Não tens de quê, a amizade é para estas coisas.

É com muito orgulho que escrevo este artigo. Conheço um blog, que até hoje não tinha merecido a presença nos meus favoritos (assim eu pensava), mas que foi utilizado, hoje mesmo, para uma grande causa, uma das mais nobres que existem: a amizade. E como André Vieira, o blogger, se dispôs a agradecer ao "amigo", o "amigo" vem por este meio dizer: não tens de quê, a amizade é para estas coisas!


P.S.- Eu não fiz a entorse de propósito. Foi contra a minha vontade, e não para me esquivar à saída nocturna, que, diga-se, era esperada com muita ansiedade por mim. Obrigado por ser teu desejo que volte a andar como andava.

Outro conto:

Má vida

Era uma senhora já de uma certa idade. Mas decidiu, apesar das cãs que lhe deviam dar juízo e deviam ser sinónimos de boa conduta, enveredar pela má vida. E com isto não se interprete que se tornou prostituta. Longe disso. Começou, antes, por fazer uns assaltos. Primeiro sem que ninguém notasse, depois, com a experiência e o á-vontade, foi-se tornando menos discreta. Certa bela manhã de Agosto, tendo o Sol brilhado intensa e incessantemente no dia anterior, foi apanhada. Como? Tal foi o á-vontade que o assaltado teve tempo para tudo, até para a apanhar. No entanto, a senhora não se desfez. Continuou na sua, pensando talvez que a sua culpa seria, indulgentemente, levada por água abaixo. Mas, na verdade, assim não foi. Pelo contrário, foi detida, eufemismo que hoje se usa para o que antes era presa ou encarcerada, ou a mais animalesca, enjaulada. Ainda hoje lá se encontra, tanto quanto se nos faz saber. Contente, por ter um tecto onde acabar todos os dias, coisa que já tinha, mas é sempre bom agradarmo-nos com aquilo que temos.
Seria agora hora de dizer "moral da história". Mas como esta conta sobre uma mulher que de moral nada tinha, não me darei ao luxo de profanar um lugar-comum tão perfeito e bem engendrado quanto este. Por isso, deixo na base da vossa reflexão aquilo que isto vos possa ter ajudado, que espero não tinha sido muito, pois seria sinal que não precisam de muita ajuda.


29/04/04
FMS

Um dia vos direi...

Um direi a todos quanto me agrada a distância que vai de Orleans a Paris.

Poema

O tempo não me tem permitido alimentar este amigo. No entanto, e uma vez que tenho essa dívida a pagar, publico um poema que merecia já estar aqui há muito:

Com gestos finos e a sorrir
De nós se conseguiram apoderar
Agora é vê-las partir
Ver o mundo a desabar

O mundo gira encantado
Cor do amor, pureza e beldade
Talvez seja o enfado
Talvez seja o nosso fado
Que faz pairar o amor de verdade


03/04/04
Pizza Hut, Londres
FMS

Porque...?

A série de perguntas deve ser feita, porque é uma forma de extravasar aquilo que cada um tem cá dentro. Quando fazemos perguntas, para algumas das quais nem queremos resposta, é simplesmente porque queremos, porque nos apetece, ou então porque a necessidade é tal e de tal forma exequível que temos mesmo de o fazer.

Como é que se fazem viagens para locais longínquos com preço reduzido? Será que a profusão de pessoas que hoje em dia viajam penetra na repousante placidez daqueles que o querem fazer só pontualmente? Será possível fazer alguém apartar outro alguém apenas com eloquência e elocução? Pode o mundo mudar de feição se a cogitação dos nossos pares não mudar também? É possível que alguém com suficiente perspicácia saiba o intuito para o qual me alvitrei a empregar vocábulos prolixos e não menos ininteligíveis para apenas dissertar acerca de certos quesitos?

Liberdade

Ouço várias vezes afirmarem que a liberdade de um acaba quando a do outro começa. Será bem assim? Mesmo que não queiramos prejudicar terceiros, nem ferir susceptibilidades, nem tampouco quebrar leis valorativas e morais podemos sempre espetar com um redondo não na falta de liberdade. Senão vejamos: programe-se um dia para fazer algo de relativa importância, mas que não envolva ninguém a não ser o próprio, para que os danos morais, ou mesmo os benefícios, possam ser usufruídos só por cada um. Fazendo isto, durma-se mal pensando no tão importante assunto que se verá resolvido no dia próximo. Nesse mesmo dia, levante-se a pessoa, tome banho, prepare-se para vestir e, finalmente, quando apenas faltar enfiar as calças ou a camisola, decida o indivíduo, em vez de vestir, despir o que já tem e voltar a deitar-se. Isto é uma fuga à falta de liberdade. Existia algo que nos prendia, algo que foi recusado e que só por si deu prazer pela denegação. É certo que isto não é passível de efectuar em todas e quaisquer situações. Mas este mesmo facto torna o acto de indeferimento ainda mais saboroso. É experimentar e ver…

Citações

Permito-me jogar com minhas as palavras em todas as situações. Permito até que outros o façam. Por que não, então, jogar com as dos outros? Só prova que lhes dei atenção e isso é sempre do agrado de quem as disse.
Por isso, aproveitando as palavras devidamente assinaladas, cantadas por Cat Stevens em Father and Son criei a seguinte frase:

"The love is hard, but is harder to ignore it"

Histórias de uma vida

Propus-me a fazer algo que não faço há muito tempo, mas que me continua a dar grande prazer. Apresento aqui então um conto escrito por mim, que tentei tornar breve:


Histórias de uma vida:

Voltava assim a casa o menino. Houve festa, comida, bebida, encontros com amigos até então desaparecidos, enfim, toda uma parafernália de revivências mais do que agradáveis. Mas encontrava-se lá alguém que, supostamente, não estaria presente. Ele tinha-se declarado a ela muitos anos atrás. Nunca a tinha esquecido, até porque nunca tentara. A recordação permanecera sempre. Mas que estaria ela a fazer ali? Teria renunciado aos motivos que a tinham levado a recusar o convite dele? Continuaram assim. Tão próximos e tão distantes. A pessoa por que ele lutara estava agora dentro da mesma sala que ele. Pronta a que ele lhe dirigisse uma palavra. Palavra essa que se desejava acolhedora e, simultaneamente, simbólica. Podia não ser algo muito bonito, mas era o momento pelo qual ele tinha esperado todo este tempo. Ele conhecera-a numa das suas viagens e nunca tivera coragem de lhe falar. Agora que podia, não tinha coragem. Não conseguia transmitir o calor que ia dentro dele, tal como lhe tinha acontecido quando a vira pela primeira vez. Não tinha sido um amor à primeira vista. No entanto, ainda durava, tanto ou mais forte do que o daquele tempo. Decidiu-se. Deu um passo na direcção dela. Ela sorriu. E ele lembrou-se, perante tal sorriso, das vezes que tinham falado ao telefone, das cartas que tinha mandado, dos falhanços que cometera e que ela, gentilmente, ignorara…Lembrou-se de tudo quanto tinha vivido desde aquele momento em que a sua vida tinha virado para o lado contrário. Pensou ser difícil voltar a enfrentá-la. Não a via desde esse dia. Mas esta podia ser a última oportunidade. Desta vez, não se permitiria falhar, pois caso o fizesse nunca mais se perdoaria. Chegou cada vez mais perto. Foi sendo interpelado por alguns convidados que não via desde há muito, os quais cumprimentava com abundante alegria e também com um pouco de pressa. Chegou assim frente a ela. Olhou, meio envergonhado, os olhos dela. Ela voltou a sorrir. Parecia um sorriso mais desesperado do que o anterior. Chegou-se a ela e cumprimentou-a com um beijo em cada face. Nesse preciso momento, uma mão tocou-lhe no ombro. Seria o pai, pensou. Iam chamá-lo para o pequeno discurso da praxe e para um pequeno dedilhar de teclas ao piano. Não era. Era simplesmente o namorado dela que voltara de fumar um cigarro. Cumprimentou-o também alegremente, mas esta era uma alegria fingida. Perguntou-se porque estavam eles ali. O rapaz acabou por lhe responder, como que adivinhando o seu pensamento. Havia ali uma teia de amizades um pouco incompreensível que o levara a estar presente na festa. E parecia estar a gostar. Despediu-se, pois, dizendo que outros convidados o esperavam. Forçou as lágrimas a conservarem-se nos olhos. Se elas rolassem pela cara estragariam a festa. Ele não queria que isso viesse a acontecer. Pediu então ao pai para o apresentar. O pai apresentou-o e ao seu discurso. Quando lhe foi dada a palavra ele corrigiu. O discurso não iria ser feito. Em seu lugar estaria um poema. Então começou a declamar, olhando para um papel em branco que tirara do bolso, fingindo que lia e que não era espontâneo. Agora podiam sair. Já não seria desagradável vê-lo chorar. A poesia comove. Ela percebeu. O poema todo tocava em coisas que ela conhecia. Os pais também se aperceberam provavelmente, mas nada disseram.
Chegou o final da festa e com ele a última oportunidade acabou. No fundo, acabou bem, com um poema. Mas não era bem este o sonho. Foi para o jardim, chorou, mas a chuva disfarçou as lágrimas. Tinha acabado. No entanto, o seu coração dizia, que tudo tinha de começar de novo. E ele ainda hoje respeita o coração e nunca desiste. Por isso, ainda hoje continua a tentar, e ela sabe-o.





16/04/04
Fernando Miguel Santos

Boa Viagem!

"A amizade não se busca, não se sonha, não se deseja; ela exerce-se (é uma virtude)"


Simon Weil

Cultura

Durão barroso diz que coloca a cultura acima de qualquer patamar político. È, sem dúvida, uma boa atitude. José Saramago conseguiu assim o que tentava: criticar, mas de forma a não ser "condenado" por isso. Depois de tanta censura por esse país, ninguém se atreve a criticar quem utiliza a cultura como forma de protesto. Foi o que Saramago fez. E na minha opinião fez bem.

Questões de televisão

A televisão portuguesa vai de mal a pior. Passando o telejornal da hora de almoço, nunca mais se pode ver nada de jeito. E falo, fundamentalmente, dos canais privados SIC e TVI. A programação destes baseia-se nas telenovelas. Tudo bem, é uma grande aposta a produção luso-brasileira. Quanto à qualidade de algumas não pode haver discussão. Mas a quantidade é demasiada. Não existe qualquer outro tipo de programa, é apenas e só uma injecção de produções ficcionais. Mas pronto, quem manda são eles e decidiram contribuir um pouco para a alfabetização do país. Ou não…

Lição de vida

Don't worry, be happy

O coração é que sabe

É verdade. Ninguém escolhe, o coração é que sabe. E torna-se ainda mais determinante, porque bate para nos manter vivos e simultaneamente para nos envenenar. É curioso. No mínimo. Quando o coração determina um alvo é impossível a razão sobrepor-se. Nada o demove. Só quando ele decide libertar o alvo é que o alvo fica livre. E isto é muito menos linear do que parece. Nos animais é linear: procriação. Nos seres humanos é complexo: sentimentos. E depois o coração controla tudo: o que vemos, o que comemos, o que bebemos…parece que quer ter mais atenção. E na verdade quer. E eu dou-lhe. Aliás quando ele pede todos lhe damos.

Euro 2004

Portugal não é de todo comparável ao Reino Unido. Nem eu queria comparar. Mas podia estar mais próximo. No Heathrow existiam dezenas de balcões de check in e em Lisboa só dois. As filas cá são até à porta, lá são de dez pessoas no máximo. A cidade também é maior. Mas não se percebe como, a caminho do Euro ainda estamos assim. É revoltante. Pode ser que se consigam minimizar os estragos. Temos de ter esperança.

Por ti caía o mundo

Por ti caía o mundo

Sou surdo, só te ouço a ti
Sou cego, pois antes não te vi
Não notei, tardei a encontrar
O que procurava
Agora que te alcancei
Sinto que te abandonei
Virei-me quando menos desejava
E esse teu ser
Que me alimentava e alimenta
Minha vida suporta, meu sangue esquenta
Leva-me a dizer
Por ser tão profundo
Se dependesse de mim
Por ti caía o mundo

05/04/04
Fernando Miguel Santos

True Love

For love nothing is impossible.

Life without love

"Woe to the man whose heart has not learned while young to hope, to love - and to put its trust in life."


Joseph Conrad

Love

"Every heart sings a song, incomplete, until another heart whispers back. Those who wish to sing always find a song. At the touch of a lover, everyone becomes a poet."

Plato

Poesia

Prometi a mim mesmo que este blog nunca ou raramente teria poesia escrita por mim. Agora sei que foi uma estupidez. Quebro assim a promessa, mas como foi feita de mim para mim não sinto remorsos. Portanto aqui vai um poema escrito em Londres:


Das maravilhas do Mundo
Corpo perfeito olhAr profundo
Pólo de beleza, da aRte de encantar
Vê-la é sinónimo de perder e Ganhar
É pois forte e insistente O espanto
Que de tão forTe nunca pensei ser tanto


FMS, Londres 02/04/04

Regresso

Cheguei. Hoje pela 1.00. Trago na bagagem muitas recordações e a noção que tudo lá é diferente e bonito. Ficava bem lá mais uma semana. A propósito, alguém me disse um dia que o meu blog era demasiado confessional. Quem concorda com esta afirmação tem um conselho: deixem de ler, porque ele ainda se vai tornar mais. Além disto vai passar a ser trilingue: português, inglês e francês. Esperem e vejam.

P.S.- Se havia uma palavra que antes me animava (Londres) agora é outra (Margot)

Orgulho

A noite nunca é escura de mais para pensar. Os pensamentos podem ser escuros de mais para a noite. Assim como as manhãs cobertas de nevoeir...