Surpresa

O ser humano continua a ser a minha maior surpresa. Talvez pela consciência que vai aumentando com o acumulo de experiências, a maioria das surpresas é negativa. É aprendizagem. E é exactamente isso que faz das excepções positivas a brisa refrescante que tanto procuramos.

Há pessoas que confiam. Sem nos conhecerem profundamente percebem-nos. Abrem-se para connosco e abrem o seu espaço para que nós possamos fazer o mesmo. Proporcionam-nos um aconchego que chega a ser quase fora da norma deste mundo maravilhoso (e armadilhado) em que vivemos.

O ser humano é capaz de todo o espectro de atitudes. Como animais competitivos que somos é fantástico apreciar a colaboração e a confiança. É sentir que temos muito mais para lá da nossa dimensão puramente física e que se move na nossa psique a necessidade de interagirmos com quem gostamos, procurando gostar de mais gente e, dentro dessa dinâmica, aumentar a intensidade.

Somos como pavios de pólvora, por vezes, mas gostamos que as explosões sejam de alegria. Somos como ardósias já escritas, mas gostamos que nos reescrevam a cada passo. Somos como páginas lidas à espera de uma nova interpretação.

Todos os dias me redescubro nos outros. Talvez nem o procure, mas encontro caminhos que me eram interditos por mim mesmo naquilo que alguém me transmite. Viver mais com menos é isto. É reduzirmos ao essencial o prazer que todos buscamos e para isso basta-nos um pequeno porco e uma camisa de pescador.


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