Receita Fascista

A fórmula é sempre muito semelhante. Revê-se na História e é por isso que devemos analisá-la e compará-la.

Tudo começa num movimento pequeno ou numa figura menor. Vai-se acrescentando pequenos traços carismáticos e um discurso acutilante, próprio de quem aparentemente sofre com as massas. Aqueles que guardam rancores antigos e se sentem ostracizados e revoltados pela falta de oportunidades começam a ouvir este novo líder, com voz forte, que está a dizer exactamente aquilo que eles querem ouvir e as angústias que eles também gostariam de gritar.

Juntam-se uns pós de misticismo. Deus, a Natureza, uma Força, a Fé. É o lado messiânico da fórmula. Afinal, estamos perante um Escolhido, que veio para salvar. Um Libertador. 

Depois inicia-se a propaganda. Umas camisas de cores iguais (ora castanhas, ora pretas, ora amarelas), uns panfletos, grandes manifestações populares, marchas. 

Para haver mobilização massiva dos crentes há que focar a raiva latente num inimigo público. Pode ser a elite, os ricos, os comunistas, os pretos, os imigrantes, os judeus. 

Um atentado dá muito jeito. Pode ser um tiro no nariz, um tiro de raspão numa acção militarizada que partilhamos com antigos membros do exército ou uma facada durante a campanha eleitoral. Aqui, tem de se misturar tudo muito bem com o misticismo. A resiliência de quem continua após um atentado faz fermentar o Messias. 

Como cereja final, o discurso começa a propagar-se entre os apoiantes, o tom sobe e já nem é preciso controlá-lo. Basta que se faça barulho, que mexa nas águas mais paradas, que se use a desventura dum povo, a conjuntura económica ou a corrupção do passado para justificar a dureza das palavras.

No final, elegemos um cognome.


Il Duce, Der Führer, O Mito.

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