Imitador imparável

Defendo a política de vida que o CD de Gabriel, o Pensador enuncia: Seja você mesmo, mas não seja sempre o mesmo.
Claro que, sendo seres em aprendizagem contínua, em crescimento sempre exponencial e nunca em decrescimento, como alguns podem querer transmitir, admito sempre a mudança e o volte-face vivencial que é mudar de hábitos e até de opinião. Contudo, censuro veementemente a vontade indómita de alguns em transformar a sua vida na crítica de outro quando em si mesmos se revela o estilo de vida criticado. É o caso de Cláudio Ramos.
Este pretenso escritor (sublinhe-se o pretenso), ou melhor, mau cronista social, faz vida da crítica do cor-de-rosa, aquilo que muita gente não sabe o que é, que alimenta comprando revistas mas que acaba por repugnar na mesa de café quando renuncia ao snobismo. Pois atente-se neste homem e veja-se que a sua ambiência é a mesma daqueles que ele critica, o que lhe confere a pele de delator, no mais puro sentido do termo. Se bem que nada tenha contra a frequência em festas, em eventos sociais ou tudo que com isto se relacione acho ser exigível que os frequentadores destas o façam com um fundo palpável de intencionalidade. Estar ali por ser bem sucedido é uma coisa, ganhar a vida posando para fotografias, vestir roupas emprestadas e jogar ao faz-de-conta parecendo rico e não tendo onde cair na hora do chamamento já não é tão justificável. Pelo contrário, é triste, porque esta é a verdadeira miséria de espírito. Mas que dá vontade de rir, dá.
Então mas se não gosto de me relacionar com este tipo de coisas porque razão estou a falar delas? Porque a revista Sábado traz uma citação de Cláudio Ramos à TV Guia, a reacção do apresentador ao facto de ser chamado gay por alguns humoristas: «A maioria das pessoas que goza comigo tem telhados de vidro. Sei muitas coisas sobre elas.»
Em primeiro lugar, que fique claro que compreendo a indignação. Alguém que avalia a vida de gente tão rica do ponto de vista humano, tão rica ao ponto de se tornar cor-de-rosa, deve ser um imenso avaliador de caracteres. Logo, ninguém precisa de lhe contar nada, basta um simples perscrutar e eis a melhor das avaliações quanto às características individuais de cada um. Cláudio Ramos não saberá que humor é algo para rir e que o facto de ser gozado se baseia nisso mesmo, numa intenção de trazer sorrisos e gargalhadas aos rostos dos espectadores.
Já a acusação sobre a orientação sexual me aprece basear-se em algo diferente: a capacidade do ser humano em estabelecer relações com algo já observado. E neste campo, se Cláudio Ramos não é gay, imita na perfeição.
Por isso, e para terminar um post já algo longo, deixo aqui a minha ideia brilhante aos produtores televisivos, ideia com a qual poderia ganhar muito, mas que deixo nas mãos dos profissionais. O melhor seria Cláudio Ramos juntar-se a Fernando Pereira, no sentido profissional, porque não questiono a vida deste último. Mas seria espectacular ver os dois, no mesmo palco, a fazer imitações de grande qualidade. Fernando Pereira imitava as vozes de cantores conhecidos, Cláudio Ramos imitava as bailarinas.

O engano continental, a poncha e o que de nós restasse

A verdade foge, como na maioria das vezes, ao estereótipo. A Madeira não é asfixiante por estar rodeada de água. Tal não acontece com a apelidada Pérola do Atlântico nem com a ilha Dourada, o Porto Santo, tendo esta até uma dimensão bastante mais reduzida.
Por isso, após as férias no Algarve, onde nunca tinha visto tantos estrangeiros (e estrangeiras) como este ano, talvez devido ao facto de ser Agosto, fui para a Madeira.
Desde dia dez até dia vinte foi o mais pequeno arquipélago português que me ocupou mais tempo. Em dois dias demos a volta à ilha, eu, o Bruno e o Filipe, fazendo uso das mais extremas capacidades de resistência e captação. Para a primeira tínhamos a ajuda do pé-de-cabra, da nikita, da Coral, do cortado, mas principalmente, da poncha (que saudades!). Para a segunda, o inestimável apoio das máquinas fotográficas que, como nós, aguentaram caminhadas, chuva, vento, muito sol e muito pó pisado por nós. E depois disto ainda faltava mais de metade da estadia.
Intercalando a poncha com Brisa, o refrigerante madeirense cuja versão maracujá é de repetir vezes sem conta, lá fomos optando pelo que mais nos satisfazia do ponto de vista do equilíbrio emocional de quem tem de visitar uma ilha de inúmeros recursos em tempo tão limitado. Ora o Casino e o Copacabana à noite, ora o Jardim da Quinta da Vigia de tarde para relaxar… Até que chegou a vez do Porto Santo.
Embarcámos no Lobo Marinho, o barco de ligação entre as duas ilhas que compõe o arquipélago, e fizemos das tripas coração para aguentar o ritmo das noites, depois de uma semana tão preenchida. Destas noites fica a noção de que as madeirenses são bonitas, mas não têm a capacidade de o avaliar na verdadeira dimensão. Perdem por se sobrevalorizarem ao ponto de ignorarem quem com elas conversa e, claro, gerar o riso de quem está a ver. Será este o ponto negativo da viagem? De forma nenhuma. Voltaria a sofrer revezes destes vezes sem conta … Era sinal que tinha voltado para a Ilha!



Nota- Este é o post número 300! Mais uma data marcante para o Fiel Depositário.

Orgulho

A noite nunca é escura de mais para pensar. Os pensamentos podem ser escuros de mais para a noite. Assim como as manhãs cobertas de nevoeir...