Dimensões biológicas

Nunca será de mais repetir que a nossa dimensão biológica está mais presente do que gostamos de admitir. É certo que, havendo excepções, a maioria dos seres biológicos que somos tende a deixar-se levar por esses mesmos traços, não os inibindo.
Nota-se isso perfeitamente na atracção entre os dois géneros. Se por um lado os homens são mais visuais, as mulheres, por seu lado, ligam mais ao estatuto, leia-se aos desempenhos sociais. Quem rebate esta teoria redunda, invariavelmente, no argumento da futilidade. Que nem toda a gente é assim, que não se pode generalizar, mas a verdade é que, em algum momento da nossa vida, todos resvalamos para esse lado, o que não é necessariamente mau se nos apercebermos e tentarmos corrigir.
Está nos genes escrito que teria de ser assim. E sendo biológico, fisiológico até, podemos contrariar mas nunca erradicar. Afinal, isto verifica-se em muitas ocasiões: na forma como homem e mulher encaram as relações de curto-prazo (elas mais sentimentalmente, eles mais fisicamente); como estabelecem uma relação (elas sendo solicitadas por eles ou, caso solicitem primeiro, esperando receber deles um sinal de que estão certas); como reagem às adversidades (eles perseguindo aquilo que querem, elas fechando-se na esperança de uma mudança de ideias)... A lista continuaria e sofreria, como muitos argumentam com verdade, a pena de ser uma generalização. No entanto, é verdade que, mesmo que sejamos excepções, somos assim a espaços. E tendemos a negar exactamente porque reconhecemos que este tipo de diferenças estará sempre ao nosso lado.
Queremos ser diferentes? Está ao nosso alcance, graças às dicotomias que as relações apresentam. E não são essas dicotomias que tornam as relações, durem elas o que durarem, mais divertidas e recompensadoras?


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