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A mostrar mensagens de Outubro, 2006

Até breve

Ontem, pelas 18h30, consumou-se o sonho da minha vida. Não é um sonho que por se ter concretizado acabe, mas sim uma carreira que pretendo abraçar.
Foi uma sensação indescritível. Chego ao ponto de me sentir estúpido porque lançar um livro e não ter palavras para descrever o que senti é incongruente. No entanto, se disser que a maioria das pessoas que gosto estavam presentes, que a presença delas foi como um bálsamo para mim, é perfeitamente compreensível este sentimento de impotência.
Da Dra. Alda Roma, a prefaciadora e apresentadora da obra, tivemos o privilégio de ouvir uma dissertação lúcida sobre o texto, assim como duas recordações em forma de artigos do Desalinhado, jornal da E.S. Inês de Castro, escritos por mim. Pessoalmente, ouvir que em mim se encontram características que combatem a mediania é algo de extraordinário pois sempre critiquei o comodismo e a falta de iniciativa. Daí que me tenha comovido o facto de ver ali lidos artigos meus que mantêm toda a actualidade sentimen…

Ponto de viragem

Chegou o grande dia. Hoje, perante algumas dezenas de pessoas, lançarei o meu primeiro romance Aldeia de Luz. E agora? Não é medo, nem é dúvida o que me assalta. Antes sim, aquela ansiedade própria de quem sabe que está perante um ponto de viragem na sua vida. Como cantou Sérgio Godinho «hoje é o primeiro dia do resto da [minha] vida». Sou, pela primeira vez, alguém com uma responsabilidade legal que, apesar de eu saber que não pode resultar mal, tem sempre o seu peso em ombros jovens como os meus.
Mesmo assim, é uma sensação única, só comparável às melhores sensações que se vivem. É a realização pessoal, o orgulho saudável, a noção de conseguir mover quem se gosta para nos ver… e é já às 18h30. Até já.

Mudança versus Inércia

Todo o nosso interior está repleto de inércia. Temos uma tendência inata para resistir à mudança, do que advém a admiração pela originalidade, que significa, por sua vez, que alguém venceu a inércia e se mexeu o suficiente para inovar.
As mudanças que a minha vida tem sofrido, maioritariamente boas, pelo que não tenho razões para qualquer queixa, não deixam, contudo, de ser mudanças efectivas e profundas. Daí que nasça alguma ansiedade e que o sentido de responsabilidade que sempre tive tenha de ser agora aumentado e reforçado para o que há-de vir. É já daqui a cinco dias que se consuma um dos sonhos da minha vida: tornar-me escritor. Em alguns momentos, já me sentia como tal, mas de uma forma bem diferente desta. Uma coisa é sentir, outra é sermos reconhecidos como sendo algo de que nos orgulhamos. E isto não se traduz em falta de modéstia, mas sim num orgulho saudável que só nos traz felicidade e aos que nos rodeiam. No fundo, uma nova luz se acende na minha aldeia. A luz é o sonho,…

Escuro

Mais uma semana inesquecível e mais uma mensagem que torna o Fiel Depositário cada vez mais intimista. Mas para quem é sentimental, possuir um blog intimista não é um erro, nem tampouco se trata de uma questão etária, mas sim de feitio.
Assim sendo, a Semana de Integração ao Caloiro com praxe, música, festa, o aniversário à mistura, fez com que estes dias sejam acrescentados àqueles que serão recordados sempre. E as simples recordações, umas pequenas, outras enormes, ficam aqui dentro, porque é onde se guardam as prendas das pessoas de quem gostamos.
É por isso que hei-de sempre recordar o momento em que fui abraçado e felicitado pelos meus dezanove anos, a Cartola a cantar-me os parabéns acompanhada de centenas de pessoas, o carinho, as brincadeiras, a amizade e, acima de tudo, aquele momento escuro ao som d’Os Olhos...porque, deixando de ver momentaneamente aqueles que me acompanham e que eu adoro, soube que, se a luz se apagasse e eles desaparecessem eu não seria ninguém.