos na vida. Sendo assim, e relacionando isto com Itália, vemos que há uma questão de clara discrepância entre nós e eles. Nos nossos museus, monumentos e coisas afins, paga-se, em alguns claro, e bem pago por vezes. Ora, para quem aperta o cinto, é mais que lógico não "desperdiçar" o necessário em coisas "secundárias". Em Itália, na generalidade, não se passa isso. Exemplo: eles ganham mais. No entanto, o Coliseu, monumento mais famoso no Mundo que o tremoço nos tascos do Rossio e da Ribeira, assegura-nos a entrada pela módica quantia de dez euros. Isto, se formos adultos. Caso sejamos jovens e tenhamos entre 18 e 24 anos, pagamos apenas 6 euros; caso sejamos menores, simplesmente não pagamos. Se juntarmos a isto um rendimento algumas vezes superior ao nosso, estou em crer que as pessoas podem dedicar-se muito mais à instrução cultural, e só não o fazem se não quiserem. Posto isto, há que meditar…

Madonna

Madonna encheu o Pavilhão Atlântico, não só de música, mas de almas contentes. Os olhos brilhavam a quem de lá saía. E o país pequenino, à beira mar plantado, brilhava também, por albergar estrela pop tão cintilante. Começamos a crescer. Mas ainda há muito trabalho pela frente.

Férias...

Pois bem, já voltei. O período sabático foi um pouco longo, bem sei, mas nada como começar de novo. As férias foram longas. Boas, portanto. Afinal, o tamanho das férias é quase sempre proporcional ao prazer com que nos regalam. Ainda assim, terei tempo de escrever algumas coisas que vi nos sítios por onde passei. Veremos até se não chegam algumas coisas novas…

Queen Mary 2: La regina dei mari


Os italianos apelidaram-no de la regina dei mari. É o maior barco cruzeiro do Mundo e eu vi-o, quando estive no mar ao largo de Livorno, porto onde este monstro estava atracado. Um verdadeiro espectáculo. Posted by Hello

Recordar é viver

Muitos pensarão: ele não escreve porque está em Itália! Não. Como se pode confirmar pelo til, já regressei. Mas dei a mim mesmo um período sabático, após o qual voltarei à escrita assídua, com muitas notícias e fotos de Itália e do Algarve, para onde parto quarta-feira. E depois, quem sabe, um rescaldo de um ano em que aprendi muito e tenciono aprender mais. Para quem ansiosamente visita todos os dias o blog peço apenas paciência. A espera vai valer a pena.

Queen Mary 2

Pois é, voces devem estar a pensar que este é o nome do maior e mais famoso cruzeiro do Mundo. E estao a pensar bem. A novidade relacionada com isso é que fui ve-lo no domingo passado, de barco, ao porto italiano de Livorno. E nao so andei de barco como tambem nadei no Mediterraneo. Depois de Pisa e do Mediterraneo so resta mesmo Roma. Isso é so para o domingo que ha de vir. Por isso, e porque a leitura sem acentuaçao deve ser por demais entediante, fico por aqui. Arrivederci.

Benvenuto a questo blog, ora anche in italiano

Nao, nao sao erros. A falta dos tils e demais acentos deve-se ao teclado, que aqui, em terras do Renascimento nao tem estes tao belos acrescentos de uma lingua. Por isto e pela demora em escrever-vos daqui, peço desculpa. O tempo nao é muito, tenho muito trabalho: piscina, visitas, entre muitas coisas mais. Ja fui a Pisa e a outras cidades menos conhecidas e tudo me agradou. As raparigas sao como eu tinha falado com o Mota, meu professor de piano: de corpo muito bem, mas de cara contam-se pelos dedos as que deixam os transeuntes em risco de atropelamento por falta de atençao. Ha algumas que, sim senhor, estao acima da média, mas a maioria... Em suma, mi piace l'Italia. Arriverderci.

Mais uma

Se calhar tenho escrito pouco. A desforra virá quando eu estiver em terras transalpinas. Lá terei a possibilidade de contar tudo a este amigo fiel. Muito fiel. Serão dias inesquecíveis não duvido. Tudo será desta forma. Parto do Porto, pela Lufhtansa, para Frankfurt, a minha escala. De lá o destino é o final: Florença. O berço do Renascimento. Terra de artistas, de inspiração certa. Até a menina da agência de viagens me invejou. Diz que tenho muita sorte.
Provavelmente, se um dia prometi que o blog seria trilingue, com francês e inglês, mas com o enorme e majestoso português, o meu favorito, o Fiel Depositário passará a ter quatro línguas. Quadrilingue? Quadriglota? É melhor dizer: "terá quatro línguas". Simples e concreto. Passará a ter italiano também. Isso é mais que certo. Mas nada prejudicará os leitores. Se algo for complicado demais terá tradução. É a evolução de um blog que se quer grande e interessante. E não para todos, mas de todos.

Ainda Londres

É incrível como se fixam na memória os mais belos momentos porque passamos. Londres já foi há quatro meses e ainda sobrevivem os mais pequenos pormenores. Parece que tudo está fresco e até aquela saudade do último dia sobrevive. Há gente que vive em dois sítios: ora num, ora noutro, sempre a viajar. Eu era capaz de fazer o mesmo. E agora a viajem a Itália terá de ser muito boa mesmo, porque a expectativa é grande e a fasquia enormemente alta. Porém em caso algum me vou desiludir. Mas que ficará sempre aquele sentimento, ais isso é certo. Mas eu tenho a certeza que um dia hei-de voltar lá. Em sonhos volto todos os dias.

De mal a pior

Após o começo do Euro, todas as outras coisas ficaram um pouco para trás, visto nunca ter escrito algo que fugisse ao evento. Ainda assim, não seria do meu agrado ter que o escrever, pois se nos vangloriamos com o Euro, com o resto bem podemos ficar desagradados.
As eleições europeias foram alvo do descontentamento enorme e ainda crescente da população, que rejeitou o direito de voto ou que deu um sinal ao poder que algo (ou será tudo?) tem de mudar. Até aqui, nada de mais. Os problemas começam quando os afectados por estas eleições perguntam porquê. Eu respondo: porque Durão prometeu cumprir o mandato e não cumpriu, porque o PS dizia-se agradado com o resultado e acabaram por aparecer muitos cães para o mesmo osso, muitos galos para um só poleiro, porque o Presidente que era aconselhado a dissolver o Parlamento resolveu dar a derradeira oportunidade ao PSD, e muito mais. Não que estas decisões nos afectem directamente, mas é a forma de lidar as coisas que desacredita a política e faz com todos se afastem. Não é um problema que assim seja, o que surpreende é que, sendo ele uma realidade, os interessados ajam de forma contrária aos seus interesses.

Seiscentos

O número de visitantes já ultrapassou os 600. Mais uma centena que meio milhar. Isto é bom. Quantos mais lêem, mais divulgam e quantos mais divulgam, mais lêem. É um ciclo de grande aproveitamento e que levou muitos blogs ao sucesso fora das fronteiras cibernéticas.

O antes e o agora

O valor que se dá a certas coisas torna-se para nós muitas vezes inexplicável. Há certas personagens da nossa vida que se guardam na memória de forma tão acirrada, que quando damos por isso, mesmo não tendo papéis determinantes, são importantes, de acordo com as suas limitações. É assim que vejo a minha admiração por duas pessoas, do mundo famoso, que não conheço pessoalmente, mas que devido ao toque que me deram enquanto mais novo, se tornaram de certa forma importantes pontos de comparação. Katie Holmes e Shanine Sossamon foram actrizes que admirei numa altura especial. Por isso, ainda hoje, quando revejo alguns filmes ou quando vejo os seus recentes, reajo de forma diferente. Também um filme excelente, Os Ardinas, ficou na minha memória. É sempre bom recordar. E sendo boas as recordações dá ainda mais vontade. É certo, porém, que, estando eu ainda na fase da adolescência que já decorria desde certas das referidas ocasiões, vejo hoje de maneira diferente estas situações. Se calhar porque sou mais reflexivo hoje. O que não muda nada, antes me faz desfrutar de tudo com mais qualidade.

Magia e más opções

O Porto perdeu o "mágico". Será mesmo assim? Anderson Luiz de Sousa, Deco no mundo do futebol, deixou a equipa do FC Porto e ingressou no Barcelona. Até aqui nada de estranho. Mas o Porto não o perdeu. Comprovando o seu agrado nos anos que cá esteve e o seu amor ao clube, Deco entrou para a lista de sócios do Campeão Europeu.
Em contrapartida ao negócio de Deco, o Porto vê regressar a Portugal o Mustang de Boloni. Dias da Cunha pode agora falar em sistema, que com certeza haverá sócios que o olharão de lado e pensarão: "o Quaresma no Porto, o Hugo Viana a poder ir para o Benfica, o Cristiano Ronaldo em alto momento de forma e já no United e tu ainda falas em sistema?". É verdade. A política negocial do Sporting foi errónea e pecou em vender os produtos da sua formação cedo de mais. Agora um já voltou, um ainda pode voltar e o outro quase de certeza que nunca volta. E todos estão muito bem. Benefício para os outros, prejuízo para os leões.

CRÓNICAS DO EUROPEU

Foi um prazer para mim escrever as Crónicas do Europeu, que, infelizmente, acabaram como começaram. Ainda assim fica o consolo da boa organização portuguesa e do carácter hospitaleiro com que ficamos conhecidos lá fora. Assim acabam estas crónicas, que, quem sabe, podem voltar um dia…

CRÓNICAS DO EUROPEU

Jogador do Torneio

O capitão grego Theodoros Zagorakis foi considerado o melhor jogador do Euro 2004. Venceu (na minha opinião injustamente) Maniche, que se prefigurava como possível vencedor do troféu.

CRÓNICAS DO EUROPEU

O melhor plantel

Esta foi a lista divulgada pelo site oficial do "nosso" Euro, onde constam os jogadores eleitos para o melhor plantel do torneio.

Posição- Nome- País

Guarda-redes- Petr Cech- República Checa
Guarda-redes- Antonios Nikopolidis- Grécia
Defesa- Sol Campbell- Inglaterra
Defesa- Ashley Cole- Inglaterra
Defesa- Traianos Dellas- Grécia
Defesa- Olof Mellberg- Suécia
Defesa- Ricardo Carvalho- Portugal
Defesa- Georgios Seitaridis- Grécia
Defesa- Gianluca Zambrotta- Itália
Médio- Michael Ballack- Alemanha
Médio- Luís Figo- Portugal
Médio- Frank Lampard- Inglaterra
Médio- Maniche- Portugal
Médio- Pavel Nedved- República Checa
Médio- Theodoros Zagorakis- Grécia
Médio- Zinedine Zidane- França
Avançado- Milan Baroš- República Checa
Avançado- Angelos Charisteas- Grécia
Avançado- Henrik Larsson- Suécia
Avançado- Cristiano Ronaldo- Portugal
Avançado- Wayne Rooney- Inglaterra
Avançado- Jon Dahl Tomasson- Dinamarca
Avançado- Ruud van Nistelrooij- Holanda

CRÓNICAS DO EUROPEU

PORTUGAL - 0 // 1 - GRÉCIA
Estádio da Luz, Lisboa

A grande final tinha chegado. Não correu foi como todos os portugueses desejavam. O "melhor Europeu de sempre" coroou o jogo defensivo, sem que isso nos permita tirar o mérito aos vencedores.
Miguel foi o primeiro a tentar (11'), mas Nikopolidis mandou a bola para canto. Charisteas respondeu quatro minutos depois sem sucesso. Portugal dominava o jogo. E a Grécia parecia gostar uma vez que nada fazia para mudar isso. Fazia, como sempre tinha feito, parte da sua visão de jogo.
O jogo chegou ao intervalo com um empate a zero, mas com Portugal mais perto da vitória, com 56% de posse de bola, mais ataques, mais cantos, cinco remates, contra zero remates gregos. Portugal fora forçado a substituir Miguel, lesionado na zona abdominal num lance com Giannakopoulos. Paulo Ferreira entrou para o seu lugar.
A vontade de vencer estava mais presente em Portugal, que lutava, jogava e queria mais. No entanto, no primeiro e único canto da Grécia na partida, Charisteas marca golo, praticamente livre de impedimento. Portugal não se deixou ir a baixo. Saiu Costinha e entrou Rui Costa, este último mudando um pouco o panorama pela positiva, fazendo Portugal jogar mais e obrigando a Grécia a encostar-se, como aliás eles gostam, à sua baliza. Nuno Gomes também entrou, mas nem ele nem Figo, Ronaldo, Rui costa, Maniche, Deco, ninguém conseguiu marcar. Cristinao Ronaldo dispôs de duas excelentes oportunidades mas desperdiçou. Aos 81', num remate surpresa, Ricardo carvalho ameaçou Nikopolidis, que não se intimidou e defendeu. Figo também tentou e a bola chegou a passar muito perto por ter sido desviada ligeiramente. Pena que durante os minutos de desespero português tenha entrado um adepto em campo. Dirigiu-se a Figo, com uma bandeira do Barcelona, que arremessou contra o número 7 e correu em direcção à baliza de Nikopolidis, embatendo violentamente nas redes. Dentro de campo esteve só dois ou três minutos. Uma eternidade para Portugal. Acabou por ser a única coisa a entrar na baliza de Nikopolidis. O jogo acabou com um apito que deitou por água abaixo o sonho lusitano. O segundo lugar é bom, mas não suficiente para a melhor em campo. Para a Grécia, o título é demasiado. Uma vitória injusta, como aliás todas que a Grécia logrou, mas mérito têm, não se pode negar. Pena que seja mérito a defender e a praticar um estilo antagónico ao futebol que todos desejam ver.

Melhor em campo:
Theodoros Zagorakis

Árbitro:
Markus Merk - esteve bem e ao nível da final que dirigiu. Ainda que tenha sido excessivamente zeloso no final, marcando falta a todos os contactos, não se pode acusá-lo de benefícios.

CRÓNICAS DO EUROPEU

GRÉCIA - 1 // 0 - REPÚBLICA CHECA
Estádio do Dragão

O Dragão foi de novo palco de uma surpresa grega. Um tragédia grega, dirão os checos.
A Rep. Checa começou e acabou a partida a dominar mas não conseguiu chegar ao golo. Tinha ao intervalo dois pontos percentuais de vantagem para a Grécia, o que não perfaz grande diferença. A diferença existiu sim na maneira de jogar. Uns jogavam de forma agradável e outros de forma muito defensiva. Não é difícil distinguir quem pertence a quem. Nikopolidis, do alto da sua experiência conseguiu vencer e tomar a melhor contra Koller, Baros e Nedved, Poborsky, Jankulovski e Rosicky. Nedved chegou mesmo a chorar no banco, porque para ele não haveria final, nem ganhando nem perdendo, uma vez que se lesionou com relativa gravidade. Ele que já tinha perdido uma final da Liga do Campeões com a Juventus, na altura castigado por acumulação de amarelos. Os checos por diversas vezes quase conseguiram o primeiro tento, mas por uma razão ou por outra não o marcaram.
Na segunda parte a história não foi muito diferente. O árbitro errou ao não assinalar um penálti que Dellas cometeu ao agarrar Koller. Com este golo a R. Checa passaria. A Grécia quando sofre primeiro perde ou empata, não aguenta a pressão de ter de atacar como os outros. Mas quando se vê a ganhar defende de maneira incrível, não permitindo ao adversário marcar e tirando-lhe a lucidez para jogar da melhor maneira. Koller podia ter matado o jogo aos 80'. A melhor oportunidade do jogo pertenceu-lhe numa combinação com Rosicky. Brilhante mas a bola saiu ao lado. Dois minutos depois Baros fez o mesmo, atirando para a mesma zona que Koller, antes de si. Uma oportunidade para cada lado em cima do final, não executada, permitiu que o jogo fosse levado para prolongamento.
E este prolongamento foi o final feliz para a Grécia. Os elénicos começaram a empenhar-se, quase fazendo o que os checos tinham feito o jogo todo. Estes, quem sabe mais extenuados, viram a Grécia criar mais oportunidades. Primeiro Charisteas e depois Giannakopoulos viram os seus remates serem defendidos por Cech. Aos 102', Dellas avisa que os seus cabeceamentos podem ser fatais, mas Cech defendeu, ainda que à queima-roupa. Foi aos 105', no final dos primeiros 15 do prolongamento que Dellas consumou o aviso. Giannakopoulos marca um canto na direita e Dellas marca de cabeça. Um Golo de Prata que parecia de Ouro, porque só houve tempo para levar a bola ao centro.
A Grécia atingia a final onde defrontaria Portugal, com um golo marcado em cima do intervalo do prolongamento. Ambas as equipas trabalharam para a vitória. A R. Checa 90 minutos a Grécia apenas 15'.

Melhor em campo:

Dellas

Árbitro:
Pierluigi Collina - a despedida. Vai deixar saudades. Pena que não tenha marcado aquele penálti que, certamente, daria a vitória aos checos. Era, contudo, um lance de muito difícil avaliação por ser naquelas confusões dentro da área. Ainda assim esteve bem no seu adeus.

CRÓNICAS DO EUROPEU

PORTUGAL - 2 // 1 - HOLANDA
Estádio Alvalade XXI, Lisboa

Com Pauleta de volta à frente de ataque, Portugal prometia jogar como tinha jogado contra a Espanha e assim fez.
Portugal dominou o jogo e esteve perto de marcar aos 9' e aos 23', com jogadas de Figo não finalizadas por Pauleta. Ronaldo contudo marcaria aos 25' após Deco cobrar o canto a que ele respondeu com sucesso e de cabeça. Pauleta ainda teve oportunidades de alargar mas Van der Sar opôs-se com qualidade e impediu o açoriano de marcar o seu primeiro golo no Euro 2004. Seis minutos depois, aos 40', Figo fez uma jogada brilhante, fintou o defesa laranja e rematou com o esquerdo ao poste da baliza do guarda-redes do Fulham. Era o melhor Figo em acção. O jogo foi então para intervalo assim, com Portugal em vantagem.
Portugal não alterou, mas A Holanda fez uma alteração, que não surtiu efeito, porque a Holanda não viria a marcar nenhum golo, muito embora o contador assim o diga. Aos 53', Maniche dilata a vantagem com um golo que merece ser coroado como o melhor do Europeu. Recebe de Deco num canto e remata da esquina da área para o poste mais distante, marcando um golo de excelente efeito. Portugal colocava os dois pés na final, mas ainda sofreria um golo, marcado por… Jorge Andrade: 62', Van Nistelrooy solto e na tentativa de cortar a bola, o defesa do Corunha fez um chapéu "perfeito" a Ricardo. O jogo embora tivesse mais oportunidades ficaria com o mesmo resultado, merecido, pois o controlo tinha sido quase total para os portugueses. A final e a história estavam lá, com os Quinas.

Melhor em campo:
Luís Figo

Árbitro:
Anders Frisk - voltou a provar, de novo com os portugueses como testemunhas, que é um árbitro de qualidade. Muito bem.

CRÓNICAS DO EUROPEU

REPÚBLICA CHECA - 3 // 0 - DINAMARCA
Estádio do Dragão

Adivinhava-se um jogo equilibrado. Chegou a sê-lo mas o resultado desvirtuou-o. A Dinamarca e a R. Checa foram das equipas que melhor executaram futebol na primeira fase, o que contribuiu para um jogo de muito boa qualidade.
Os checos começaram logo a criar perigo num livre de Nedved, mas os dinamarqueses acabaram por responder. Oportunidades muito claras não houveram e a primeira parte acabou com um resultado a zeros.
Koller inaugurou então o marcador, logo aos 49', do alto dos seus 2,2m, cabeceando a bola que Poborsky lhe centrou no canto para o interior da baliza de Sorensen, um dos melhores, senão o melhor guarda-redes da prova. O jogo continuou mais morno, até o golo do grande Baros, que fez um pequeno chapéu ao dinamarquês após se ter desmarcado de forma superior. E, surpreendentemente, dois minutos depois Baros destaca-se na lista de marcadores com novo golo desta feita a passe de Nedved e com um remate mais forte e bem menos subtil que o anterior.
Até ao final nada mais de destacar a não ser as estatísticas: 39% de posse de bola para os vencedores. Ganhou a eficácia e também o jogo superior, mas não o controlo e a contenção. E ganhou bem.

Melhor em campo:
Milan Baros

Árbitro:
Valentin Ivanov - não teve casos. Esteve bem no cômputo geral.

CRÓNICAS DO EUROPEU

SUÉCIA - 0 // 0 - HOLANDA
(decido em grandes penalidades: 4-5)
Estádio do Algarve

A Holanda entrou melhor na partida. Isso confirma a posse de bola, que ao intervalo era de 43%-57%. Robben, Davids, Nistelrooy e Larsson destacavam-se. O jogo era bem disputado mas Isaksson e Van der Sar defendiam as redes com distinção de modo que nem os temíveis Larsson e Nistelrooy conseguiram marcar. A primeira parte acabou com um nulo que prenunciava um jogo muito equilibrado.
A Suécia jogava bem mas a técnica de Ibrahimovic e o instinto de Larsson pareciam não chegar. Na segunda parte o nulo manteve-se apesar das muitas oportunidades de golo para ambas as equipas. As defesas e os guarda-redes continuaram a jogar em alto nível, o que não resultou num jogo defensivo, antes sim um jogo com muita disponibilidade atacante por parte de ambas as selecções.
O prolongamento trouxe apenas mais iniciativas. Robben, Seedorf e Nistelrooy, Larsson, Ibrahimovic e Kallstrom, rematavam, fintavam, lutavam, mas não conseguiam mudar o rumo do encontro. E assim, o tempo escoou e levou a decisão para os penáltis.
E naquela marca fatal o desenrolar foi este:
1 - Kallstrom - marcou.
2 - Van Nistelrooy - marcou.
3 - Larsson - marcou.
4 - Heitinga - marcou.
5 - Ibrahimovic - falhou.
A bola saiu por cima.
6 - Reiziger - marcou.
7 - Ljungberg - marcou.
A forma caricata como a bola entrou merece nota: a bola bate na barra, nas costas de Van der Sar e entra.
8 - Cocu - falhou. A bola bateu no poste.
9 - Wilhelmsson - marcou.
10 - Makaay - marcou.

11 - Mellberg - falhou. Van der Sar defendeu.
12 - Robben - marcou.

A Holanda ganhou, assim, através do penálti de Robben, bem merecido pela grande exibição que fez. A meia-final seria disputada com Portugal.

Melhor em campo:
Ruud van Nistelrooy

Árbitro:
Lubos Michel - boa exibição. Os erros que possa eventualmente ter cometido não tapam uma exibição de bom nível.

CRÓNICAS DO EUROPEU

FRANÇA - 0 // 1 - GRÉCIA
Estádio Alvalade XXI, Lisboa

Os franceses foram a vítima de uma Grécia que tinha grande vontade de seguir em frente. Os campeões europeus em título não chegaram a mostrar o seu nível, com o qual se exibiram em grandes competições, vencendo o Mundial 98' e o Euro'00.
Os franceses começaram o jogo com a defesa mudada e logo os gregos avisaram o que poderia estar para vir. A França não levou muito a sério os avisos e continuou a fazer o seu jogo, mas só respondeu aos 24', mas Henry não teve êxito. Aos 36', Fyssas criou perigo para Barthez, mas o guarda-redes gaulês desviou para canto, por cima da barra da baliza a seu cargo.
Na segunda parte a França exibiu mais garra com Henry, Lizarazu e Trezeguet a realizar alguns lances de perigo, mas de novo não acertaram da baliza. E a grande máxima do futebol cumpriu-se: "quem não marca sofre". A Grécia chegou ao golo, após uma tentativa de Henry, com Zagorakis a centrar e Charisteas a responder com sucesso. A França perdia pela primeira vez em 22 jogos e ia para casa.

Melhor em campo:
Angelos Charisteas

Árbitro:
Anders Frisk - continuou a pautar-se com regularidade e bom desempenho. Boa exibição.

CRÓNICAS DO EUROPEU

PORTUGAL - 2 // 2 - INGLATERRA
(decidido em grandes penalidades: 6-5)
Estádio da Luz, Lisboa

Um jogo de nervos. Logo no início, Costinha atrasa mal de cabeça (quantos maus atrasos resultaram em golo este Europeu!) e Owen, com uma técnica apurada marca o primeiro dos britânicos. Estavam decorridos 3 minutos. Portugal contudo decidiu responder correctamente e aceitou o sinal de Scolari que ordenava calma aos jogadores portugueses. Com Nuno Gomes na frente e sem Pauleta que havia visto dois amarelos, Portugal passou a dominar o jogo. Muitos jogadores protagonizaram grandes oportunidades: Maniche, Ronaldo, Figo, entre outros. Mas Portugal não conseguia atingir o empate para depois tentar a vitória. Os ingleses defendiam mais, mas nem por isso deixavam o ataque desguarnecido. Rooney acabou por se lesionar num lance com Jorge Andrade, entrando para o seu lugar Darius Vassel. Portugal, apesar da insistência, partiu para o descanso derrotado, ainda que tivesse 45' para mudar o quisesse e pudesse.
No regresso não havia alterações portuguesas, mas Scolari faria mudanças tácticas no decorrer do segundo tempo. Faltavam 15' quando Figo saiu, nitidamente desagradado, o que Scolari catalogou e bem de "normal, para a entrada de Postiga. Aos 83', Deco cobra o canto do lado esquerdo do ataque português e o avançado do Totenham marca de cabeça. Com este golo Postiga levou Portugal para o prolongamento.
Apesar do cansaço as equipas continuavam a investir contra o adversário, mas Portugal dominava a partida. E foi pelo entrado Rui Costa que este chegou. Um golaço: após algumas tentativas, Rui Costa, de fora da área remata, vindo a bola a embater na barra e a assegurar o 2-1. Já decorria então a segunda parte dum prolongamento que não usou do Golo de Prata. Portugal teria de esperar pelo final, mas com uma defesa debilitada, estando Deco a defesa direito e muitas mais mudanças em jogo. Num pontapé de canto, Portugal não acertou nas marcações e Lampard, após passe de cabeça de Terry marcou o empate. Nova luta, desta vez feita a partir da marca de grandes penalidades. O árbitro foi muito criticado pelos ingleses por ter ainda anulado um golo a Sol Campbell, que foi bem anulado, ou não tivessem Terry e o seu companheiro do eixo da defesa, carregado Ricardo.
De um lado James, do outro Ricardo. A história dos penáltis foi assim:
1 - Beckham - falhou. Desconcentrado por Ricardo o capitão inglês bateu por cima, muito por cima.
2 - Deco - marcou.
3 - Owen - marcou.
4 - Simão - marcou.
5 - Lampard - marcou

6 - Rui Costa -falhou. Também enviou a bola por cima, como Beckham.
7 - Terry - marcou.
8 - Ronaldo - marcou.
9 - Hargreaves - marcou.
10 - Maniche - marcou.
11 - Ashley Cole - marcou.

12 - Postiga - marcou. A forma como bateu James merece referência. A subtileza foi tal que o guardião levantou-se ainda a bola não tinha tocado as redes. Um penálti soberbo que fez nascer sorrisos nas caras nervosas dos companheiros e do público.
13 - Vassel - falhou. Ricardo tirou as luvas num acto de confiança e defendeu o penálti que sem a sua intervenção daria golo.
14 - Ricardo - marcou. Tornou-se assim o herói da partida. Nuno valente preparava-se para marcar, mas regressou, tal foi a convicção de Ricardo. Marcou bem e colocou Portugal nas meias.

Melhor em campo:

Ricardo Carvalho

Árbitro:
Urs Meier - boa exibição. Os ingleses acusam-no de ter deturpado o resultado, o que não é, de todo, verdade.

CRÓNICAS DO EUROPEU

ALEMANHA - 1 // 2 - REPÚBLICA CHECA
Estádio Alvalade XXI, Lisboa

A Alemanha tinha nas suas mãos a passagem à fase seguinte. Para isso chegava-lhe a vitória. Não conseguiu, perdeu e foi eliminada ainda na fase de grupos. Os checos entraram em campo com uma equipa algo diferente, mas ainda assim conseguiram a vitória.
Aos 4', contudo, o perigo foi checo, mas Kahn resolveu e encaixou a bola. Aos 16' minutos Ballack marcou o golo da vantagem da Alemanha, após uma jogada em que participaram Schneider e Schweinsteiger, apesar de ser contra a corrente do jogo. A R. Checa respondeu e marcou de forma espectacular por Banik Ostrava, que realizou um livre sofrido por Heinz. Ballack, o mais inconformado, ainda tentou aumentar mas a bola atingiu o poste. A Alemanha ainda teve mais hipóteses, mas não logrou a vantagem de novo. Apenas Baros conseguiu mudar o rumo da partida, e a favor dos checos, fugindo defesa alemã, rematando para e a defesa de Kahn e concretizando na recarga. A Alemanha ficava pelo caminho e a R. Checa era a única equipa a passar com 100% de vitórias.

Melhor em campo:
Marek Heinz

Árbitro:
Terje Hauge - esteve bem durante a partida. Realizou uma boa prestação.

CRÓNICAS DO EUROPEU

HOLANDA - 3 // 0 - LETÓNIA
Estádio Municipal de Braga

A Holanda entrou no jogo com algumas mudanças, devido a expulsões e opções. A Letónia, partia surpreendentemente com os mesmos pontos que a "laranja mecânica", ou seja, apenas um.
Os holandeses começaram melhor, tal como esperado mas Verpakovskis avisou logo no primeiro minuto. Um aviso que não teria cumprimento, porque a vitória da Holanda começou logo a desenhar-se aos 26' quando Davids cai dentro da área sem falta. No entanto, o árbitro entendeu que assim foi e permitiu a Van Nistelrooy inaugurar o placar. O resultado começou a dilatar-se com o bis do avançado do Manchester United, após um livre e um passe bem executado de cabeça para trás. Houve ainda hipóteses de marcar o terceiro, mas foram desperdiçadas pelos holandeses.
A Letónia começou o segundo tempo com vontade de fazer frente à Holanda mas nenhuma das ocasiões foi aproveitada. Destaque para Rubins que sempre jogou a uma velocidade incrível. A Holanda controlou todo o desenrolar da partida a partir daí, com alguma respostas ténues da Letónia, por meio dos mesmos de sempre: Rubins, Verpakovskis, Prohorenkovs e, quando em campo, Pahars. Aos 83' a Holanda faria ainda o 3-0, com Makaay a marcar de pé esquerdo, após uma grande jogada de Robben e de tirar um letão da frente. No final, há que destacar Kolinko que durante toda a partida foi o mesmo de sempre, ou talvez melhor, fazendo frente aos avançados holandeses com excelentes defesas, dignas dos mais conhecidos guarda-redes.

Melhor em campo:
Ruud van Nistelrooy

Árbitro:
Kim Milton Nielsen - esteve mal no lance da penalidade, mas não se pode considerar totalmente desacertado, uma vez que há um toque, muito embora insuficiente. Nunca se saberá quanto teria mudado o jogo sem o penálti, mas não muito com certeza. Ainda assim, esteve bem.

CRÓNICAS DO EUROPEU

ITÁLIA - 2 // 1 - BULGÁRIA
Estádio D. Afonso Henriques, Guimarães

Num jogo que já tinha a Bulgária como grande derrotada do grupo, a Itália teria de vencer para passar. E nem isso era seguro. Caso a Dinamarca empata-se com a Suécia 2-2, a Itália seria eliminada, mesmo saindo vitoriosa da partida derradeira.
Zdravkov começou logo a demonstrar os seus dotes aos 13' por influência (leia-se remate) de Fiore. Del Piero na recarga não inaugurou. Corradi protagonizou mais tarde dois lances de perigo, a que a Bulgária respondeu por Martin Petrov. O golo inaugural só chegaria contudo aos 43' e para a… Bulgária, que contra a corrente do jogo viu Materazzi carregar em falta Berbatov. Valentin Ivanov marcou a respectiva grande penalidade, que Martin Petrov concretizou. A resposta italiana podia ter nascido pelos pés de Del Piero, mas este enviou a bola contra a defesa.
A reentrada da Itália foi fulminante e no primeiro ataque, Perrotta marcou após alguma confusão na área. Após o empate houve oportunidades para os dois lados, mais flagrantes as transalpinas, mas o jogo continuou empatado. A Itália acelerou pois via cada vez mais a qualificação a fugir e esteve perto de marcar um quarto de hora antes do final mas não conseguiu. Só Cassano, no último ataque do encontro marcou, mas acabou os festejos a chorar, quando lhe foi dada a notícia que Dinamarca e Suécia tinham empatado a dois. Uma vitória com um sabor amargo que valeu a não qualificação para os quartos-de-final.

Melhor em campo:
Antonio Cassano

Árbitro:
Valentin Ivanov - bem no lance do penálti, exibiu-se a um nível correspondente às responsabilidades. Boa exibição.


CRÓNICAS DO EUROPEU

DINAMARCA - 2 // 2 - SUÉCIA
Estádio Bessa XXI, Porto

A Dinamarca entrou melhor num jogo que podia decidir a eliminação da Itália, que disputava o outro jogo da jornada com a Bulgária, bastando para isso um empate a dois. As oportunidades sucediam-se mais para os lados dinamarqueses que marcaram aos 28', por meio de um chapéu inacreditável de Tomasson a Isaksson, de fora da área. A Suécia ameaçou posteriormente, mas o golo foi impedido por Sorensen de maneira brilhante, duas vezes. Poucas mais oportunidades flagrantes houve até ao final do primeiro tempo, mas o jogo estava bem disputado.
Markus Merk marcou pela positiva o jogo, limpando a imagem depois do famigerado jogo Porto-Corunha. Marcou uma grande penalidade que não vira, mas que depositou na confiança do auxiliar, que vira Sorensen derrubar Larsson. Este mesmo marcou o empate. A Dinamarca baixou um pouco de rendimento em relação à primeira parte, mas não era por isso que a Suécia aparecia mais perigosa. Ibrahimovic começava também a notar-se pelos lances individuais, com fintas, truques e simulações que deliciaram quem assistiu ao jogo. Aos 66', de novo a Dinamarca em vantagem e por Tomasson também. Na sequência de um canto há um remate, que ressalta em muita gente na defesa e acaba à mercê do avançado do Milan, que perante o guardião sueco marca o 2-1. Tudo se encaminhava para o resultado que os adeptos desejavam mas as equipas não pareciam combinadas batendo-se galhardamente pela vitória. O jogo continuava desta feita com oportunidades para todos e o empate ambicionado apareceu aos 89, numa defesa incompleta de Sorensen e que deixa algumas duvidas, à qual Jonson responde com um remate certeiro. No final viu-se uma atitude lamentável: vendo-se na posse da bola e sabendo que faltava apenas um minuto para o final, os suecos decidiram, por influência de Larsson, passar a bola na defesa, numa clara decisão de anti-jogo. Os dinamarqueses mudos e quedos esperaram também. Uma tão boa exibição das três equipas não merecia um final assim.

Melhor em campo:
Jon Dahl Tomasson

Árbitro:
Markus Merk - muito perto de estar excelente. Muito bem a todos os níveis.


CRÓNICAS DO EUROPEU

CROÁCIA - 2 // 4 - INGLATERRA
Estádio da Luz, Lisboa

A Croácia assim como a Inglaterra podia passar. Tinha para isso de vencer os britânicos. E começou bem, inaugurando o placar desde cedo. Ainda o domínio da partida era incaracterístico e já a Croácia marcava: Rapaijc centrou, num livre, Cole desviou para a sua baliza, pressionado, e James reagiu bem defendendo para a frente. Niko Kovac esperava então a bola que lhe permitiria marcar o tento inicial, aos 5 minutos. Os ingleses responderam mas não chegaram ao empate logo de seguida, apesar de terem tido oportunidade para isso. Apenas aos 40', Scholes empatou, numa jogada que envolveu Lampard, Rooney e Owen. Logo de seguida chegou a reviravolta: Rooney rematou forte e sem hipóteses para Butina, após uma troca de passes entre Owen e Paul Scholes.
A segunda parte começou com folia por parte dos ingleses que quase alcançavam a tranquilidade, mas Owen não conseguiu concretizar um chapéu a Butina, aos 52'. A tranquilidade referida só chegou aos 68', novamente através de Rooney, que correu praticamente isolado e rematou muito forte de novo sem reacção bem sucedida do guarda-redes croata. Ainda assim, o risco poderia ter voltado, ou não fosse a Croácia empatar cinco minutos após o 1-3. Tudor redimiu-se do auto-golo marcado frente à França e marcou, desviando um remate de Srna. Os ingleses marcariam, contudo, o 2-4 por meio de Frank Lampard, jogador que será orientado por José Mourinho na próxima época. O britânico marcou de pé esquerdo, após uma bela jogada individual em que tirou vários adversários da frente. As oportunidades continuariam a existir para ambos os lados, visto faltarem ainda 10 minutos para o final, mas o 2-4 manteve-se.

Melhor em campo:
Wayne Rooney

Árbitro:
Pierluigi Collina - dizer que esteve como é seu costume diz tudo, assim como o seu nome também.

CRÓNICAS DO EUROPEU

SUÍÇA - 1 // 3 - FRANÇA
Estádio Cidade de Coimbra

A França entrou no jogo com vontade de vencer rapidamente mas foi a Suíça a fazer perigo primeiro. O árbitro também errou cedo, assinalando mão na bola, aos 13', quando apenas tinha sido jogada com o peito. Barthez foi obrigado a defender vistosamente para canto, após a cobrança do respectivo livre. Stiel começava também a dar nas vistas, fazendo uso da sua veterania para enfrentar os temíveis avançados gauleses. O lance da mão quase se repetiu, mas desta feita, o árbitro marcou bem a falta, embora fosse bola na mão. O árbitro agiu correctamente tendo em conta que o jogador ficaria isolado. A França continuava forte mas pouco convicta, convicção que não faltava aos suíços que tinham em mente que uma vitória sua podia qualificá-los. Ainda assim, Zidane inaugurou o marcador aos 20', sem marcação e com uma reacção tardia de Jorg Stiel. Os franceses pareceram acordar um pouco mas nunca jogaram como Campeões Europeus em título. E após algumas oportunidades francesas, chega o golo de…Vonlanthen, um jovem de 18 anos, que após uma grande jogada com uma abertura de pernas de Gygax a um passe excelente de Cabanas, logrou igualar a disputa. Ao intervalo, 50% de posse de bola para cada um.
Zidane abriu logo a segunda parte com um bom pormenor técnico, que prenunciava muitas oportunidades. E chegaram. A convicção é continuava em falta e na hora do remate, falhava-se. Os ataques eram efectuados com pouca gente enquanto a maioria ficava atrás, expectante e confiante nos apagados Henry e Trezeguet. Mas Santini notou isso e tirou o último para colocar Saha em campo. E ele mudou o jogo, fazendo o que até aí o avançado da Juventus não tinha feito. Ganhou um lance de cabeça, desviando a bola para Henry que arranjou com o direito e marcou com o esquerdo. 1-2. Stiel esforçava-se e conseguiu fazer frente por bastante tempo, mas não conseguiu fazê-lo ao minuto 83, quando Henry recebeu de Vieira, fugiu a um helvético, simulou o remate e marcou. Nem as substituições efectuadas pela Suíça alteraram o rumo da partida, que acabou com um resultado pesado demais para os derrotados que chegaram a dominar. As equipas vinham mudadas (quatro alterações francesas e saída de Frei por suspensão após ter cuspido em Gerrard) mas o jogo não diferiu muito do que tinham feito até aí. O que foi mau.

Melhor em campo:
Zinedine Zidane

Árbitro:
Lubos Michel - os erros indicados na crónica não alteraram o resultado e são, pois, perfeitamente perdoáveis. Boa exibição.

CRÓNICAS DO EUROPEU

RÚSSIA - 2 // 1 - GRÉCIA
Estádio do Algarve

A Grécia tinha nas suas mãos a qualificação. Para tal até podia dar-se ao luxo de perder, como aconteceu. Nas mãos da Rússia estava apenas a hipótese de sair do Europeu de cabeça levantada. E para isso, talvez a Grécia fosse, teoricamente, o adversário ideal. No entanto entrou em campo com jogadores menos utilizados, assim como os gregs que dispensaram alguns titulares.
Os russos não perderam tempo. Kirichenko, logo aos dois minutos, entrou na área em corrida e bateu Nikopolidis assinando o 1-0. E o 2-0 viria aos 17', por intermédio de Bulykin que respondeu de cabeça e com sucesso a um canto de Gussev. A Grécia sabia contudo o que precisava de fazer para alcançar a qualificação e reduziu a desvantagem antes ainda do intervalo. Este resultado atingido aos 43', por Vryzas, qualificava a Grécia que foi para o intervalo com a ideia nos quartos-de-final.
Na segunda parte, a vontade de chegar ao empate impulsionou a Grécia para o ataque, que tinha em Charisteas o transportador entre as linhas média e avançada. A insistência continuou até ao final da partida mas nem por isso lograram empatar a partida. A qualificação foi na mesma atingida, deixando para trás Rússia e Espanha, dois adversários que tinham já feito mais em outras ocasiões. A Grécia que nunca tinha ganho, nem tampouco marcado um golo numa fase final de um europeu, chegava aos quartos, notabilizando-se por ser um dos maiores outsiders.

Melhor em campo:
Dmitri Kirichenko

Árbitro:
Gilles Veissière - esteve ao seu nível. Nada lhe pode ser apontado que tenha influenciado o decorrer do jogo.

CRÓNICAS DO EUROPEU

ESPANHA - 0 // 1 - PORTUGAL
Estádio Alvalade XXI, Lisboa

Portugal tinha neste jogo a última esperança de passagem aos quartos-de-final. Para isso tinha de ganhar. A Espanha, contudo, supunha-se muito forte e grande candidata a passagem. Assim não foi, muito graças aos jogadores portugueses, que se exibiram ao nível que todos esperavam e ansiavam.
Cristiano Ronaldo era titular e também contribuiu muito para a vitória, fazendo a cabeça dos defesas espanhóis em água. No meio campo, o trio portista dominava a situação com Costinha a controlar as tarefas defensivas e Deco, apoiado pelo pulmão inesgotável de Maniche, definia as incursões atacantes. No lado de lá da barricada, Joaquín também impunha um ritmo alto, como Figo e Ronaldo. Assim, os primeiros trinta minutos foram dominados por Portugal sem qualquer imposição espanhola, sendo que só nessa altura existiram contra-ataques que, por intermédio de Vicente e Joaquín, trouxeram algum perigo à baliza portuguesa. No final do primeiro tempo houve oportunidades para os dois lados, mas nem assim o marcador se movimentou. E Portugal acabava com cinco remates, mais quatro que o adversário, derrotado também na posse de bola com 44%.
Portugal mudou de ponta-de-lança ao intervalo. Pauleta ficou no banco deixando a Nuno Gomes a responsabilidade de concretizar. E o recém entrado cumpriu, marcando aos 57', quando recolheu a bola e atirou à baliza, num lance à ponta-de-lança, sem olhar e por instinto matador. Portugal punha um pé nos quartos. Mas a Espanha não baixou os braços e Fernando Torres quase igualava, arremessando o esférico contra o poste, mostrando ser assim o mais inconformado dos espanhóis. Seguiram-se depois oportunidades de matar o jogo e de o empatar, ambas não finalizadas com sucesso. Mas as mais flagrantes pertenceram à Selecção Nacional que viu Maniche a passar o Casillas e rematar contra Bravo que salvou em cima da linha, Costinha cabecear por cima isolado e Nuno Gomes a rematar para a defesa de Casillas em dificuldade. O jogo acabou, Portugal qualificava-se em primeiro, com mérito e com algum sofrimento.

Melhor em campo:
Deco

Árbitro:
Anders Frisk - ao contrário do que indicavam os espanhóis e a sua pressão portou-se com nível muito alto. Não protagonizou casos nem erros de grande monta. Quase perfeito.

CRÓNICAS DO EUROPEU

HOLANDA - 2 // 3 - REPÚBLICA CHECA
Estádio Municipal de Aveiro

Nos minutos iniciais a R. Checa criou duas oportunidades de golo, que com a oposição da Holanda criaram um início de jogo excelente. É, no entanto, a Holanda que estreia o placar: Bouma, a centro de Robben, bate Petr Cech de cabeça. Seedorf assinou então duas jogadas de belo traço: um livre que raspa no poste e uma jogada muito boa que termina num erro dos homens de negro, assinalando pontapé de baliza quando, na realidade, o correcto seria assinalar pontapé de canto. Aos 18', o abrir do marcador. Robben recebe de Davids, centra para Van Nistelrooy, que marca em nítido e mais que escandaloso fora-de-jogo posicional. A redução chegou aos 23' com uma intercepção de Baros a um mau atraso de Cocu. Conduziu a bola e já em frente à baliza passou para o gigante Koller que marcou. Aos 29' Nistelrooy é derrubado para grande penalidade que o árbitro não assinalou. Cech destacava-se por boas intervenções. Davids e Robben trabalhavam tecnicamente para o espectáculo. Koller, Poborsky e Baros jogavam muito bem. Enfim, o jogo tornava-se o melhor do Europeu até ao momento.
No segundo tempo, o desenrolar do jogo foi ainda mais excitante, com múltiplos remates e jogadas de perigo de parte a parte, com defesas brilhantes de Cech (56') e Van der Sar (63'). O empate consuma-se aos 70' por Baros, jogada iniciada num centro de Smicer para o amortecimento de peito de Koller e Baros, sem parar a bola, remata sem hipótese para Sar. Momento de luxo no Municipal de Aveiro. O árbitro fartava-se de errar, manchando o nome da classe que tão bem tem desempenhando a sua missão, desta feita expulsando Heitinga por acumulação de amarelos, num lance que nem é falta. Nos bancos Karel Bruckner goleava Dick Advocaat, tendo as suas substituições sido arriscadas mas com resultados. Aos 76' Nedved avisa, Heinz insiste, aos 80 o capitão volta a avisar que o golo estava perto. E estava. Aos 87', consuma-se a vitória dos checos por intermédio de Smicer. Heinz remata forte, Van der Sar responde bem e, na recarga, Poborsky mete para o lado, onde está Smicer para marcar. O risco foi bem sucedido e deu a vitória à ex-Checoslováquia.

Melhor em campo:
Pavel Nedved

Árbitro:
Manuel Mejuto González - vergonhoso. Um golo em fora-de-jogo, um penálti por marcar, faltas que bastem mal marcadas e muitos outros erros fazem com que seja de duvidar a categoria deste árbitro. Num Europeu não se podem cometer erros assim.









CRÓNICAS DO EUROPEU

LETÓNIA - 0 // 0 - ALEMANHA
Estádio Bessa XXI, Porto

A Letónia começou o jogo a pressionar com convicção, nem sequer deixando a Alemanha sair para o ataque. Ainda assim, o primeiro lance de perigo foi protagonizado por Frings, que rematou ao lado. A Letónia mostrava-se desinibida como se nada tivesse a perder e esta atitude dava bons frutos, muito embora o perigo tenha assolado a sua baliza aos 13' por meio de Kuranyi, que, sem marcação, remata ao lado. Aos 21' foi a vez de Stepanovs centrar sem desvio Verpakovskis, o que permitiu a primeira defesa a Kahn. Os lances perigosos mantinham-se, mais para o lado da Alemanha, que mesmo assim não suficientemente perigosos para a baliza de Kolinko. Ballack começava a destacar-se, tornando-se no homem que fazia o encaminhamento defesa-ataque e participando em algumas de perigo. Rubins atormentava os alemães com a sua fulminante velocidade. Verpakovskis pautava-se pelo jogo de oportunidade e criou perigo aos 34' e aos 39'.
Ao intervalo sai Schneider para a entrada de Schweinsteiger.
A segunda parte começou com Kuranyi a criar perigo num bom lance individual. Riley, o árbitro, erra ao não dar a lei da vantagem aos 52 minutos e um minuto mais tarde não assinala um penálti sobre Verpakovskis. Schweinsteiger foi uma boa aposta, começando também a notar-se no jogo alemão a sua energia e a sua irreverência. Os treinadores ainda tentaram alterar o ruma das coisas com jogo de banco mas não deu resultado. O jogo acabou depois de várias oportunidades e de um domínio alemão que se fez notar no meio-campo da Letónia e na posse de bola (66% - Alemanha, 80') mas nunca no marcador, tendo Kolinko muito mérito neste particular.

Melhor em campo:
Michael Ballack

Árbitro:

Michael Riley - uma grande penalidade não assinalada e um erro de lei da vantagem mancharam uma boa exibição.




CRÓNICAS DO EUROPEU

ITÁLIA - 1 // 1 - SUÉCIA
Estádio do Dragão, Porto

Um jogo em que quem vencesse tinha grandes possibilidades de se qualificar, sendo que a Suécia qualificava-se certamente. A Itália dominou grande parte da partida fazendo oportunidades muito cedo como aos 3' por Vieri. Mesmo assim, o começo foi equilibrado, muito embora as alterações a que as duas equipas foram forçadas a fazer, por lesões suspensões e opções técnicas. Aos 13 minutos deu-se a única oportunidade de golo da Suécia com um remate de primeira de Ibrahimovic a passe de Ljungberg. A Itália ia começando a dominar mas nem por isso concretizava as oportunidades em golo, o que apenas aconteceu aos 37' com um cabeceamento de Cassano, avançado do Roma e companheiro de Totti, que tinha substituído pela suspensão deste. A Suécia conseguiu equilibrar o jogo apões o jogo mas não traduziu em golos esse equilíbrio.
Na segunda parte, Del Piero estreou as oportunidades com um chapéu que só foi salvo por Jakobsson. A Itália tinha deixado o ataque e defendia mais e por isso a Suécia atreveu-se mais nos últimos vinte minutos, chegando ao golo num lance algo caricato. Trapattoni tinha feito alterações e a opção defensiva foi fatal aos transalpinos. A confusão instalou-se na área italiana e Ibrahimovic marcou espectacularmente de calcanhar e em voo. Vieri não consegui, de cabeça, impedir que a bola entrasse.

Melhor em campo:
Zlatan Ibrahimovic

Árbitro:
Urs Meier - discreto e bem na generalidade. A disciplina e a técnica estiveram bem.




Mais pequena mas não necessariamente pior

É natural que, como devem calcular, o jogo Rússia-Grécia me tenha passado despercebido. Eu gravo e vejo os de Portugal, o que implica que não o possa fazer noutros jogos. Por isso, a crónica do jogo indicado será um pouco menor do que as outras. Só por esta razão.

CRÓNICAS DO EUROPEU

BULGÁRIA - 0 // 2 - DINAMARCA
Estádio Municipal de Braga

Foi um jogo em que, novamente, a Dinamarca voltou a demonstrar o seu bom futebol, equiparado à R. Checa, sendo as equipas que praticam um futebol bem jogado, agradável à vista. Rommedahl, logo aos 4 minutos, cruzou para um primeiro remate de Jorgensen defendido por Zdravkov e uma recarga de Sand que embateu em Ivanov. Repetiu Rommedahl o feito aos 9' mas Petkov cortou. Aos 22' Rommedahl teve de sair lesionado e entrou o recém-chegado Gronkjaer. Como se verificou depois, apesar da boa exibição do primeiro, o segundo fez esquecer a sua boa prestação. A Dinamarca continuou a jogar bem e demonstração disso foi a jogada efectuada aos 24': Jensen centra e Gravesen falha, assim como Sand. Laursen remata contra Kirilov que fica lesionado na cabeça, tal foi a violência do remate. Zdravkov foi obrigado a exibir-se depois de um remate de Gronkjaer chegado ao poste. Niclas Jensen veio então, aos 31', da defesa centrar para Sand que falha de cabeça. Sete minutos depois, Tomasson remata às malhas laterais após receber de Gravensen e fugir a Zdravkov. Após a saída de Petkov para a entrada de Zagortchitch, Sorensen comete um erro, algo pouco normal, não agarrando a bola. Hristov não aproveitou e rematou ao lado. O domínio dinamarquês era evidente, sendo a posse de bola dos nórdicos de 57%. Perto do intervalo, um passe bem executado de Berbatov, de calcanhar, para M. Petrov que acaba por rematar frouxo. Gravesen ainda teve tempo para isolar Jorgensen e este, na cara do guarda-redes, opta pelo passe para o lado onde Jon Dahl Tomasson estava para encostar para o fundo das redes. A primeira parte acabava com a Dinamarca em vantagem no marcador.
Cinco minutos depois do recomeço, a Bulgária fez alterações, entrando Lazarov e saindo Ivanov. Os búlgaros até começaram melhor, protagonizando uma excelente jogada, com uma finalização de Jankovich ao lado. A Bulgária estava melhor do que na primeira parte e voltou a confirmá-lo aos 61' através de uma boa jogada que acabou nas mãos de Sorensen. Passados dez minutos, Jorgensen sai e entra Claus Jensen. Saiu também Jankovich aos 80, entrando Milen Petkov. Um minuto depois, falta duvidosa que Lucílio Baptista não marca. Na sequência desta jogada, Stilian Petrov aproveita para reclamar a falta anterior e o português perguntando nítida e rispidamente "what" mostra o amarelo que leva a estrela búlgara à expulsão por acumulação de amarelos. Martin Petrov começou então, devido ao nervosismo a mostrar-se o mais inconformado mas à margem da lei, arriscando-se também ele a ser expulso. Gravesen que tinha estado muito bem durante toda a partida continuava em destaque e aos 86' C. Jensen quase marcava, ganhando apenas um canto. A partida já estava na fase final, Gronkjaer marca um golo que culmina uma grande jogada, aos 91': passa a bola a Tomasson, que tabela com ele para ele marcar. A vitória estava entregue mas podia ter-se dilatado ainda mais, quando Sand remata à barra depois de trabalhar bem. O jogo acabou logo a seguir.

Melhor em campo:
Thomas Gravesen

Árbitro:
Lucílio Baptista - ao seu estilo esteve bem. Controlou o jogo não deixando de ter a percepção dos seus actos. Disciplinar e tecnicamente bem.

Que grande vitória

É claro que ninguém se vai importar. Eu peço desculpa na mesma, pelo adianto. Portugal ganhou e pouco mais há a dizer, mas muito mais há a sentir. Agora, pode vir quem vier, que se depender de nós, ninguém nos pára. Viva Portugal!

CRÓNICAS DO EUROPEU

CROÁCIA - 2 // 2 - FRANÇA
Estádio Dr. Magalhães Pessoa, Leiria

Nos primeiros minutos a França dominou o jogo, nem sequer deixando a Croácia sair para o ataque. Não existiam muitas oportunidades mas a França dedicava-se ao ataque, não desprotegendo a defesa, onde o capitão Desailly estava de volta. E então, depois de muitas tentativas, Zidane executa um livre em que toda a gente falha. No entanto, Tudor desvia-a ao de leve e sem intenção, remetendo a bola para dentro da baliza. Estava feito o 0-1. A Croácia crescia mas os argumentos franceses continuavam a superiorizar-se. Aos 42', lance mais que mágico. Henry cobra o canto, curto de mais, mas Zidane levanta a bola de calcanhar para a cabeça de Gallas, que falha quando tinha saltado sozinho. O intervalo chegava com a França na frente e depois de muita luta a meio campo.
No segundo tempo, a vontade francesa de alterar o rumo do jogo era tanta que Silvestre derruba Rosso na área. O árbitro assinala bem a grande penalidade. Estavam passados 46 minutos quando Rapaijc concretiza o castigo máximo e empata a contenda. Barthez atirou-se bem para a bola, mas a potência do remate do croata não deixou qualquer hipótese de defesa. O jogo continuou com o, cada vez maior, crescimento da Croácia. E, qual cereja no topo do bolo, coroando esse crescimento chega o 2-1. Numa jogada um pouco confusa, Desailly falha a intercepção e Prso remata forte de pé esquerdo, marcando um golo de grande qualidade. Era a surpresa. De estranhar era o facto de Ivica Mornar, o melhor croata em campo no jogo contra a Suíça, estar no banco. Olic entrou, Butina defendeu um remate de Butina aos 62'. E dois minutos depois, num atraso mal executado, Trezeguet ganha a bola e Butina tenta aliviar. A bola bate então na mão do francês beneficiando-o e oferecendo-lhe o golo. Novo empate no Magalhães Pessoa. Se bem que a bola tenha ido à mão involuntariamente (nunca ninguém provará se assim foi, mas que pareceu, pareceu), o árbitro deveria ter assinalado falta porque influi directamente na trajectória da bola e no resultado da partida. O jogo alegrou com o empate, com as duas equipas a procurar os três pontos. Robert Pires centra sem emenda de Zidane aos 87' e, pouco tempo depois, Pires remata e Butina opõe-se à bola. Mornar que tinha entrado para o lugar de Rapaijc, o marcador do penálti, estava já a dar que fazer a defesa gaulesa e, aos 92, bem perto do final do encontro, descontos incluídos, recebe de Olic numa grande jogada e remata forte, à queima-roupa mas por cima. Foi por pouco. Quem sabe se estando ele mais tempo em campo não tinha acontecido mais vezes?

Melhor em campo:
Dado Prso

Árbitro:
Kim Milton Nielson - esteve bem no lance da grande penalidade e no cômputo geral, tanto a nível técnico como disciplinar. Esteve muito mal no lance do segundo golo francês, influenciando o resultado fin

CRÓNICAS DO EUROPEU

INGLATERRA - 3 // 0 - SUÍÇA
Estádio Cidade de Coimbra

Foi na sua totalidade um jogo que pecou pela escassez de emoções. A Suíça jogou o que pôde e a Inglaterra o que precisou para ganhar.
Gerrard é sem dúvida um excelente jogador, mas parece estar em maré de azar. Aos quinze minutos, três depois de Frei falhar a emenda de um canto, quase fez auto-golo ao aliviar a bola para canto. Foi apenas um susto, até porque aos 22' Rooney tornou-se no jogador mais jovem a marcar num Europeu. Owen realiza um bom trabalho e um melhor cruzamento que culmina no cabeceamento do talentoso jogador do Everton. De notar que até ao golo a Suíça dominou, principalmente a nível territorial, debruçando-se sobre o meio campo adversário, sendo este contra a corrente do jogo. Rooney voltou a protagonizar perigo aos 33' mas não consegui desviar um centro de Ashley Cole. Em cima dos 45', Lampard faz uma falta infantil, pé em riste, e Hakan Yakin quase faz golo de bola parada.
A Suíça foi alterada na interrupção, mas não foi factor de grande mudança no jogo. Haas leva amarelo aos 48', lance que viria a influenciar o percurso dos suíços. Wicky criou perigo com um remate aos 51' e, dois minutos volvidos, Celestini sai para a entrada de Cabanas. Ashley Cole destacou-se, então, através de um pormenor individual, fugindo a dois adversários. Aos 59' Haas repete a entrada dura que tinha executado no início da segunda parte e é expulso por acumulação de amarelos. O jogo continuou mas a falta de Haas, pouco notada nos minutos seguintes à exclusão, influenciou a equipa que passou a jogar menos bem. Aos 65', o miúdo maravilha inglês domina um excelente passe longo de Beckham mas falha o remate. Por esta altura notou-se perfeitamente o esforço da equipa suíça em não se dar por vencida. Eriksson decidiu, posteriormente, tirar Scholes e colocar Hargreaves no seu lugar e também substituir Owen por Vassel, alteração repetida do jogo anterior e já esperada, por isso. A Suíça voltava então a dominar, recuperando o fulgor perdido. Mas Rooney matou o jogo num lance peculiar. Conduzindo a bola até à área, rematou e a bola, atingindo o poste, ressaltou para as costas de Jorg Stiel onde embateu entrando para a baliza. 74' minutos, 2-0. E o 3-0 viria aos 84', num lance de muitos passes lentos, em que Beckham desmarca Gary Neville que centra e Gerrard marca. Afinal o azar não é assim tanto. Até ao final saída de dois jogadores determinantes para o decorrer dos acontecimentos: Rooney e Hakan Yakin, para as entradas de Kieron Dyer e Vonlanthen

Melhor em campo:
Wayne Rooney

Árbitro:
Valentin Ivanov - o jogo foi calmo não precisando de muito pulso para dominar os ímpetos dos jogadores. Esteve bem e foi equilibrado.

CRÓNICAS DO EUROPEU

RÚSSIA - 0 // 2 - PORTUGAL
Estádio da Luz, Lisboa

Scolari fez quatro alterações na equipa que tinha enfrentado e sido derrotada pela Grécia: Miguel no lugar de Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho para a posição de Fernando Couto, Deco em substituição de Rui Costa e Nuno Valente a lateral esquerdo, lugar que tinha sido de Rui Jorge.
Notou-se desde o começo da partida que Portugal queria matar rápido o jogo. Aos dois minutos Deco de costas desmarca Nuno Valente que não percebe e deixa a bola escapar pela linha de fundo. Aos 6', a estreia do marcador. Figo cobra uma falta de Sennikov que derrubara Simão, mas a defesa alivia. Maniche recupera, passa a Deco e entra para a área onde vai receber a bola após um centro-remate do companheiro luso-brasileiro. Remata sem parar a bola, sem oportunidade para defesa. Ovchinnikov limitou-se a vê-la entrar, tal era a impossibilidade de acção. O jogo desenrolava-se com Portugal a dominar mas sem grandes oportunidades de golo. A0s 29', Figo cruza mas Pauleta não chega e Smertin acaba por ceder canto ao conjunto das Quinas. Aos 37', nova jogada bem delineada com Deco a passar a Maniche que, por sua vez, desmarca Simão, mas este não chega. Faltava um minuto para os 45' quando, estando Pualeta isolado, Ovchinnikov saiu, fora da área e parou a iniciativa do Ciclone. O árbitro marcou falta e expulsou o russo, por este ter alegadamente parado a bola com as mãos fora da área. A toda a gente assim pareceu e mesmo depois de muitas repetições permaneceu a dúvida. Mas há uma câmara que mostra que o ex-guarda-redes do FCPorto não toca com o braço na bola. Para o árbitro era impossível ver, mas é um erro embora perdoável. Não se pode dizer que tenha influência directa no resultado até porque Malafeev, o guardião suplente, esteve bem à altura, mas que dificultou a acção da Rússia dificultou e muito.
O intervalo passou e o segundo tempo regressou com um fora-de-jogo mal tirado. Numa boa jogada, passados cinco minutos desde a interrupção, Nuno Valente faz Malafeev exibir a sua boa qualidade. Para um grande remate, uma grande defesa. Aos 52' Kariaka cruza de maneira traiçoeira e Ricardo é obrigado a desviar a bola. Três minutos depois, deu-se um livre frontal embora um pouco longe, cobrado por Deco. Malafeev, demonstrando coragem, dispensou a barreira e defendeu o remate que fez um arco, dificultando o seu trabalho. A jogada leva ainda a um bom remate de Kariaka que Ricardo defendeu. Passados 61' minutos na partida, saiu Simão e entrou Rui Costa e na jogada imediata, Miguel passa para Deco que abre as pernas deixando-a para Nuno Gomes. Este vê Figo entrar na esquerda, passa-lhe o esférico e o número 7 remata, vendo Malafeev devia para o poste. Na recarga, Deco precipita-se e manda por cima. Entre 0s 70' e os 73' Deco protagoniza um lance individual que Nuno Gomes não finaliza, sai Izmaylov e entra Bystrov e Deco volta a rematar para a defesa de Malafeev. A Rússia jogava bem apesar de estar com dez e na defesa portuguesa R. Carvalho era um portento. Faltava então um quarto de hora para o final regulamentar, Figo rematou, Malafeev opôs-se e logo de seguida entrou Ronaldo para o lugar do capitão português. Yartsev também alterou, tirando Kariaka para a entrada de Bulykin. Ronaldo começou logo a fazer estragos. Uma fintinha aqui, um túnel ali, e os russos pareciam chineses com os olhos em bico. Aos 83', Nuno Gomes falha clamorosamente, tendo apenas Malafeev em frente. Passados 3 minutos, Alenichev zanga-se com o companheiro Maniche porque remata a bola contra este e o português faz teatro agarrando-se à cara quando nem sequer foi tocado ali pela bola. E no minuto seguinte, Rui Costa desmarca de forma perfeita C. Ronaldo que retribui o passe, num centro com a parte de fora do pé direito, pois estava na esquerda. Rui Costa marca e é abraçado por todos. Momento bonito: Deco e Rui Costa abraçam-se mutuamente e o 10 chega a beijar o 20 na cabeça, renunciando publicamente a qualquer mal entendido que a imprensa parecia querer perceber. Até ao final, os Quinas limitaram-se a controlar e somar os merecidos três pontos, os primeiros do Europeu.

Melhor em campo:
Maniche

Árbitro:
Terje Haunge - esteve bem apesar de ter expulsado mal Ovchinnikov, muito embora seja impossível analisar o lance correctamente sem recurso à repetição. Um fora-de-jogo mal assinalado não dá direito a má nota.

Orgulho

A noite nunca é escura de mais para pensar. Os pensamentos podem ser escuros de mais para a noite. Assim como as manhãs cobertas de nevoeir...