O perigo de ser um homem heterossexual



Ser um homem heterossexual está a ficar cada vez mais perigoso. Temos de ter cuidado com as auto-declaradas minorias, cujos membros mais exaltados querem ser respeitados da forma que acham que devem ser respeitados. Digo auto-declaradas pois, apesar de não ter estatísticas suficientes para falar de números sobre a comunidade LGBT, todos sabemos que há mais mulheres do que homens neste planeta. Em caso de dúvida, consultem a definição de minoria.
A questão do assédio sexual está por todo o lado como se fosse uma bandeira nacional e as vozes que apregoam este problema transformaram-se num hino de incentivo ao combate à discriminação. Não há uma réstia de misoginia neste texto. Trata-se apenas de uma constatação de princípios.
O problema da discriminação existe, tanto nas questões de género como nas raciais, mas tem de ser tratado com a seriedade que exige. O folclore que se criou apenas desvaloriza o papel das minorias e das mulheres quando analisamos os contornos do assunto. 
Convido-vos a analisar comigo algumas situações. Cito nomes de figuras públicas e escondo os nomes dos envolvidos em outros casos. Pouco importa. O politicamente correcto transformou-se numa seita fundamentalista tão poderosa quanto qualquer outra.

Park Dae Sung

Park Dae Sung, lutador de MMA, foi acusado de assédio sexual pelo que fez neste vídeo . Os factos não mentem. O que podemos ver é um lutador vitorioso que abraça pela cintura uma promotora que está no ringue para ser fotografada com ele. 
Não posso censurar a sua reacção numa outra ocasião . Evitou o contacto e boicotou a fotografia. Pode, eventualmente, ter sido excessivamente zeloso das duas vezes, mas uma mulher que aceita ser paga para ser fotografada em roupas reduzidas ao lado de lutadores carregados de testosterona depois da sua vitória tem de saber que a sua opção inclui algumas contingências. Dirão os fundamentalistas que ele não lhe devia ter tocado. Talvez. Daí até ao assédio sexual vai um longo caminho.

Cristiano Ronaldo

Cristiano Ronaldo foi acusado de violar Kahtryn Mayorga. Não precisamos de vídeos neste caso. Há uma mulher que aceita o jogo de sedução, que aceita ir ao seu quarto, que pratica vários actos sexuais consensuais, que sabia da existência de outras pessoas no quarto e que, alegadamente, volta para a discoteca. Volta a ter problemas psicológicos quase uma década depois, apesar de ter assinado um acordo financeiramente vantajoso. Não há mais nada que possa dizer sobre isto.

Algumas figuras públicas dos movimentos contra o assédio sexual têm um comportamento semelhante. Quase como no caso de Renato Seabra e Carlos Castro, deixaram que a situação evoluísse até um momento incomportável, mas durante o processo beneficiaram com isso.
Não nego a existência do assédio, nem os casos de importância maior, mas há um nítido efeito de aproveitamento que me leva a pensar que é possível subir na horizontal para depois, do alto da notoriedade, dizer que não era assim que devia ter sido. 

Redes Sociais

Tenho imensos amigos que trabalham com as redes sociais. Os seus contactos multiplicam-se com o objectivo de aumentar o alcance das suas publicações. Eu mesmo o faço. Fá-lo-ei até com este texto. Com a disseminação do politicamente correcto, alguns profissionais vêem-se condicionados aos pedidos de amizade sob pena de lhes serem apontados comportamentos inadequados. Se convidam uma mulher para gostar duma página isto consiste, na opinião delas, um interesse e um desrespeito em relação às suas esposas. No meu caso, como no deles, o que queremos é que elas abram a carteira, não as pernas. 

Por outro lado, as redes sociais deram origem a uma nova profissão: as mulheres que vendem a imagem do seu corpo. Até aqui tudo perfeito. Estamos no domínio do interesse pessoal. Cada um faz o que bem entende. Entretanto, nascem posts de emancipação justificativa. “Não sou puta, só vendo a minha imagem.” Talvez seja verdade, mas todas as nossas acções têm consequências. A liberdade existe para quem se exibe, como para quem acha que isso é vender o corpo. Penso que quem se masturba na internet a troco de um carregamento de telemóvel ou quem promete fotografias explícitas em troca de um pagamento PayPal tem todo o direito de o fazer, mas tem de saber que ao fazê-lo se sujeita a comentários desagradáveis de quem também é livre para se exprimir. 

Liberdade de expressão segundo Ricardo Araújo Pereira

Quanto à liberdade de expressão, deixo-vos com esta declaração de Ricardo Araújo Pereira. Sublinho, em total concordância, que enquanto é discurso e não acção, não deve haver penalização criminal. Vejam, por favor, a parte em que o Ricardo fala de um hipotético assédio às filhas. É um pai que fala, mas é, sobretudo, um pai inteligente. 

Hormonas

Dei aulas numa escola profissional. Os meus alunos estavam em plena adolescência e fui avisado pela directora sobre uma determinada turma. Determinado (ou imbecil) que sou, escolhi logo essa para o rol de turmas que tinha atribuídas. 
Apercebi-me logo que as hormonas presentes numa sala de aulas onde só existia um rapaz seriam um problema a gerir. Um certo dia, após inúmeros comentários sobre o meu rabo a cada vez que escrevia no quadro, tive de tomar uma atitude. Primeiro tentei ignorar, depois chamar a atenção e acabei por não poder tolerar mais e expulsei a aluna da sala. 
Fui chamado à direcção no intervalo seguinte. A aluna fez queixa à directora dizendo-lhe que eu a tinha convidado a tirar fotografias nua. Não respondi sequer, não fiquei aflito, não receei perder o emprego. Fiquei apenas surpreendido pelo maquiavelismo de alguém com dezasseis anos. A directora, depois de me relatar toda a queixa disse-me: “Eu bem te avisei…”.

Hoje, ser homem heterossexual é perigoso. Ser homem heterossexual sério é ainda mais perigoso, porque não há defesa possível para quem não tenta ser diferente. Não há cartazes que se possam levantar em defesa de algo que é assim apenas porque é. 
Hoje, ser livre para expressar os seus pensamentos também é perigoso. Ironicamente, é menos perigoso para os membros histéricos das minorias que têm o apoio da comunicação social sensacionalista.

Hoje, ser apenas uma pessoa, com defeitos e virtudes, com inseguranças e ambições, com medos e sonhos, mas com liberdade para se manifestar e interagir com os outros é uma ousadia.

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