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A mostrar mensagens de Janeiro, 2006

Poema

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Soberbo preço

Eis que chega uma gloriosa aurora
Trazida de bem longe pelo vento
E o guerreiro que se levanta agora
Esfrega os seus dois olhos, sonolento.

Não sabe bem qual é o seu destino,
Mas sabe que é para todos esta luta
Da vida, que com o seu travo fino,
Amargo e agridoce nos disputa.

Tarde o saberá, ao ruído das palmas
Que a vitória e a derrota, irmãs infames
Têm o mesmo preço: de muitas almas
E dos intensos derramados sangues.


Fernando Miguel Santos

31/01/06

Sincera?

Sim, sincera. Contudo, enganada suponho. O facto da Sincera que comentou o post Visão Toldada, da qual não duvido nem um pouco que seja, muito pelo contrário, apoio todas aquelas afirmações que em tudo se coadunam com as minhas, ter escrito daquela forma, com aquele conteúdo, leva-me a crer que terá havido um erro de interpretação, quem sabe induzido por um outro da minha parte.
Sincera, não que não existam circunstâncias que promovam o afastamento, mas aqui não se trata de afastamento, mas sim de atitudes que, em altura de proximidade, o aumentam exponencialmente.
Portanto, crendo que fica esclarecido o equívoco, se é que alguma vez existiu, termino este post dirigido a uma Sincera não identificada.

Cavaco Silva e a memória

Cavaco Silva é o novo Presidente da República portuguesa. Cinco contra um, a alegada vantagem da multiplicação da esquerda, não foram suficientes para levar de vencida o ex-Primeiro Ministro. No entanto, Manuel Alegre, o único que se poderia considerar apartidário e um dos que pode, ainda assim, encontrar um fundo vitorioso nesta jornada, só não conseguiu atingir aquilo a que se propôs por décimas. Ganhar por uma margem de 0,6% pode ser falacioso, uma vez que todo o mapa, à excepção de alguns concelhos alentejanos, ficou laranja. Mário Soares foi, sem dúvida, o mais derrotado, mas convém não esquecermos que, tendo a idade que tem, não se esqueceu de como se faz campanha, não se esqueceu de como se combate e não se esqueceu de que ainda é o "pai da democracia". E tal sempre será até que a boa memória exista entre os portugueses.
Quanto a Cavaco, se na campanha parecera extremamente não qualificado a nível humano, digo agora que subiu na minha consideração e na de muitos mais, …

Visão toldada

Quando há alguma força externa que força um grupo de pessoas, que ainda não se percepciona como tal, a sê-lo nada se nota quanto a atritos e separações. Na altura, todos pensam serem atitudes sinceras, talvez toldados na percepção por essa invisível força externa. É claro, quando a força desaparece, o verniz estala, e todos os sinceros de outrora transformam-se nos dissimulados de agora. Por isso, mais vale uma distância significativa do que uma proximidade interesseira.

Ilse Losa

É com muita pena que escrevo este texto. O desaparecimento de Ilse Losa é, apesar de previsível pela idade e pela condição, profundamente triste. O facto de ter sabido da notícia pela Sábado é também algo que me confunde e me faz reflectir acerca das prioridades da vida de cada um.
Para mim, simples adolescente com ambições literárias, foi uma honra tê-la conhecido por meio de um amigo comum. Não perdi, como é óbvio, nenhuma das ocasiões para conversar com ela e tive o privilégio de a encontrar sempre num estado de lucidez impressionante. Certo dia, equipado com a máquina fotográfica para registar um dos meus passeios, acabei por ir lá parar. Pedi-lhe para tirar uma fotografia com ela, ela não negou e eis que tal constitui, agora, uma das melhores recordações que guardo. Resta-me um embargado "até sempre".