Arrependimento: o dilema do passo atrás

Quando fazemos algo, seja o que for, e duvidamos do que realmente era a nossa intenção, logo vem alguém que nos grita: «Nunca te arrependas do que fizeste; arrepende-te do que não fizeste!». Não há dúvida, tem lógica. A confiança em nós é o primeiro passo para o sucesso. No entanto, nem tudo que tem lógica está certo. E esta teoria, que há tantos anos me faz pensar, levou-me, ela mesma, a concluir que está errada. Sim, errada.
Senão, vejamos. Imaginemos um homem qualquer. Esse homem tem duas opções: dar um passo em frente ou ficar quieto. Ele decide tomar o passo em frente e duvida, o que despoleta a chegada de alguém que lhe grita: «Nunca te arrependas do que fizeste; arrepende-te do que não fizeste!». Vendo a situação pelo olhar comum, se ele seguir o conselho, então não se arrependerá do passo tomado. Ainda assim, esta não é a única visão possível do acontecimento, porque há algo que ele fez – dar um passo – e algo que não fez – ficar quieto. Por isso, segundo o conselho, ele não pode arrepender-se do que fez, ou seja, do passo que deu, mas pode arrepender-se do que não fez, ou seja, ter ficado exactamente no mesmo local.
Um leitor atento terá reparado que, com o mínimo de percepção da abrangência desta frase tão usual, voltamos ao dilema inicial. Mas a questão fulcral deste exemplo não é saber se devemos seguir o conselho linear ou rebuscadamente, nem tampouco se o devemos ou não seguir. A moral da história resume-se numa máxima sem interpretações dúbias: digam os outros o que disserem, todos temos o direito do arrependimento, basta querermos. E dar-mos um passo atrás…

Orgulho

A noite nunca é escura de mais para pensar. Os pensamentos podem ser escuros de mais para a noite. Assim como as manhãs cobertas de nevoeir...