Diário de Viagem

Ao ler À Flor do Tempo de Ilse Losa, que tive o prazer enorme de conhecer, lamentavelmente a pouco tempo do seu desaparecimento, encontrei uma crónica intitulada "Cada Vez Maior". Esta refere-se a uma viagem realizada pela brilhante escritora aos Estados Unidos. Nela reflecte-se acerca da evolução dos mercados, desde as mercearias simples de outrora até aos actuais "hipers".
Contudo o que me move a escrever este post não é esta evolução, mas a referência a um diário de viagem escrito por Ilse. Foi então que, sabendo a sua exacta localização, fui buscar o meu próprio diário de viagem, desta feita a Itália, em 2004. Logo nos primeiros textos é possível notar a espectacular alegria com que os escrevia, podendo juntar numa simples folha de papel, muitos dos meus maiores prazeres: a escrita, as viagens, o prazer de rever pessoas de quem gosto… A escrita foi feita sem qualquer preocupação estética ao ponto de ser perceptível que eu, que dou um valor inestimável a tudo que rodeia as palavras que escrevo, desconsiderei tudo o que por norma respeito. Porquê? Pela simples razão de ser essencial evidenciar a minha satisfação e pela pressão de tudo o que me esperava e que, mais tarde, repousaria também naquele caderno. Fi-lo inconscientemente. E, por isso, é possível encontrar frases inacabadas, erros ortográficos, rasuras e, o mais visível, uma letra extremamente torta e imperfeita, tudo isto no mesmo ano em que comecei a escrever Aldeia de Luz.
Mesmo assim, é como se percorresse os mesmos caminhos que percorri, como se cada palavra fosse um cheiro, um quilómetro percorrido, um sabor experimentado… E por estas coisas vale a pena suportar todos os erros do Mundo.

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