Balanço

Como em qualquer empresa, também nós, indivíduos normais que ainda assim acham as suas vidas magníficas, temos tendência a fazer um balanço daquilo que foi o nosso ano.
Pois bem, tendo em conta o comprometimento sentimental em que me encontro, tendo em conta que foi durante este ano que se operaram as mudanças mais fundamentais na minha vida, como sejam a mudança de cidade, a edição do meu primeiro romance, entre muitas outras, não posso deixar passar um balanço bastante positivo.
Existe uma corrente que tem o hábito de fazer comparações entre efemérides e actualidade. Tudo começa com um «por esta altura, no ano passado,…». Assim seja. Mas a minha comparação vai para 2005 e 2004. Em 2004, eu estava a terminar o Aldeia de Luz. Em 2005, a finalizar o meu primeiro semestre universitário. Em 2006, estou prestes a completar três meses de namoro. Quem pode gabar-se de ter um acontecimento marcante diferente todos os anos? Quem pode fazer valer a memória para reviver momentos inesquecíveis assim aos molhos?
É, por isso, que 2007 vai ser bom: porque não tem como ser mau.

Até já e bom ano.

A proximidade do afastamento

O valor que damos às pessoas é, como diz Chateaubriand no início da página, por outras palavras, constantemente postergado para a altura em que nos vemos na iminência de as ter longe de nós. E assim será sempre, a não ser que tenhamos essa consciência e tenhamos bem presente que tal acontece porque simplesmente cedemos espaço ao facilitismo. «Estás aí, logo não tenho de te procurar» é talvez a frase mais dita pelo nosso inconsciente, o id de Freud, por esta altura. Afinal, se nos dói quando o tempo do afastamento se aproxima, mesmo que depois se volte a afastar e tudo permaneça no caminho que desejamos, estamos a deixar que esse inconsciente nos domine. Se bem que haja certas alturas em que devemos ser dominados por ele, se ele estiver bem treinado ao ponto de satisfazer necessidades que não teríamos capacidade de suprir de outra forma.

Tudo isto para dizer, unicamente, que não podemos fechar os olhos ao passado, o passado em que este domínio atroz do facilitismo nos levou a passar por cima de tantos outros pormenores, como sejam os esforços dos outros para nos agradar. E passando por cima disso, estamos a deixar para trás um mundo imenso de satisfação e realização pessoal que não queríamos, à partida, perder. E perdemos. Há, então, que voltar para trás, recolher esses pedaços de prazer perdidos no tempo se possível for e refazer a noção de proximidade, porque se nós precisamos dos outros, eles também precisam de nós.

Orgulho

A noite nunca é escura de mais para pensar. Os pensamentos podem ser escuros de mais para a noite. Assim como as manhãs cobertas de nevoeir...