William Shakespeare

Sonnet XVIII

Shall I compare thee to a summer's day?
Thou art more lovely and more temperate:
Rough winds do shake the darling buds of May,
And summer's lease hath all too short a date:
Sometime too hot the eye of heaven shines,
And often is his gold complexion dimm'd;
And every fair from fair sometime declines,
By chance or nature's changing course untrimm'd;
But thy eternal summer shall not fade
Nor lose possession of that fair thou owest;
Nor shall Death brag thou wander'st in his shade,
When in eternal lines to time thou growest:
So long as men can breathe or eyes can see,
So long lives this and this gives life to thee.

Chegada

A sonda Huygens chegou a Titã, o maior satélite de Saturno. nunca nenhuma sonda tinha ido tão longe. Receber-se-á, agora, informação importantíssima para a compreensão e o estudo da Terra. E não só.
O Homem vai cada vez mais longe, mas ainda há problemas aqui bem perto.

Lord Byron

She walks in beauty

She walks in beauty, like the night
Of cloudless climes and starry skies;
And all that's best of dark and bright
Meet in her aspect and her eyes:
Thus mellow'd to that tender light
Which heaven to gaudy day denies.

One shade the more, one ray the less,
Had half impair'd the nameless grace
Which waves in every raven tress,
Or softly lightens o'er her face;
Where thoughts serenely sweet express
How pure, how dear, their dwelling-place.

And on that cheek, and o'er that brow,
So soft, so calm, yet eloquent,
The smiles that win, the tints that glow,
But tell of days in goodness spent,
A mind at peace with all below,
A heart whose love is innocent!

O Clube dos Poetas Mortos: Poemas

O Captain! My Captain!

O Captain! my Captain! our fearful trip is done,
The ship has weather'd every rack, the prize we sought is won,
The port is near, the bells I hear, the people all exulting,
While follow eyes the steady keel, the vessel grim and daring;
But O heart! heart! heart!
O the bleeding drops of red,
Where on the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.

O Captain! my Captain! rise up and hear the bells;
Rise up - for you the flag is flung - for you the bugle trills,
For you bouquets and ribbon'd wreaths - for you the shores a-crowding,
For you they call, the swaying mass, their eager faces turning;
Hear Captain! dear father!
The arm beneath your head!
It is some dream your head!
It is some dream that on the deck,
You've fallen cold and dead.

My Captain does not answer, his lips are pale and still,
My father does not feel my arm, he has no pulse nor will,
The ship is anchor'd safe and sound, its voyage closed and done,
From fearful trip the victor ship comes in with object won;
Exult O shore, and ring O bells!
But I with mournful tread,
Walk the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.

O me! O life!

O me! O life! of the questions of these recurring.
Of the endless trains of the faithless, of cities fill'd with the foolish.
Of myself forever reproaching myself, (for who more foolish than I, and who more faithless?)
Of eyes that vainly crave the light, of the objects mean, of the struggle ever renew'd.
Of the poor results of all, of the plodding and sordid crowds I see around me,
Of the empty and useless years of the rest, with the rest me intertwined,
The question, O me! so sad, recurring -- What good amid these, O me, O life?
Answer That you are here--that life exists and identity,
That the powerful play goes on, and you may contribute a verse.

-WALT WHITMAN
-1819-1892

To the Virgins,
Make Much of Time

Gather ye rosebuds while ye may,
Old time is still a-flying,
And this same flower that smiles today,
To-morrow will be dying.

The glorious lamp of heaven, the sun,
The higher he's a-getting,
The sooner will his race be run,
And nearer he's to setting.

That age is best which is the first,
When youth and blood are warmer;
But being spent, the worse and worst
Times still succeed the former.

Then be not coy, but use your time,
and while ye may, go marry;
For having lost just once your prime,
You may for ever tarry.

-ROBERT HERRICK
1591-1674

Pormenores

A vida é feita de pormenores. Como tal, não seria justo deixá-los passar em branco. Os meus pormenores diários são algo que leio, que vejo, que ouço, enfim, que faço. Recentemente, li com grande avidez um livro que só porque me foi oferecido me chegou às mãos. Provavelmente, estando ele numa prateleira nunca lhe pegaria. Perderia assim um dos melhores romances que já li. Por favor não matem a cotovia, de Harper Lee, conta a história de uma pequena terra americana do tempo da escravatura pelos olhos de uma criança. A inocência da criança ao relatar todos os pormenores da sua vida e da dos outros torna o livro indescritível.
A recordação da infância é, para a grande maioria das pessoas, uma grande alegria. Os seus pormenores ficarão para sempre gravados em nós. Por isso, recordo tardes e tardes a ver, rever e voltar a ver as aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain, adaptadas a desenho animado. Os downloads facilitaram tudo e agora é-me possível rever todos os fantásticos episódios desta série.
Por fim, os filmes. Havia, desde há uns tempos atrás, apenas um filme que me emocionava muito - emocionar é fácil, muito é que é difícil -: O Homem da Máscara de Ferro. A noção da realidade dos acontecimentos misturada com a bravura e coragem dos três mosqueteiros são, para mim, explosivos. Hoje, outro filme me tocou de uma forma, no mínimo, extraordinária.
O Clube dos Poetas Mortos, que nunca tinha visto, quase me fez chorar numa sala de aula repleta. Vergonha? Claro que não. Aguentei por pouco, tão pouco que até recebi ordem para me recompor. Não sei se por me rever em algumas personagens ou suas características, se por outra qualquer razão, fiquei muito, mesmo muito emocionado. A realidade cá fora depois do filme pareceu-me enevoada, diferente e melhor. Aquele sim é o verdadeiro e não o deturpado conceito de Carpe Diem. O vício continua mais adiante.

Viver por poder ser

Ser livre como um pássaro. Poder ser lento como uma tartaruga. Ser uma preguiça. Ter autoridade de leão. Ter pujança de jaguar. Ver mais longe como a águia. Ser mais forte que um gorila. Levar os esforços além do imaginável. Conseguir o que se quer. Imaginar o que não se quer. Viver sem viver. Pensar em viver. Sentir sem olhar. Sentir sem cheirar. Sentir sem comer. Sentir sem tocar. Sentir sem ouvir. Sentir por sentir.

Traição natural

A tragédia que se abateu sobre a Ásia é um assunto, por mim, difícil de abordar, o que explica o comentário tardio. Isto acontece porque, ao contrário das guerras e de algumas outras tragédias, não há um culpado.
No 11 de Setembro foi fácil apontar o dedo a Bin Laden; na Guerra do Golfo II dois dedos apontam, um para Bush outro para Saddam… No caso do tsunami é impossível achar alguém que tenha culpa, alguém que carregue com a raiva das vítimas, alguém a quem blasfemar em caso de desespero. Também ao contrário de outros casos aqui houve uma traição. As Torres Gémeas caíram pela força de um inimigo cobarde, que se escondeu no próprio território-alvo urdindo o seu malévolo plano; a guerra no Iraque não foi mais do que uma entrada de rompante de um inimigo mas, mesmo assim, à vista de todos. Já as ondas que varreram a costa desses desgraçados países asiáticos usaram de traição para com as vítimas. Silenciosamente, recuaram. Depois voltaram e, aparentemente, fizeram-no como sempre. No entanto, na altura de parar não o fizeram e levaram consigo todos os conhecidos milhares de almas que, aterrorizadas ou sem tempo para isso, deixaram de fazer parte. Tudo isto feito pelo mar que, quem sabe á mesma hora, acalmava muita gente do outro lado do Mundo.

O rei na barriga

Todas as semanas, à sexta-feira, recebo a revista Sábado pelo correio, como assinante que sou. Lá dentro, de entre várias participações interessantes encontra-se a de José Pacheco Pereira. Corro, ao contar o que se segue, um risco enorme de ferir o meu blog de morte, visto ser o do referido o mais visitado e, portanto, ele uma pessoa reconhecida.
Como escrevi um dia num daqueles cadernos viajantes, na minha humilde e modesta opinião, "o verdadeiramente talentoso é aquele que não se orgulha do seu dom". Ora, é exactamente este o ponto. JPP é, todos o sabem, um dos grandes intelectuais do país. Felizmente, e digo-o sem ironia, em Portugal há bastantes e de grande qualidade. Contudo, JPP tende, não raras vezes, a opinar com tal determinação que dá a entender que, como Atlas levava o Mundo aos ombros, também ele leva a inteligência às costas. A riqueza do nosso português (a língua, não Pacheco Pereira) permite-nos dizer algo de maneira leve que dito de outra forma seria chocante. A isto se chama eufemismo. Pacheco Pereira não usa eufemismos. Diz o que tem a dizer, sem rodeios nem pudores, o que se traduz em discursos muito lúcidos, acutilantes e de muito boa qualidade e em outros de claro desrespeito para a pessoa em causa. É evidente que este desrespeito se manifesta apenas nas suas palavras e não se quer com isto afirmar que ele desconsidera a pessoa em causa.
Apesar de tudo isto, que não deixa de ser uma crítica construtiva, é dos artigos que leio com mais interesse. Por vezes, aí está o mal, ainda me faz torcer o nariz…

Orgulho

A noite nunca é escura de mais para pensar. Os pensamentos podem ser escuros de mais para a noite. Assim como as manhãs cobertas de nevoeir...